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Apostila de Sabonetes Artesanais - Parte 3

VARIAÇÕES

 

 

Sabonetes com Ervas

Colocar as ervas desidratadas no fundo da forma, jogar um mínimo de glicerina derretida, só para prender as ervas e esperar esfriar um pouco. Em seguida, encher o resto da forma com glicerina não muito quente, para não derreter a glicerina que já foi colocada e desprender as ervas.

 

Sabonete infantil

Pegar um bichinho ou brinquedo de plástico ou borracha, verificar se não há furinhos onde possa escapar bolhas, caso haja tapar com cola quente.

Colocar pouco corante na glicerina transparente para que se veja bem o brinquedo depois de pronto. Caso haja necessidade utilizar o procedimento anterior para prender o brinquedo.

 

Sabonetes marmorizados

Pingar gotinhas de corante no fundo da forma e em seguida jogar a base branca (ou da cor desejada) já com a essência. Com um palitinho, caso haja necessidade, espalhar o corante  do fundo da forma após colocar a base.

 

 

Sabonetes dentro do sabonete

Aproveitar restos de sabonetes, ou cortas tirinhas ou quadradinhos formando desenhos, ou mesmo sabonetes cortados com formas de bolachas, ou ainda sabonetes feitos em mini formas. Utilizar glicerina transparente e bem fria para não derreter o sabonete que irá dentro, misturando as cores.

 

DIFERENTES

 

Sabonete Rústico, modelado com as mãos

Material:
90 g de base glicerinada branca
8 gotas de corante marrom

10 g de aveia em flocos
2 ml de essência
medidor, bastão de vidro, filme plástico...
Modo de fazer

Derreta a glicerina em banho-maria normalmente e acrescente a aveia, a essência e o corante. Mexa a mistura por aproximadamente 20 minutos até ficar consistente. Retire a mistura do medidor com o auxílio do bastão e vá modelando com as mãos. Depois polvilhe um pouco de aveia no sabonete e aguarde a secagem por 20 minutos.  Embale no filme plástico depois de 2 horas.
Sugestão è é vendê-lo numa cesta enfeitada com juta, palha e frutas desidratadas.

 

Sabonete em pétalas

Material
- 200 g de glicerina (ou base glicerinada) vermelha
- 6 ml de essência de sua preferência
- tubo de PVC
- ralador de legumes (lâmina reta)
Modo de fazer
Derreta a glicerina em uma panela esmaltada em fogo brando. Se preferir, utilize o microondas.
Separe a nata, que sempre se forma (é normal, não se preocupe).
Coloque a essência na glicerina derretida (ainda na panela) e misture.
Em um tubo de PVC, ponha o líquido (glicerina e essência). Preencha o recipiente quase por completo.
Deixe secar por 3 h.
Abra o tubo e retire a barra do sabonete.
Despreze as duas extremidades devido à por nata e corte a barra ao meio para facilitar o manuseio.
Com o ralador, corte o sabonete em tiras bem finas.
Quanto mais fino você conseguir ralar, mais bonito será o resultado.

 

Bombom de Banho

Material
- 100 g de manteiga de caca

- 125 g de bicarbonato de sódio, mais 20 g para usar no final
- 60 g de ácido cítrico
- 6 colheres de sopa de flocos de aveia
- 2 colheres de sopa de pétalas de calêndula
- 1 colher de sopa de sementes de papoula
- 10 ml de essência de calêndula
- 10 gramas de lauril em pó
- formas para bombom em formato oval
- luvas de borracha
Modo de fazer:
Comece derretendo a manteiga de cacau numa panela esmaltada.
Quando ela ficar bem líquida, desligue o fogo e deixe esfriar um pouco.
Ponha as luvas e, num recipiente de vidro, misture as 125 g de bicarbonato de sódio, a aveia, o ácido cítrico, o lauril, as sementes de papoula e as pétalas de calêndula.
Reserve um pouco das pétalas para decorar o sabonete.
Misture bem os ingredientes com as mãos, dissolvendo as bolinhas que se formam no bicarbonato. Despeje aos poucos a manteiga de cacau derretida. Mexa, coloque mais manteiga e misture novamente. No final, deixe um pouco da manteiga líquida para usar depois. Você vai mexendo até ficar igual à massa de fazer bolinho.
Acrescente a essência de calêndula e misture bem.
Agora é hora de fazer os bombons.
Coloque a massa nas forminhas e aperte com o dedo. Mas, atenção: não encha até em cima, porque a mistura do ácido cítrico com o bicarbonato vai fazer a massa crescer. Depois de preencher todas as forminhas, ponha na geladeira por 20 min.
Na hora de desenformar, pressione com cuidado o lado de baixo da forminha para que o sabonete saia sem quebrar. Passe o bombom de banho no bicarbonato de sódio que você reservou para o final da receita. Molhe um dos lados na manteiga de cacau e encoste nas pétalas de calêndula. Elas grudam naturalmente.
Deixe secar e embrulhe os bombons de banho com papel celofane transparente.

 

Sabonete sache hidratante para o banho

Material
- 40 g de manteiga de cacau
- 10 ml de óleo de girassol
- 10 ml de óleo de calêndula
- 2 gramas de lanet
- 5 ml de essência de calêndula
- pétalas de calêndula
Modo de fazer
Derreta a manteiga de cacau com o lanet e deixe esfriar.
Acrescente os óleos vegetais e a essência.
Coloque em fôrmas plásticas e leve à geladeira para ficar bem consistente.
Desenforme e coloque no tecido. Amarre com ráfia e embrulhe em papel celofane.
Dê acabamento com uma fita de cetim.

 

Sabonete para os pés

Este sabonete é anti transpirante, anti bactericida e fungicida. Refresca, perfuma e descansa os pés, ajudando a eliminar odores.

1 kg de base

15 ml de essência de limão

15 ml de essência de hortelã

10 ml de cloreto de benzalcônio

Dissolver à parte e misturar na base derretida:

2 gr de mentol dissolvido em 2 ml de álcool de cereais

3 gr de cânfora dissolvida em 2 ml de álcool de cereais

Corante a gosto.

 

Sabonete de Café e Menta

Este sabonete é ideal para lavar as mãos, tirando o odor de comida, temperos e cigarros.

NÃO SERVE PARA O CORPO

Material

1 kg de base

1 colher bem cheia de pó de café

30 ml de essência de menta ou hortelã

Misturar aos poucos a base no pó de café, mexendo lentamente. Cuidado para o pó não embolar. Colocar na forma

 

Sais efervescentes

1 xic (chá) de amido de milho (maizena)
1 xic (chá) de ácido cítrico
2 xic (chá) de bicarbonato
Água em um borrificador
gotas de essência e corante
Misturar os elementos secos (pode colocar 1 colher de sopa de lauril, se quiser espuma), e acrescentar o corante e a essência. Amassar com as mãos, borrifando água aos poucos, até fazer uma espécie de "liga" (não pode colocar muito, para não deixar todo o bicarbonato reagir e fazer bolhas). Colocar em forminhas de um dia para o outro. Desenformar e embalar. Para misturar e amassar, USEM LUVAS.

 

Sais de Banho líquidos

Material
- 200 g de sal fino
- 30 g de cloreto de magnésio
- 30 g de sulfato de magnésio
- 600 ml de água
- 10 ml de essência
- Anilina à base de água
- Lauril (a gosto)
Modo de preparo
Aqueça a água em 40 graus.
Adicione o cloreto de magnésio e o sal fino.
Mexa até dissolver.
Num recipiente à parte, misture o sulfato de magnésio, a essência, a anilina e o lauril a gosto. Mexa até ficar transparente.

 

Sais de banho

·         1 kg de cloreto de sódio fino ou grosso

·         100 g de lauril em pó

·         gotas de corante cosmético

·         100 g de sulfato de magnésio

·         10 ml de essência da sua preferência

·         1 colher de plástico

 

Como Fazer:

Coloque todos os ingredientes em um recipiente de plástico e mexa muito bem até que todos os    produtos se misturem por completo. Depois é só por em vidros apropriados.

 

  

Hidratante em barra

 

Material necessário
- 70 g de manteiga de cacau
- 30 g de manteiga de karité
- 100 g de cera de abelha em lâminas ou flocos
- 80 ml de óleo de damasco
- 10 ml de essência de karité ou damasco
- Forma de silicone ou forma de PVC do modelo que preferir

Modo de fazer
Você vai precisar de uma panela esmaltada e um fogareiro. Se você não tiver o fogareiro elétrico, pode usar o fogão convencional em temperatura branda, bem baixinho. Em primeiro lugar, coloque a manteiga de cacau e depois a manteiga de karité. Em seguida, coloque a cera de abelha. Deixe tudo derreter em temperatura baixa. Tem que derreter por completo, até virar um líquido. Deixe esfriar até atingir aproximadamente 35 graus. Para você saber se está na temperatura certa, é só colocar a mão na lateral da panela. Se você conseguir suportar a caloria , está em torno de 35 e 37 graus. Agora, coloque o óleo de damasco. Depois, a essência. Mexa bastante até ficar tudo muito bem misturado, sem deixar esfriar. Encha as forminhas. Depois de 40 minutos, já pode desenformar. As barrinhas ficam perfeitas. Ai, é só usar para hidratar as mãos e o corpo.

 

Sabonete líquido 1
Material

500 ml de base glicerinada líquida, 10 gotas de essência, 10 gotas de
extrato glicólico de mel, 4 gotas de corante laranja:
Modo de fazer

Misture tudo bem e despeje no vidro.
Sugestão:

p/peles secas: use corante amarelo e extrato de amêndoas,
p/peles oleosas: use corante verde e extrato de alecrim,
p/peles mista: use corante amarelo e extrato de camomila.

 

Sabonete líquido 2 
Material

100 ml de base p/xampu
300 ml de água deionizada
20 g de laurinon P
2 ml de essencia
2 ml de extrato glicólico
0,8 g de nipagin
Modo de fazer:

Aquecer um pouco da água deionizada com o nipagim até 45 ºC para dissolver
(em banho-maria) e retire do fogo. Adicionar o restante da água nesta mistura e em seguida adicionar os outros ingredientes, misture bem e acondicione num frasco com válvula.

 

Gel para banho
Pingue algumas gotas de anilina cosmética azul e ponha a base de gel
p/banho até 1/3 do vidro, depois ponha sementes de alfazema + 2 ou 3 gotas
de corante azul, preencha com o gel e ponha num vidro com válvula.

 

Sabonete para cães e gatos

Material

100 grs de glicerina
1 colher de sopa de xampu de ervas (qualquer)
¼ de colher de chá de vitamina E
¼ de colher de chá de glicerina líquida
2 gotas (de cada) de óleo essencial de citronela, limão e alecrim
Acrescente os  óleos essenciais somente quando a temperatura baixar para 50ºC.
Esta mistura de óleos essenciais é boa para repelir as pulgas.

A vitamina E  é para dar mais brilho e vida aos pêlos.


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Apostila de Sabonetes Artesanais - Parte 2

RECEITAS

 

Sabonetes caseiros - RECEITA BÁSICA

Ingredientes:
1 kg de base de glicerina para sabonetes (branca ou transparente)
Essência para sabonetes – 30 ml
Corante alimentício
Álcool de cereais

 

PARA 1KG DE GLICERINA USAR 30 ML DE ESSÊNCIA
Obs.: Algumas essências são mais fortes que outras, dependendo da qualidade. Procure dosar ao seu gosto, não sendo necessário seguir a risca a quantidade especificada acima.

Colocar a quantidade de corante necessária até atingir a cor de sua preferência.

 

Material:
Formas de silicone, plástico ou qualquer material que seja maleável.
Copos graduados ( para uso no microondas)
Colheres plásticas descartáveis ou bastão de vidro.
Panela de ágata (se for derreter em banho-maria)

NUNCA USAR METAL OU ALUMÍNIO
Borrifador para o álcool de cereais

 

Modo de Fazer:
Pique a glicerina em pedaços pequenos.
No microondas:

Coloque no copo graduado e leve ao microondas em potência alta. O tempo será determinado pela quantidade que você for utilizar. Por exemplo, para cada 100 gr de glicerina, coloque 15 segundos, abra o microondas e verifique se já está liquida. Se necessário, vá colocando mais 10 segundos por vez, até atingir o ponto.
Importante: Não deixe ferver pois a glicerina perde a transparência.

Ou deixe em banho-maria na panela de ágata até derreter a glicerina.

Não deixe a temperatura da água muito quente, para evitar que a glicerina ferva.


Retire do forno, coloque o corante aos poucos até atingir a cor desejada.
Espere esfriar um pouco, até formar uma nata fina em cima de glicerina. Caso não faça isso a essência e o extrato (se estiver usando) irá evaporar e seu sabonete não ficará perfumado.

 

Adicione a essência e mexa com o bastão de vidro. Evite mexer muito pois poderá fazer espuma. Borrife com álcool de cereais para retira-la (se necessário).

Segure com o bastão de vidro a película que se forma e despeje o líquido na forma escolhida.
Espere secar por mais ou menos 30 minutos (depende da quantidade utilizada) e desenforme.

Se necessário retire as rebarbas com uma faca sem serra.

Para decoração, no caso dos sabonetes em formato de doces, derreta 10 gr de glicerina, espere esfriar um pouco e jogue aos poucos sobre o sabonete já desenformado, dando a forma de calda escorrida.


Espere umas duas horas antes de embrulhar os sabonetes.
Coloque em cestinhas, caixas ou sacos de celofane.

Dicas:

1- Procure combinar os corantes com as essências, pois fica mais fácil na hora de identificar. Por exemplo:

Azul: Jaborandi ou Algas Marinhas
Vermelho: Rosas ou Ylang-Ylang
Amarelo: Camomila ou Maracujá
Laranja: Flor de laranjeira ou Pêssego
Verde: Maçã Verde ou Erva Cidreira
Rosa: Baby ou Mamy
Lilás: Jasmim

2- Não coloque os sabonetes para secar na geladeira ou ao vento, pois a base transpirará.

3- Evite deixar cair a nata que se formou no derretimento , segurando com uma colher. Assim o sabonete ficará mais liso.

4- Ao enformar os sabonetes, borrife mais um pouco de álcool de cereais para retirar a espuma que se formou e evitar a formação de bolhas. Se a espuma não sair, retire com auxilio de uma faca. A película que se forma, não é necessário tirar, pois logo se formará outra.

5- A espuma ou a camada esbranquiçada que se forma, não deve ser reaproveitada.
Já as rebarbas ou sabonetes que não ficaram ao seu gosto, podem ser manipulados novamente.

6- Não utilize materiais de alumínio ou teflon, pois pode oxidar e alterar a cor dos sabonetes, além causar alergias.

7- Não tenha pressa em desenformar os sabonetes. Se eles não estiverem bem rígidos, seu trabalho pode ficar comprometido. Mas se alguma coisa der errado, não se aborreça e comece novamente reaproveitando a peça comprometida.

8- Use sua criatividade na hora de escolher as formas. Até o fundo de uma garrafa de refrigerante descartável dará um belo sabonete massageador. Procure no meio dos brinquedos das crianças ou em lojas de artigos culinários que com certeza você encontrará muitas idéias diferentes.

9- Você pode usar formas de acetato (aquelas usadas para chocolate) que são bem mais baratas que as de silicone. Porém elas têm um tempo de uso pequeno (no máximo 8 vezes) e as de silicone são de uso indeterminado e bem mais fáceis de desenformar.

 


 

RECEITAS SIMPLES

 

Sabonete facial
Este sabonete é ideal para a higiene do rosto, indicado para peles delicadas e sensíveis.

Para 1 kg de base glicerinada branca
10 ml óleo de jojoba
20 ml de extrato de calêndula

5 ml de essência de calêndula
1 colher de chá de mel

 

Sabonete com Leite de Cabras
Para 1 Kg de base para sabonete glicerinada Branca
80 ml de leite de cabras
25 ml de essência de sua preferência

 

Sabonete de Manteiga de Karité
Para 1 Kg de Base para sabonete glicerinada branca
4 colheres de sopa de manteiga de karité
20 gotas de óleo essencial de sua escolha (sugerimos o de laranja)

 

Sabonete esfoliante com bucha

- 1/2 kg de glicerina
- 15 ml de essência, a que você escolher
- 1 fôrma para sabonete que caiba a o pedaço de bucha
- Bucha vegetal
Modo de fazer

Corte a bucha vegetal do tamanho da fôrma.
Pique a barra de glicerina. Leve ao fogo, em banho-maria, para derreter.
Tire as sementes e encaixe as buchas na fôrma.
Quando a glicerina estiver toda derretida, tire a panela do fogo.
Despeje a glicerina na fôrma.
Use uma colher de pau para segurar as buchinhas no lugar.
Deixe secar durante 1 hora.
Depois, corte as sobras das buchas e alise a superfície com uma espátula.
Você pode aproveitar a própria glicerina que sobrou nos cantinhos.

 

RECEITAS MAIS ELABORADAS

 

Sabonete de Mel e Argila Branca

Para 1 Kg. de base transparente
3 Colheres de Sopa de Mel
15 ml de Óleo de Amêndoas Doces
2 Colheres de Sopa de Argila Branca
25 ml de Essência de Laranja 

ou sugerimos 20 ml de laranja + 5 ml de baunilha.

Misture o mel, a argila, o óleo e faça uma pasta. Após derreter a glicerina, acrescente esta pasta, adicione a essência e coloque na fôrma. Se quiser, acrescente corante à seu gosto.

 

Sabonete de extrato de pepino e alecrim

É indicado para manter o brilho da pele, além de tonificante e prevenir rugas.

Material
1kg de glicerina incolor ou branca
30 ml de extrato de pepino
30 ml de extrato de alecrim
30 ml de essência de lavanda ou alecrim
Erva de alecrim (opcional)

 

Modo de fazer
Derreta a glicerina em banho-maria e deixe esfriar durante 8 minutos (até formar uma nata em cima)
Misture os extratos com a essência, misture bem antes de
acrescentar à glicerina
Coloque na glicerina e misture bem.
Acrescente o alecrim na glicerina e mexa
Coloque na forma, deixe secar bem (cerca de 2 horas).

 

Sabonete de leite de cabra com amêndoas ou damasco

É apropriado para qualquer tipo de pele, pois é hidratante, umectante, esfoliante e possui Ph neutro.

Material

1 kg de glicerina branca

50 ml de extrato de leite de cabra

30 ml de essência de sua preferência (a indicação são os mais adocicados, como o de algas, para "encobrir" o cheiro do leite de cabra, que é bastante forte e desagradável)

300 gr de amêndoas torradas ou damasco (seco) triturado

Modo de fazer

Derreta a glicerina e deixe esfriar por 5 minutos

Em um recipiente misture o extrato e a essência. Coloque na glicerina.

Coloque as amêndoas ou damasco e mexa devagar

Coloque na forma (de preferência de silicone, pois demora mais para secar). Desenforme após duas horas.

 

Sabonete de chocolate

Ideal para amaciar a pele

Material: 300 g de base de glicerina leitosa, 9 ml de essência de chocolate, 2 colheres de sopa de chocolate em pó, 2 colheres de sopa de leite em pó, corante alimentício à base de água na cor marrom

Modo de fazer:

Picar a base de glicerina,

Por na panela com a metade da base picada em banho-maria quando a água já estiver fervendo, tirar do fogo quando a base já estiver totalmente derretida sem balançar muito a panela,

Borrifar álcool de cereais para baixar a espuma e acelerar o procedimento de secagem,

Colocar gotas do corante em um copo descartável (quando menos corante mais claro o sabonete ficará),

Misturar o chocolate em pó, depois por apenas uma colher de leite em pó e misturar,

Pegue a base derretida, se houver nata retire-a com o bastão de vidro, e acrescente metade desta base à mistura de chocolate, leite e corante,

Mexa com o bastão de vidro, se houver espuma borrife mais um pouco de álcool de cereais,

Medir no Becker, 5 ml de essência (reservar o restante para a segunda parte do sabonete),

Juntar aos outros ingredientes e misture tudo com o bastão de vidro,

Despejar nas formas de silicone, não encher completamente, pois o sabonete será completado com a segunda parte. Aguardar a secagem, até o ponto de gelatina,

Repetir o processo (do banho-maria) para derreter a outra metade da base já picada

Juntar a essência ao leite em pó que foi reservado,

Logo após, hidrate o leite em pó na base quase fria,

Borrife com o álcool de cereais e mexa,

Complete as formas (retire a nata com a ponta de uma faca) que foram preenchidas com a base de chocolate e deixe secar naturalmente até endurecer completamente.

 

Sabonete de tangerina com feito mesclado

Material:
200 g de base de glicerina transparente,
20 g de base de glicerina verde,
3 ml de essência de tangerina,
forma de silicone com formato de tangerina,
álcool de cereais, medidores, espátula, panela esmaltada e faca
Modo de fazer:

Em panelas diferentes derreta as glicerinas em banho-maria, coloque as glicerinas derretidas em copos descartáveis separados e acrescente a essência de tangerina misturando bem. Despeje a glicerina laranja no molde de silicone, em seguida despeje lentamente a glicerina verde com movimentos circulares, aguarde secar por 3 horas e retire da forma.

 

Sabonete de hamamelis e confrei

É ideal para pele oleosa e mista ou com acne. É adstringente e refrescante. Limpa e remove células mortas, além de retirar a oleosidade.

Material

1 kg de glicerina incolor

20 ml de extrato de confrei

20 ml de extrato de hammelis

20 ml de essência de sua preferência (o ideal são as cítricas, tipo, limão, cidreira, capim santo, flor de laranjeira)

Modo de fazer

Derreta a glicerina. Espere esfriar por 5 minutos

Misture os extratos. Coloque na glicerina. Mexa bem.

Por último, acrescente a essência e misture bem.

Deixe secar por 2 hora.

 

Sabonete de argila verde com  extrato de hamamelis

Material

1 kg de glicerina incolor ou branca

50 gr de argila verde

40 ml de extrato de hamamelis

15 ml de essência de sua preferência

Modo de fazer

Derreta a glicerina. Deixei esfriar por três minutos

Misture o extrato e a essência. Mexa bem e acrescente à glicerina. Misture bem para unir os ingredientes.

À parte, em um recipiente de plástico ou cerâmica, dissolva em um pouco de glicerina a argila e acrescente à glicerina. Misture bem e coloque na forma. Deixe secar por uma hora

 

Sabonete de aveia, gergelim e calêndula

Tem efeito cicatrizante. É esfoliante, limpa e hidrata. É ideal para peles mistas

Material

1 kg de glicerina incolor

25 ml de extrato de calêndula

20 ml de essência de calêndula

20 gr de semente de gergelim

Modo de fazer

Derreta a glicerina e deixe esfriar por 5 minutos

Misture o extrato e a essência. Misture bem, acrescente na glicerina e mexa novamente. Por último acrescente o gergelim.

Dica: verifique se o gergelim não está úmido. Guarde em lugar seco e protegido.

 

Sabonete de aveia com extrato de germe de trigo

É revitalizante. Nutre, regenera e dá elasticidade à pele. Previne ressecamento e rugas.

Material

1 kg de glicerina incolor ou branca

35 ml de extrato de aveia ou duas colheres (sobremesa rasa) de aveia em flocos

35 ml de extrato de germe de trigo

20 ml de essência de sua preferência

Corante é opcional

Modo de fazer

Derreta a glicerina. Em seguida, coloque a aveia em flocos e mexa bem.

Misture os extratos e a essência. Mexa bem para unir os componentes e acrescente à glicerina.

Coloque na forma e deixe secar por 1 hora. Embale somente 2 horas depois.

 

Sabonete de argila verde com centella asiática e hera

A argila verde junto com a centella asiática e hera tem efeito anticelulite e flacidez.

Material

1 kg de glicerina incolor ou branca

30 ml de extrato de centella asiática

30 ml de hera ou castanha da índia

25 ml de essência

50 gr de argila verde medicinal

Modo de fazer

Derreta a glicerina e deixe esfriar por 5 minutos

Em um recipiente plástico coloque a argila com um pouco de glicerina para dissolvê-la. Coloque na massa de glicerina derretida

Misture os extratos e a essência e acrescente à glicerina

Despeje nas formas e deixe secar por uma hora

 

Sabonete de própolis para acne

O própolis é um antibiótico natural, de ação bactericida. A união do própolis com calêndula,

que é cicatrizante, proporciona à pele com acne cicatrização mais rápida.

É recomendado usar três vezes ao dia.

Material

1 kg de glicerina branca ou incolor

30 ml de própolis

10 ml extrato de calêndula ou camomila

20 ml de essência de sua preferência

Corante é opcional

10 gr de calêndula, também opcional

30 gr de enxofre farmacêutico

Modo de fazer

Derreta a glicerina e, assim que tirar do fogo, coloque a calêndula. Deixe esfriar por 5 minutos.

Depois, acrescente o própolis e o extrato misturados e despeje na glicerina.

O enxofre deve ser dissolvido com um pouco de glicerina e adicionado na massa de glicerina. Despeje na forma e deixe secar por duas horas. Depois, deixe o sabonete curar. Embale após duas horas.


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Apostila de Sabonetes Artesanais - Parte 1

Passo a Passo

 

Passo 1: Pese a quantidade  de base glicerinada necessária para a receita, corte em pedaços pequenos e coloque tudo dentro de uma panelinha esmaltada ( de ágata) ou inox e coloque em banho Maria para derreter.

Dica:  Nunca utilize recipientes de alumínio. Não deixe aquecer mais do que 70ºC, para não "queimar" a base, isto pode acarretar problemas no sabonete tais como aroma desagradável ou sabonetes que suam ou ficam constantemente molhados.
Se a quantidade for pequena o suficiente para 1 ou 2 sabonetes pequenos, você pode derretê-los no microondas colocando em pote de plástico próprio para microondas. ( Inicie colocando em intervalos de 15 segundos( varia conforme o aparelho).  Derreta a glicerina por completo.
Passo 2: Enquanto derrete a glicerina ou mesmo antes , separe os ingredientes que serão utilizados e tudo a mão: os aditivos,corantes, essências e fôrmas.
Passo 3: deixe amornar um pouco, mas não o suficiente para começar a endurecer, com o tempo você vai pegando prática, mesmo porque, este ponto  varia conforme a base e o fabricante. Adicione os aditivos como extratos líquidos e óleos vegetais, também as manteigas de cacau ou cera de abelha previamente derretidas em recipiente separado.
Passo 4: Adicione o corante líquido, que pode ser alimentício ( estes tendem a desbotar mais rápido) ou os  próprios para sabonetes à base de água.
Dica: lembre-se de que alguns extratos dão côr e conforme o corante que se utiliza pode dar um resultado diferente daquela esperada.
Passo 5: Adicione essência própria para sabonete, a proporção geralmente é de 25ml para cada Quilo de Base, esta proporção varia para mais ou para menos conforme a essência escolhida, o fabricante e seu gosto. Mexa lentamente para não formar muita espuma.
Dica: Não utilize essência para velas porque não são essências aprovadas para uso na pele. Não coloque a essência com a glicerina muito quente, pois, com o calor a essência tende a evaporar e se dissipar, pois elas contém elevado teor alcoólico, o mesmo ocorre com os extratos glicólicos.
Passo 6: Derrame nas forminhas, caso se formem bolhas, você pode dissipá-las borrifando um pouco de álcool de cereais. Aguarde o endurecimento.(em torno de 20 minutos para as forminhas pequenas).
Dica: Evite um local com muita corrente de ar para fazer seus sabonetes, não os coloque na geladeira para acelerar o endurecimento, sabonetes não são como gelatina que endurecem com o frio, eles endurecem pelo processo da massa mesmo. O que você pode fazer é colocá-los na geladeira após seu endurecimento por uns 20 min. ou meia hora para facilitar sua retirada do molde, caso isto não esteja acontecendo com facilidade.
Passo 7: Embale os em filme de PVC.
Dica: No caso de se formarem algumas bolhas de ar entre o filme e o sabonete, compromentendo seu acabamento, fure o filme de PVC com a pontinha de uma agulha e passe um pano expulsando a bolha, cuidado para não forçar e marcar o sabonete.
Passo 8: Coloque todos os utensílios de molho em água quente de preferência. Mantenha seus utensílios sempre limpos. Guarde a base sempre bem embrulhada em plástico para que esta não se desidrate.

 

Para comercializar seus produtos sempre coloque a data de fabricação e o prazo de validade, além dos elementos que os compõem.

 

Dicas e Truques

 

Para facilitar a remoção do sabonete da fôrma e conservar...
As formas de acetato duram por mais tempo, se você , antes de retirar da fôrma, colocá-los no freezer por uns 30 min, (forma pequena), os sabonetes se desenformarão com mais facilidade sem ter que ficar apertando e entortando as fôrmas, conservando-as por mais tempo.

Para utilizar sementes de linhaça e amêndoas doces cruas no sabonete você deve desidratar.

Faça da seguinte forma:

Ligue o forno em fogo alto e deixe aquecendo por 10 minutos. Espalhe em uma assadeira as sementes e amêndoas , coloque a assadeira no forno e desligue, deixe-as até que o forno esfrie completamente. Feito isso, coloque-as no liquidificador e processe até que fiquem na granulagem que deseja, guarde em potes herméticos e conserve em local fresco.

Medidas e Equivalências

1 colher sopa = 15 ml

1 colher chá   = 5 ml

1/2 colher chá = 2,5 ml

1/4 colher chá = 1,25 ml

3 colheres chá = 1 colher sopa

88 gotas = 1 colher chá (varia conforme a substância)

O que você deve observar antes de  comprar a base glicerinada:

Existem no mercado algumas variedades de bases glicerinadas, muitas delas têm melhorado bastante em qualidade frente a um mercado de consumidoras cada vez mais exigentes, mesmo assim seja bastante criteriosa ao escolher e procure observar :

·         Uma boa base glicerinada é aquela que não produz odor desagradável, muitas que contém em sua composição gordura animal e outros ingredientes de má qualidade, tendem a apresentar este inconveniente.

·         Outra coisa a observar nas bases transparentes é se a base apresenta flocos ou tufos foscos ou esbranquiçados, estas bases tendem a não dar boa transparência no sabonete, por isso, escolha aqueles de cor uniforme.

·         Dispense também aquelas que estiverem úmidas e apresentam inclusive manchas de molhado no rótulo que normalmente é de papel, ou, que você perceba estarem muito úmidas ao contato, elas produzirão um sabonete mole demais.

Também aquelas com forte cheiro de álcool, caso isto ocorra reclame e peça a troca. Com o tempo você irá conhecendo as marcas existentes e as características de cada uma, até que possa eleger uma de sua preferência.

Mistura de Cores

 

ARGILAS

 

Propriedades

As argilas são muito indicadas para produtos cosméticos devido a sua estrutura e seu elevado conteúdo de sais minerais. Elas são naturalmente cicatrizantes, absorventes, estimulantes e ativadoras das funções imunológicas. As diferentes cores existentes são devido à variação dos compostos minerais.

 

EXTRATOS

Os Extratos são substâncias que são obtidas por maceração, infusão, decocção ou mais freqüentemente, por percolação (através de um aparelho chamado percolador) da planta mediante um solvente  (água, álcool, éter) e sucessiva evaporação parcial ou total do próprio solvente. Os extratos glicólicos são os mais utilizados para uso em sabonetes e produtos de perfumaria.

 

ÓLEOS ESSENCIAIS

Os óleos essenciais são substâncias gordurosas que concentram vitaminas, hormônios, anti-sépticos e um complexo de compostos vegetais, ou de resinas e que desempenham um papel importante na bioquímica da planta. Além de odoríferos são altamente voláteis com consistência mais aquosa que os óleos convencionais, muito sensíveis ao ar, luz, calor e umidade e para preservar suas qualidades terapêuticas, devem ser mantidos em vidro ambâr, bem fechados. São extraídas das flores, folhas, raízes, cascas, frutos e das sementes, através de processos variados e sua utilização com finalidade terapêutica é conhecida como Aromaterapia. Atualmente suas propriedades terapêuticas têm sido muito difundidas embora muitos deles tenham preços proibitivos.  Aconselho a você que não tenha conhecimento sobre os óleos essenciais, que procure um bom livro para informar-se sobre as características e efeitos de cada óleo que se pretenda usar, pois muitos podem ser perigosos para alguns tipos de pessoas, como os cardíacos ou as grávidas. Óleos essenciais são extremamente fortes. Você pode fazer uso de alguns deles nos sabonetes, desde que respeite suas indicações e contra indicações, sendo bastante criterioso. Seu uso na pele deve ser feito, somente após diluição em óleo carreador de boa procedência.

ESSÊNCIAS

As essências são compostas por óleos essenciais e outras essências sintéticas produzidas em laboratórios que buscam reproduzir de forma mais barata alguns aromas, devido ao alto custo dos óleos essenciais puros, também buscam recriar aromas sofisticados para o ramo da perfumaria. Nestas ao contrário dos óleos essenciais puros não se encontram propriedades terapêuticas. Sua função é unicamente aromatizante. Não utilize essência para velas, aromatizadores ou produtos de limpeza, porque não são essências elaboradas para uso na pele.


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Como realizar desejos - Parte 7

COMO VIAJAR NO TEMPO E/OU PELO ESPAÇO SIDERAL
 
Formas de atingir o objetivo:
Existem  algumas  formas  fáceis  de  se  atingir  estes  objetivos,  que
seriam através da literatura e do cinema. Basta ler um livro de história,
um épico ou um livro de ficção-científica – ou assistir um filme – para
viajar no tempo e até pelo espaço.
Futuramente, a tecnologia poderá levar sondas-robôs para explorar
planetas distantes, que terão qualidade visual estereoscópica, e que farão
com  que  a  pessoa  possa  se  sentir  presente  na  exploração.  Hoje  já  é
possível simular viagens virtuais em computadores.
Visitar lugares  históricos,  museus e participar de festas folclóricas
ou à fantasia, também estão ao nosso alcance.
 

COMO SE TORNAR ETERNO
 
RECEITA PARA SER ETERNO
PLANTAR UMA ÁRVORE - Quem planta uma árvore perpetua a
vida  e  a  natureza,  pois  a  árvore  continua  a  purificar  o  ar,  dar  sombra,
alimento e abrigo. A árvore é a continuação da vida.
FAZER  AMIGOS  -  Nossa  convivência  com  as  pessoas  nos  torna
parte delas e nos faz permanecer vivos na lembrança de nossos amigos.
CRIAR  UM  FILHO  -  Criar  um  filho  (mesmo  que  seja  adotado)
significa ensinar a viver, e passar a ele toda a nossa experiência de vida,
que vai permanecer sempre em nossos descendentes.
ESCREVER  UM  LIVRO  -  Nossas idéias  e  ensinamentos escritos
poderão  chegar  mais  longe  e  permanecer  no  tempo,  mantendo  vivo
nosso pensamento.
SER  ARTISTA  - Os  artistas  se  vão,  mas  as artes  permanecem. E
estas são parte do mesmo e da evolução da humanidade.
FAZER  HISTÓRIA  -  As  atitudes  de  pessoas  corajosas,  que
ousaram  desafiar  a  acomodação  e  escrever  o  destino  do  seu  tempo,
melhorando  a  vida  de  seus  semelhantes,  estas  não  serão  esquecidas
jamais, e permanecerão vivas nas páginas de nossa história.
 
PENSAMENTOS
 
O amanhã é eterno.
Cada dia traz em si a eternidade.
(Paulo Coelho)
 
Procedo como se fosse eterno, mas estou sempre pronto para morrer.
(Júlio Cesar)
 
Há mortos que não sabem que estão mortos. Mas, pior são os vivos que
não sabem que estão vivos. 
(Mário Quintana)


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Como realizar desejos - Parte 6

COMO SE LIBERTAR DO VÍCIO DO CIGARRO
1. Conscientize-se  dos  males  do  cigarro  como:  ser  um  doente  em
potencial,  ser considerado um escravo do vício, ter um envelhecimento
precoce, uma morte prematura, etc.; e dos benefícios em parar de fumar
como:  ter  mais  fôlego  e  saúde,  ter  uma  vida  sexual  melhor,  saborear
mais os alimentos, sentir melhor os perfumes, economizar dinheiro, etc.
2. Conscientize-se das dificuldades que terá, e mesmo assim se arme
de coragem e coloque na sua cabeça que você pode; que você é superior
ao vício; que você não é escravo; que é você que manda na sua vontade.
Encare como um desafio que só depende de você. Qualquer idiota pode
começar a fumar, mas tem que ser muito forte para derrotar uma das
drogas que mais vicia os seus usuários.
3. Depois que estiver decidido a acabar com o vício, programe uma
estratégia definindo uma data para começar a luta.
4. Diminua  o  consumo  gradativamente.  Fume  só  quando  não
agüentar mais e amplie cada vez mais seu tempo de abstinência. Se não
estiver  funcionando,  radicalize  e  pare  de  vez.  Se  a  vontade  for  muito
grande, lembre-se de que é você que manda na sua vontade. Tome água
e respire fundo cada vez que tiver muita vontade de fumar.
5. Tire da sua frente tudo que lembrar cigarros, como o cafezinho ou
a cerveja. Evite os fumantes, busque novas relações de amizade. Espalhe
para seus amigos não-fumantes, ou ex-fumantes, que você está parando
de  fumar.  Certamente  eles  lhe  darão  total  apoio.  Se  alguém  duvidar;
aposte que você consegue.
6. Comemore  o  primeiro  dia  sem  fumar,  a  primeira  semana,  o
primeiro  mês...  Lembre-se  sempre  que  parar  de  fumar  não  é  para
qualquer um.
7. Mude de hábitos e encontre substitutos saudáveis para o cigarro,
como: hobbies, praticar esportes, fazer exercícios, caminhadas, etc.
8. Fale com um médico ou psicólogo, se precisar de uma ajuda mais
especializada.
 
Se  você  tiver  uma  recaída,  não  perca  a  esperança,  recomece tudo
outra vez com mais vontade.
Não  vai  ser  fácil,  mas  se  você  tiver  coragem  e  determinação,
você consegue.
 
EVITE O STRESS
-  Faça as coisas com calma.
-  Lembre-se que poucas coisas são realmente urgentes.
-  Evite correrias, planeje as coisas com antecedência.
-  Programe-se para não se atrasar em nada.
-  Controle suas emoções e não se irrite por qualquer coisa.
-  Quando estiver para perder a calma; respire fundo e conte até dez.
-  Evite coisas que lhe tragam preocupações, como: negócios incertos,
muito trabalho em pouco tempo, dívidas, contas (principalmente as
muito prolongadas) ...
-  De  vez  em  quando  faça  uma  pausa  no  trabalho  para  um
alongamento, andar um pouco, tomar um ar, olhar a janela, ...
-  Evite ambientes com ruídos. Reduza os ruídos de seu ambiente de
trabalho.  A  música  ajuda  a  melhorar  o  ambiente,  escolha  uma
música instrumental suave para trabalhar.
-  Saia da rotina. Dê uma caminhada, assista uma comédia no vídeo,
escute um pouco de música, etc.
 
 Com  o  passar  dos  anos  você  acumula  patrimônio,  amizades,
amores,  conhecimento,  experiências,  histórias  ...  E  tem  gente  que  se
preocupa com a idade. Deveria se  preocupar em aproveitar o tempo ao
invés de brigar com ele.
 
Tem gente preocupada em adicionar mais anos na sua vida; quando
deveriam se preocupar em adicionar mais vida a seus anos.

COMO ALCANÇAR A PAZ MUNDIAL E
REDUZIR A VIOLÊNCIA NO MUNDO
 
Formas de atingir o objetivo:
Procure grupos pacifistas e/ou que tratem de problemas sociais – na
internet,  você  poderá  encontrar  muitos  –  e  participe  ativamente  dos
mesmos. Um site que trata deste, além de outros problemas sociais é o:
www.ProjetoUtopiaReal.hpg.com.br.
Você  também  poderá  conseguir  mais  informações  sobre  este  site
através do E-Mail: projetoutopia@bol.com.br
Você poderá, ainda, criar um grupo em sua cidade – caso não tenha
nenhum – ou participar de algum grupo que já esteja em atividade.
 
Preço para atingir o objetivo:
Talvez não seja tão grande. Mas se você quiser se dedicar muito a
causa,  vai  precisar  de  algum  tempo  livre.  Também  poderá  gastar  com
viagens, para participar de encontros, etc., mas isso é opcional.
 
Necessidade de atingir o objetivo:
Com certeza seria bem melhor de se viver num mundo sem guerras
e  sem  violência.  Até  porque  os  problemas  sociais  e  mundiais  têm  um
custo  enorme  para  a  sociedade.  Quando  estes  forem  resolvidos,  ou
minimizados, haverá muito mais dinheiro para se gastar em artes, cultura
e lazer.

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Como realizar desejos - Parte 5

Como conquistar uma mulher:
Geralmente  as  mulheres  se  interessam  por  homens  bem  educados
(cavalheiros), que tenham um corpo atlético, que tenham carro, um bom
emprego,  ou  boas  perspectivas  de  vida  –  procure  desenvolver  estas
qualidades.
Mulheres  gostam  de  presentes  românticos  como:  cartões,  flores,
perfumes, lingeries, jóias, etc. Não perca oportunidades de presentear.
 
Como conquistar um homem:
Homens  gostam  de  mulheres  bonitas  e  sensuais  –  procure
desenvolver  estas  qualidades.  Seja  o  mais  sensual  possível  com  o  seu
alvo;  use  roupas  provocantes  quando  estiver  só  com  ele,  mas  tome
cuidado  quando  estiver  em  lugar  público  –  você  pode  ser  rotulada  de
"mulher fácil", ganhar a atenção de muitos e perder o respeito de quem
lhe interessa.
Valorize o trabalho e as ambições dele. Diga que se sente protegida
ao seu lado.
 
Preço para atingir o objetivo:
Para conquistar uma pessoa você terá que fazer algum esforço, que
poderá ser pequeno ou enorme – de acordo com as circunstâncias. Mas o
pior de  tudo é  saber  que você  fez  um grande  esforço para  conseguir  o
amor  de uma pessoa e depois descobrir que não era bem isso que você
queria. Por isso não se deixe iludir por paixões descartáveis.
 
Alternativas para atingir o objetivo:
Na maioria dos casos não é nada fácil se aproximar da pessoa que
desejamos  e  também  é  necessário  muito  tempo  de  dedicação  e
investimentos financeiros até chegar a uma conclusão de que vale a pena
casar com  uma  pessoa.  Muitas  pessoas  descobrem isso  anos  depois de
casados e acabam se separando. Para facilitar a sua vida e reduzir as suas
possibilidades de erro existem as agências de casamentos. Mas entre elas
existem poucas que desenvolvem um trabalho eficiente. Nós sugerimos
o Clube do Amor e da Amizade (E-Mail: amizade@plugnet.psi.br), mas
se  você  quiser  procurar  outras,  fique  à  vontade.  Outra  vantagem  das
agências de casamento é que você nem precisa ter alguém em vista que
elas indicam várias opções para você escolher.
 

COMO TER MUITOS AMIGOS:
 
Formas de atingir o objetivo:
Para  conquistar  a  amizade  de  muitas  pessoas,  em  primeiro  lugar
você  deverá  investir  em  você  mesmo.  Leia  livros  de  autoajuda,
autoconhecimento,  relações humanas, etc. Recomendo o  livro A Busca
da Felicidade Através das Relações Humanas – que eu mesmo escrevi –,
ele  é  uma  coletânea  de  diversos  livros  que  tratam  destes  assuntos.
Procure uma cópia na biblioteca pública mais próxima (que é de graça) e
não deixe de ler!
 
Procure  fazer  contato  com  o  maior  número  de  pessoas  possíveis,
mas sempre observando o potencial de interesses que ambos possam ter.
Antes  de  procurar  novos  amigos,  através  de  novos  contatos, você
poderá definir o que procura nas outras pessoas. Por exemplo: se procura
companheiros para jogar vôlei, então você poderá procurá-los próximos
a  uma  quadra  de  vôlei;  se  procura  alguém  para  sair  à  noite,
provavelmente vai encontrá-lo em barzinhos e boates.
Procure conversar com pessoas que tenham assuntos interessantes e
fazer coisas com quem gosta do que você  gosta.
Promova e incentive festas e reuniões. É bem mais fácil você fazer
contato com as  pessoas num encontro  social do  que ir na  casa de cada
uma.
 
Preço para atingir o objetivo:
Antes de pensar em ter amigos verdadeiros, você deverá ser amigo
de  verdade.  Este  é  o  "preço"  dos  relacionamentos.  Também  terá  que
abandonar seus comportamentos negativos (egoísmo, individualismo, ...)
e  buscar  oferecer  qualidades  (companheirismo,  lealdade,  ...)  para  as
pessoas que lhe interessam.
Para  ter  muitos  amigos  você  vai  precisar  de  tempo  disponível.
Jamais  alegue  nunca  ter  tempo  para  os  amigos.  Tempo  pode  ser  uma
questão  de  prioridade  e  organização.  Defina  suas  prioridades  e  se
organize que você aproveitará melhor seu tempo. (Veja o capítulo sobre
COMO AMPLIAR SEU TEMPO)
 
Se  você  quer  ser  amigo  e  principalmente  companheiro,  esteja
sempre disponível.
 
Alternativas para atingir o objetivo:
Alguns  grupos  sociais  existem  para  facilitar  estes  contatos,  como
por  exemplo:  grupos  de  dança,  clubes  esportivos,  clubes  de  camping,
clubes sociais etc. Procure estes grupos e ajude a mantê-los ativos, pois
eles  facilitam  muito  os  contatos  sociais.  Uma  boa  dica  é  o  Clube  da
Amizade. Peça mais informações pelo E-Mail: amizade@plugnet.psi.br
 
Lembre-se  que  também  é  sua  a  responsabilidade  de  participar  e
ajudar a manter estas iniciativas, ou até criar um novo grupo.
 
Você ainda poderá participar de vários grupos diferentes, desde que
tenha  disponibilidade  de  tempo  para  todos.  Só  não  se  feche  no  seu
quarto esperando  que  as pessoas  lhe procurem;  saia  para a  vida  e faça
sua própria história.

COMO FICAR MAIS JOVEM:
 
Existem três formas de considerar a idade de uma pessoa, que são:
- Idade Cronológica: Relativa a data de nascimento. É o tempo de
vida que a pessoa tem.
-  Idade  Biológica:  Relativa  ao  desenvolvimento  orgânico.    É  a
idade que a pessoa aparenta. Informe-se sobre boa alimentação, cuidados
com  a  saúde  e  faça  exercícios,  que  você  poderá  rejuvenescer  muitos
anos. As tecnologias e as cirurgias na área estética, também avançaram
bastante,  e  você  poderá  desfrutar  destes  avanços  –  se  puder  pagar  o
preço.
- Idade  Mental: Relativa  a experiência  de vida  e o conhecimento
adquirido.    Quanto  mais  experiência  de  vida  e  mais  conhecimento  a
pessoa  tem,  maior  é  a  idade  mental  e  mais  qualidade  de  vida  ela
desfruta. Não esqueça de aproveitar a vida! Esta também é uma atitude
jovem. Você pode ser muito jovem em suas atitudes – mesmo que tenha
100 anos.
 
SER JOVEM É ...
Ter disposição de viver.
Admirar a beleza e a liberdade.
Querer sempre coisas novas.
Não se acomodar.
Lutar para realizar seus sonhos.
Não desistir por ser difícil.
Lutar por um mundo melhor.
Querer aprender sempre mais.
Ter a humildade do eterno aprendiz.
Querer acertar.
Saber que tem potencial.
Ter coragem e prudência.
Fazer mais do que falar.
Ser otimista e entusiasta.
Ter espírito de aventura e gosto pelos desafios.

Saber se divertir e aproveitar a vida.
 
Ser jovem tem muito mais a ver com atitude do que com idade.
Liberte o jovem que existe dentro de você!
 
Mantendo seu espírito jovem, você será eternamente jovem.
 
O segredo  para ser e  permanecer sempre jovem, mesmo quando  o
peso dos anos castiga o corpo, é ter uma causa a que dedicar a vida.
(Dom Hélder Câmara)
 
DICAS PARA TER UMA VIDA SAUDÁVEL
Alimente-se  bem:  abuse  de  frutas,  verduras  e  legumes,  evite  a
gordura  e  doces  em  excesso.  Cuidando  bem  da  alimentação,  você
combate tanto a desnutrição quanto a obesidade. Uma dieta equilibrada
também  diminui o colesterol, ajuda  no combate à hipertensão e evita a
carência de ferro.
Mexa-se!:  não  precisa  se  matricular  correndo  em  uma  academia.
Mesmo  mudanças  pequenas  no  dia-a-dia  já  ajudam  a  adquirir,  aos
poucos,  o  bom  hábito  dos  exercícios.  Use  seu  cotidiano  para  ganhar
saúde: faça trabalhos domésticos, caminhadas; evite o controle remoto, o
carro,  o  elevador  (use  as  escadas),  etc.  Praticar  esportes  e  dançar,  são
formas agradáveis de se exercitar.
Combata  o  stress:  melhorando  sua  qualidade  de  vida,  você  fica
menos ansioso. E, você sabe, a ansiedade é um dos grande motivos para
as  pessoas  começarem  a  fumar,  beber  e  comer  compulsivamente.  Sua
pressão arterial também vai agradecer o cuidado.
Não beba demais: Um ou dois drinques no fim-de-semana não vão
matar  ninguém,  mas  não  abuse!  Além  de  não  pegar  o  costume,  é
importante evitar bebedeiras,  mesmo  que eventuais: numa  dessas, você
pode  tirar  a  sua  vida  e  a  de  outros  -  em  um  acidente  de  carro,  por
exemplo.

Não fume:  o cigarro causa  inúmeras doenças  e é  um dos  maiores
causadores  de  mortes  em  todo  o  mundo.  Você  não  quer  ser  mais  um
número nas estatísticas, quer? Use a cabeça e viva mais.
Vacine-se,  faça  exames,  visite  o  médico:  ir  com  freqüência  ao
médico ajuda  a  manter  sua  saúde  em  dia.  Converse  com  ele,  tire  suas
dúvidas, faça os exames e tome as vacinas necessárias. Com isso, você
evita doenças, pode diagnosticá-las ainda no início e receber conselhos
que ninguém melhor que ele para dar.

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Como realizar desejos - Parte 4

Alternativas para atingir o objetivo:
Existem  algumas  alternativas  para  que  uma  pessoa  possa  viver
muito  bem  sem  precisar  de  muito  dinheiro.  Por  exemplo:  se  você  for
sócio de um clube, poderá desfrutar de um patrimônio de piscinas, salões
de  dança,  etc.,  pagando  uma  mensalidade  pequena.  Uma  boa  dica  é  o
Clube  da  Amizade,  onde  você  terá  acesso  a  músicas,  livros  e  filmes;
poderá desfrutar de hospedagem em diversas cidades do Brasil e talvez
do mundo – inclusive na praia, na serra, nas capitais, etc. Tudo isso sem
pagar quase nada. Informe-se  sobre o Clube da  Amizade através do E-
Mail: amizade@plugnet.psi.br.
Você  também  pode  construir  um  patrimônio  junto  com  a  pessoa
amada; desde que ela seja ambiciosa e que tenha objetivos semelhantes –
e é bem  mais fácil dividir  esforços, do  que batalhar tudo  sozinho.  Mas
tome  muito cuidado para  não entrar  num casamento  por puro interesse
financeiro, que não só pode levar a uma falência conjugal como também
financeira.
Às vezes  não é necessário comprar um  patrimônio para ter acesso
ao  mesmo,  por  exemplo:  ao  invés  de  comprar  um  carro,  você  pode
alugar  um  ou  pagar  um  táxi  –  quem  sabe  uma  moto,  ou  até  uma
bicicleta, não sejam suficientes, com um custo muito menor? –; ao invés
de comprar um avião, você pode entrar num aeroclube e fazer um curso
de  pilotagem;  etc.  Atualmente  existem  muitos  jogos  e  simuladores  –
para computadores,  ou fliperamas  –  que  podem substituir  os  custos de
esportes como o automobilismo, esportes aéreos, etc.
 
Agora que você já tem uma idéia de como ganhar dinheiro, sabe o
preço  e  a  necessidade  de  ganhar  e  acumular  dinheiro,  e  também  as
alternativas para ter acesso ao que o dinheiro pode comprar; está em suas
mãos fazer o que é melhor para você.
 

COMO FAZER SEXO COM A PESSOA QUE DESEJA
 
Isso é muito fácil, considerando que o sexo está mais em sua cabeça
do  que  no  seu  corpo.  É  só  usar  a  imaginação  e  realizar  todas  as  suas
fantasias.  Se  quiser  algo  mais  concreto,  escreva  um  conto  erótico
envolvendo a pessoa desejada. Acrescente  uma foto dela, se conseguir.
Mais  concreto ainda?! Aproxime-se dela, tente ver  suas chances e faça
um jogo de sedução. Mas péraê! Você quer só sexo ou casar? É que uma
coisa pode levar a outra. Aí vale a pena investir num namoro. Só não se
esqueça de avaliar o preço que terá de pagar.

  COMO CONQUISTAR O AMOR DE UMA PESSOA
 
Formas de atingir o objetivo:
Para  conquistar  o  amor  de  uma  pessoa,  em  primeiro  lugar  você
deverá  investir  em  você  mesmo.  Melhore  as  suas  condições  físicas
através de  exercícios físicos  e boa alimentação.  Faça uma boa  higiene,
principalmente na boca, unhas  e no  cabelo; perfumes às  vezes ajudam,
mas  não  exagere  na  dose.  Melhore  a  sua  aparência  escolhendo  roupas
que  valorizem  o  seu  corpo.  Melhore  sua  situação  sócio-econômica
buscando adquirir cultura e um bom trabalho. Mesmo sem ainda ter um
bom  trabalho,  quando  tiver  a  oportunidade  de  se  aproximar  da  pessoa
desejada, procure comentar sobre as suas pretensões e ambições. Tenha
uma postura de vencedor(a) que demonstra autoconfiança e que está de
bem  com  a  vida.  Leia  livros  de autoajuda,  autoconhecimento, relações
humanas,  sobre  sexo,  etc.  Recomendo  o  livro  A  Busca  da  Felicidade
Através  das  Relações  Humanas  –  que  eu  mesmo  escrevi  –,  ele  é  uma
coletânea  de  diversos  livros  que  tratam  destes  assuntos.  Procure  uma
cópia na biblioteca pública mais próxima (que é de graça) e não deixe de
ler!
 Depois  de  começar  a  desenvolver  o  seu  potencial,  tente  se
aproximar  da  pessoa  desejada  com  a  intenção  de  conhecê-la  melhor.
Converse  sobre  o  que  fazer  nos  fins-de-semana,  sobre  música,  etc.
Procure  se  aproximar  cada  vez  mais  dela,  sobre  qualquer  pretexto.
Quanto mais você puder conversar com ela mais próximo estará de seu
objetivo. Convide-a para saírem juntos, tente começar uma convivência
mais  próxima. Aproxime-se  como  um amigo(a), mas  deixe claro o  seu
interesse afetivo pela pessoa. Valorize-a, dê importância a ela. Seja sua
melhor  companhia.  Troque  confidências,  torne-se  íntimo.  Tente  ficar
sozinho com ela. Procure demonstrar interesse por esta pessoa através do
olhar,  do  sorriso  e  de  suas  atitudes.  O  olhar  sensual  e  o  toque  com
carinho são  indícios  de  um romance.  Não poupe  elogios  e  palavras de
carinho à pessoa que você deseja, mas procure ser prudente para não se
tornar  chato.  Elogie  detalhes  do  corpo  da  pessoa  desejada,  como:  os
olhos, o cabelo, as mãos (aproveite  para brincar de ler a mão, compare
também o tamanho de suas mãos). Quando o clima estiver mais quente,
elogie as pernas, os seios, o bumbum, etc.
Um  romance,  assim  como  o  sexo,  podem  surgir  quando  for
oportuno,  mas  não  busque-os,  necessariamente,  logo  na  primeira
aproximação.  Dê um passo  de cada vez, e a cada  passo dado, espere a
reação  do  outro  para  seguir  em  frente,  pois  uma  relação  amorosa
completa, tem que ser bilateral, ou seja, recíproca.
Caso  a  pessoa  desejada  não  tenha  se  sensibilizado  com  a  sua
aproximação  ou  esteja  interessada  em  outra  pessoa;  ou  pior,  esteja  de
caso  com  outra  pessoa;  você  pode  optar  em  continuar  insistido  como
amigo e até abrindo o jogo dizendo que não vai desistir dela nunca, nem
que tenha que esperar ela ficar viúva(o), ou ser mais inteligente e partir
para  outra.  Sempre  haverá  alguém  que  poderá  lhe  proporcionar  uma
relação  mais  interessante  do  que  com  uma  pessoa  que  não  soube  lhe
valorizar.
 
A  condição  básicas  para  um  casamento  é  de  que  ambos  devem
querer  ficar  e,  principalmente,  continuar  juntos.  Isto  é,  tem  que  haver
reciprocidade. 
Para que isso aconteça deve-se considerar três fatores, por ordem de
importância:
1-  Compatibilidade:  Este  fator  engloba  as  características  das
personalidades  dos  envolvidos,  como:  valores,  limites  de  tolerância  e
adaptação.  A  compatibilidade  é  que  vai  definir  a  capacidade  de
convivência  e  a  continuidade  do  relacionamento.  Sabemos  que  a
personalidade  é  uma  característica  dinâmica  do  indivíduo;  as  pessoas
podem  se  tornar  compatíveis  ou  incompatíveis  com  o  tempo  e  a
convivência.  Aperfeiçoe  a  sua personalidade para  se  tornar compatível
em  qualquer  relacionamento.  Os  fatores  de  ordem  econômica  e  social
estão  incluídos  nos  valores  de  cada  pessoa.  Porém,  não  devem  ser  os
únicos  atrativos,  pois,  sua  importância  numa  relação  completa  é
secundária.
2-  Afetividade:  Consideramos  este  fator  como  o  conjunto  de
emoções  positivas que envolvem o relacionamento  como: a simpatia, o
amor, o carinho, o sexo, etc. Normalmente são as características sexuais
(beleza  física)  que  aproximam  inicialmente  as  pessoas,  devido  ao
instinto básico de procriação, embora, sendo este apenas um dos muitos
detalhes  que  devem  ser  considerados  em  um  relacionamento  conjugal
completo. 
3-  Afinidade:  Este  fator  está  relacionado  com  os  gostos  e
predileções  dos  envolvidos.  É  ele  que  vai  definir  o  companheirismo
entre o casal e a qualidade do relacionamento. Portanto, quanto maior a
afinidade,  melhor  é  o  relacionamento.  Nunca devemos  esquecer que a
maneira  de  pensar  e  agir  do  homem  e  da  mulher  podem  ser  bem
diferentes devido as diferenças naturais entre os sexos.
 
Como  a  maioria  destes  fatores  são  de  ordem  íntima  e  pessoal,
somente  com  a  convivência  e  com  o  diálogo  é  que  poderão  serem
descobertos.

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Como realizar desejos - Parte 3

COMO CHEGAR À VERDADE:
Se  até  nossos  sentidos  podem  nos  enganar  e  o  nosso
posicionamento é  sempre tendencioso;  como saber  se fatos, declarados
por terceiros, são verdadeiros ou não?
1. Analisando  a  fonte  de  informação,  se  é  confiável  ou  se  é
tendenciosa, se tem motivos para omitir, inventar ou distorcer a verdade.
As  fontes  mais  confiáveis  são  as  científicas,  depois  vem  a  imprensa
responsável.  As  fontes  mais  tendenciosas são  as  de  origem  religiosa e
políticas (ideológicas).
2. Analisando as hipóteses de que a história é verdadeira e de que é
falsa. Quais os fatores que contribuem para cada hipótese. Use a lógica
dedutiva para chegar às conclusões e à conclusão final.
3. Analisando  a  questão  pelo  ponto  de  vista  contrário  à  nossa
crença. Para evitar que a nossa tendenciosidade leve nosso raciocínio a
provar o que queremos e não a verdade. Então temos que tentar provar o
que não queremos. Só assim estaremos mais perto da verdade.
 

CONCEITOS FILOSÓFICOS
Tese - Desenvolvimento de uma idéia.
Antítese - Crítica a uma idéia desenvolvida.
Síntese - Conclusão do confronto entre tese e antítese.
 
Argumentação: defesa de idéias diante de outros.
Argumento:  conjunto  de  afirmações  que  inclua,  pelo  menos,  uma
conclusão.
Conceito: significado de uma palavra que melhor a define.
Dialética: arte de raciocinar com lógica.
Falácia: raciocínio errado, que engana.
Fato: acontecimento incontestável. (Contra fatos não há argumentos)
Fundamentação: justificativa de conclusões, indicando os pressupostos
dos quais se partiu até chegar às conclusões.
Pragmática: funções e significados da linguagem no contexto social.
Premissas: evidências.
Silogismo:  forma  de  pensamento  lógico  com  duas  premissas  e  uma
conclusão.  Exemplo:  Todos  os  homens  são  mortais.  Eu  sou  homem,
logo, eu sou mortal.   
 
DICAS DE LIVROS: 
Inteligência Emocional de Daniel Goleman
Trabalho Dirigido de Filosofia de Mário Parisi e Gilberto Potrim
Mais Platão, Menos Prozac de Lou Marinoff
Pensando Melhor de Angélica Sátiro e Ana Miriam Wuensch
Reflexões de Celso Afonso Brum Sagastume
 

COMO DESENVOLVER SEU LADO ARTÍSTICO
 
O talento  é nato,  mas pode ser desenvolvido e  aperfeiçoado, basta
que se tenha força de vontade. 
Evidentemente que todos temos nossas limitações, é só descobrir a
sua.
 
Para  desenvolver  alguma  habilidade  artística,  você  precisará
praticar  e  se  aperfeiçoar.  Procure  conseguir  o  material necessário para
praticar.  Faça  cursos  para  aperfeiçoar  a  sua  técnica.  Entre  em  contato
com  outras  pessoas  que  também  desenvolvam  o  mesmo  tipo  de
atividade. Leia e se informe sobre o assunto.
 
E  nunca  desista  com  as  primeiras  dificuldades  que  vão  aparecer.
Seja persistente!
 
Nada no mundo pode substituir a persistência.
O talento não pode. Nada é mais comum do que homens talentosos
frustrados.
A  genialidade  não  pode.  Alguns  dos  maiores  gênios  que  a
humanidade teve só o foram reconhecidos anos, às vezes séculos, após a
sua morte.
A  educação  não  pode.  O  mundo  está  cheio  de  fracassados
instruídos.
Apenas  a  persistência  e  a  determinação  tem  o  poder  de  realizar
seus sonhos.
 

COMO GANHAR MUITO DINHEIRO
 
Formas de atingir o objetivo:
Em  primeiro  lugar  não  gaste  nada  que  não  seja  estritamente
necessário  para  sua  sobrevivência  ou  para  alcançar  seu  objetivo  (ficar
rico). Compre somente alimentos baratos e nutritivos. Economize água,
luz,  telefone,  ...  tudo  que  puder.  Você  já  ouviu falar no  Tio  Patinhas?
Então, siga o seu exemplo!
O  próximo  passo  é  ocupar  todo  o  seu  tempo  útil  em  coisas
produtivas e lucrativas – você pode aproveitar as noites e fins-de-semana
para  trabalhar  (tenha  mais  de  um  trabalho),  estudar  para  possíveis
concursos  e  ler  coisas  que  lhe  ajudarão  em  seus  futuros
empreendimentos  (procure  bibliotecas  públicas  e  leia  livros  de
autoajuda,  de  conhecimentos  práticos  e  revistas  como:  "Pequenas
empresas,  Grandes  Negócios",  "Você  S.A.",  etc.).  O  livro  A  Busca da
Felicidade  Através  das  Relações  Humanas  –  que  eu  mesmo  escrevi  –
contém  um  capítulo  sobre  como  ganhar  dinheiro  e  outro  sobre  como
multiplicar dinheiro, além de outras informações úteis sobre o assunto –
procure uma cópia na  biblioteca pública e não deixe de ler! Conheça e
desenvolva  o  seu  potencial.  Busque  trabalho  na  área  que  você  tenha
maior  aptidão  e  que  lhe  dará  maior  retorno  financeiro.  Procure  se
aperfeiçoar para que possa ganhar cada vez mais.
Se não existe emprego, faça o seguinte: escolha a empresa que você
quer trabalhar, peça  para falar com o  gerente  ou responsável, diga que
seu sonho é trabalhar nesta empresa e que você só quer uma chance para
demonstrar o seu valor, diga que não precisa assinar carteira nem pagar
muito.  Se  você  se  dedicar  a  fazer  esta  empresa  crescer  (pense  como
empresário, não como empregado), tiver força de vontade e capacidade o
suficiente, você vai acabar como chefe da mesma. Ou crie o seu próprio
negócio  –  não  sem  antes  se  tornar  um  especialista  naquilo  que  você
pretende fazer (Para montar um negócio próprio, busque informações no
SEBRAE  -  www.sebrae.com.br.).  Se  você  tiver  bom  conhecimento  da
sua  área,  força  de  vontade  e  capacidade  o  suficiente,  você  vai  acabar
dominando o mercado.

Outra  coisa  importante  que  você  tem  que  saber,  se  quiser  ganhar
dinheiro,  é  que  os  impostos  levam  cerca  de  40%  do  seu  trabalho.  Se
você  pensa  que  não  pode  fazer  nada  em  relação  a  isso,  está  muito
enganado;  o  mínimo  que  você  deve  fazer  é  apoiar  iniciativas  como  o
Projeto Utopia Real – que visa reduzir esta carga. Peça mais informações
pelo  E-Mail:  projetoutopia@bol.com.br.  Se  você  pensou  em  "votar
certo", esqueça! A política sempre deixou muito a desejar para resolver
estes problemas.
Depois  que  o  dinheiro  começar  a  entrar,  torne-se  um  especialista
em  aplicações  financeiras  e  outros  investimentos.  Agora  é  só  ter
paciência e esperar o dinheiro crescer.
 
Preço para atingir o objetivo:
Uma  coisa  que  você  dever  ter  percebido  é  que  ganhar  dinheiro
exige tempo e trabalho. Talvez você deixe de viver os melhores anos da
sua vida para se dedicar a ganhar dinheiro. E daí?! Será que vale a pena
só juntar dinheiro e não gastar?!? Não seria mais inteligente juntar só o
suficiente para ter uma vida confortável?
 
Necessidade de atingir o objetivo:
Bom,  se  você  quer  dinheiro  para  gastar  e  aproveitar  a  vida,  você
pode se contentar com o suficiente. Veja os exemplos:
Se não tiver filhos, não pagar aluguel e não precisar de transporte,
nem adoecer (ou ter acesso a serviços de saúde, grátis); uma pessoa pode
viver bem com R$ 300,00 por mês. Se tiver filhos (+  ~ R$  100,00  por
filho),  pagar aluguel (+  ~ R$  150,00)  e  precisar de  transporte  (+ ~  R$
100,00)  o  valor  sobe  para  R$  650,00  (considerando  um  filho  e  as
despesas  do  filho  e  do  aluguel  divididas  por  pai  e  mãe  –  que deverão
trabalhar e ter avós que cuidem da criança para não precisar de creche).
Ou  seja,  uma  família  de  um  casal  com  um  filho  precisaria  de
aproximadamente R$ 1.300,00 por mês para viver razoavelmente bem.
Se você conseguir  colocar  na poupança  (juros  de 0,7%) R$  45,00
por  mês  durante  30  anos,  você  terá  um  total  acumulado  de
aproximadamente  R$  72.000,00.  Este  valor  lhe  dará  um  rendimento
mensal de R$ 500,00 para o resto da sua vida.
Para viver muito bem, ter uma boa casa (R$ 200.000,00), um bom
carro (R$ 50.000,00), um bom patrimônio (+ ~ R$ 50.000,00) e uma boa
aposentadoria  (rendimento  financeiro  de  R$  5.000,00  por  mês  para  o
resto da vida) uma pessoa não precisa mais do que um milhão de Reais.
 
Se você conseguir colocar na poupança (juros de 0,7%) R$ 650,00
por  mês  durante  30  anos,  você  terá  um  total  acumulado  de
aproximadamente um  milhão de  Reais. O problema  é que quanto  mais
patrimônio você tiver maior é o custo que você vai ter para manter este
patrimônio – por isso é que você vai precisar dos R$ 5.000,00 por mês
(ao invés  de  apenas  R$ 300,00).  Uma  dica é não  acumular patrimônio
inútil. Desfaça-se do que não é necessário.
Mesmo que você não queira acumular muito dinheiro, você precisa
ter pelo menos cinco vezes o seu salário numa poupança – para ocasiões
extraordinárias.

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Como realizar desejos - Parte 2

COMO DESENVOLVER SUA INTELIGÊNCIA
 
A  inteligência  é  um  dom  natural  do  indivíduo  e  varia  para  cada
pessoa.  Mas  ela  também  pode  ser  desenvolvida,  assim  como  o
condicionamento  físico  e  o  talento  artístico.  Para  melhorar  a  sua
inteligência:  aprenda  a  jogar  jogos  como:  Xadrez,  Freecell,  Memória,
etc.;  leia  livros  sobre  autoconhecimento,  autoajuda,  memória,  lógica,
filosofia  e  outros  que  tratem  do  assunto.  Depois  é  só  adquirir
conhecimento.  A  inteligência  tem  muito  mais  valor  quando  aliada  ao
conhecimento.
Procure  livros  em  bibliotecas  públicas,  que  são  de  graça.  Ou  em
locadoras e sebos, que são muito mais baratos.
 
Não esqueça que todos temos o nosso limite. O que podemos fazer
é  ampliar  este  limite  de  acordo  com  o  nosso  empenho  e  força  de
vontade.
 
PARA  APROVEITAR  MELHOR  SUAS  LEITURAS  E  SEUS
ESTUDOS
- Procure um  ambiente tranqüilo  para poder  ler com maior  atenção.
Ler na cama, antes de dormir, é um bom hábito, desde que a leitura
seja curta e leve.
- No caso de jornais ou revistas; selecione o que é mais importante,
através  de  uma  leitura  rápida,  e  se  aprofunde  no  que  é  mais
interessante.
- Sublinhe  o  que  achar  mais  interessante.  Coloque  observações  ao
lado  do texto, se  for  necessário.  Para  aumentar sua  capacidade de
compreensão,  você  precisa  fazer  as  anotações  com  suas  próprias
palavras.
- Procure  fazer  um  resumo  do  que  achar  mais  importante.  Anote
regras práticas e conselhos úteis.
- Tenha uma caneta, um lápis, uma borracha e um papel à mão para
as anotações.
- Faça  pausas  na  leitura  para  refletir  e  relacionar  o  que  está  lendo
com o seu cotidiano e sua experiência pessoal. 
- Nunca  aceite  o  que  está  escrito  como  verdade  absoluta,  tente
analisar e adaptar os conhecimentos obtidos à sua própria realidade.
Procure fazer  a melhor  interpretação possível, usando  a lógica e a
razão, sem se deixar levar por emoções irracionais ou alienantes. E
mantenha a mente sempre aberta para novos conceitos.
- Tenha um dicionário, um atlas e uma enciclopédia à disposição para
usá-los quando encontrar palavras desconhecidas.
- Tente  colocar  em  prática,  sempre  que  possível,  o  conhecimento
adquirido. 
 
PARA REFLETIR:
Observação:  Se  você  conseguir  entender  perfeitamente  os  trechos
que  estão  a  seguir,  parabéns;  você  está  bem  acima  da  média.  Se  não
conseguir, busque mais informações e continue tentando.
 
SENSO CRÍTICO é  a capacidade de  distinguir os valores éticos e
estéticos; para formar uma opinião pessoal que esteja acima das emoções
–  como  o  preconceito,  o  racionalismo,  o  egocentrismo,  etc.  –  e  das
influências externas – como a opinião da maioria, a educação, etc.
 
A pessoa com senso crítico levanta dúvidas sobre aquilo em que se
comunmente  acredita,  e  explora  rigorosamente  alternativas  através  da
reflexão e avaliação de evidências. Ela não aceita passivamente as idéias
dos outros.
O  senso  crítico  exige  o  reconhecimento  de  que  nossas  idéias  não
são fatos, e que podem ser questionadas.
Devemos  avaliar  outros  pontos  de  vista,  mesmo  que  não  os
aceitemos.  Isso  elimina  a  tendenciosidade  e  aumenta  a  confiança  na
conclusão.
O pensador crítico tenta evitar que sua visão seja embaralhada pelos
valores. Ele valoriza a coerência, a clareza de pensamento, a reflexão e a
observação cuidadosa; porque deseja compreender melhor a realidade.
O  grupo  social  e  a  cultura  aumentam  a  tendenciosidade  em
acreditar no que todos acreditam sem questionamentos.
 
Um  pensador  crítico  tende  a  demonstrar  as  seguintes
características gerais:
- Curiosidade intelectual e questionamento.
- Habilidade de pensar logicamente.
- Percebe a estrutura de argumentos.
- Descobre as idéias subentendidas e subjacentes.
- Reconhece os usos práticos da linguagem.
-  Consegue  distinguir  questões  de  fato,  de  valor  e  questões
conceituais.
- Avalia a coerência das questões propostas.
(Síntese do livro Senso Crítico de David Carraer)
 
FILOSOFIA CURATIVA
Viver tem remédio. E o rótulo diz: filosofia.
As  pessoas  poderiam  resolver  a  maioria  de  seus  problemas  se
pensassem  melhor,  se  conhecessem  alguns  conceitos  formulados  por
bons  filósofos,  conceitos  que  as  grandes  tradições  sapienciais
estabeleceram como pontos de referência práticos para entender a vida,
para agir com bom senso e realismo.
Alguém já definiu  o ser  humano como  o "bicho" que  nasceu para
resolver problemas. O problema é quando não sabemos o que fazer com
nossos problemas. Aí sim as coisas ficam muito, muito problemáticas.
É  preciso  atacar  a  superficialidade  e  o  imediatismo.  Você  está
deprimido? Você  está em crise? Você está  desanimado? Sente vontade
de se matar? Ou, pelo menos, de jogar tudo para o alto, coisas pesadas
como  trabalho,  esposa,  marido,  filhos?  Muitas  pessoas  tentam resolver
esses problemas através das drogas ou buscam fórmulas mágicas, ou se
apegam a  crendices,  e muitas  vezes acabam  agravando seus  problemas
ao invés de resolvê-los.
 

Contudo, existe uma receita fantástica, e muitas vezes decisiva, que
consiste em analisar  nossos problemas à  luz de algumas idéias geniais,
em  distanciar-se  deles  e  depois  tomar  uma  atitude  nova,  corajosa,
sensata.
Inúmeros  problemas  vitais  tornam-se  um  obstáculo  intransponível
porque,  além  do  problema  objetivo,  nós  nos  envolvemos  tanto,  nossas
emoções  grudam  de  tal  modo  às  dificuldades,  nós  nos  sentimos  tão
aprisionados pelo  impasse,  que acabamos  por nos  tornar vítimas fáceis
das circunstâncias.
Distanciar-se é  pensar,  com a determinação  explícita de assumir  o
controle da situação, naquilo que esteja ao nosso alcance.
E o que está ao nosso alcance é repensar a posição de todas as peças
no  tabuleiro,  tentar  uma  jogada  menos  óbvia,  menos  ingênua,  menos
rotineira.
Precisamos  revisar  nosso  quadro  pessoal  de  valores  que,
filosoficamente falando, se baseia em premissas das quais às vezes não
temos plena consciência.
Examinar a própria vida com um espírito de reflexão, espelhando-
nos  em  conselheiros  como  Sócrates,  Buda,  Lao  Tsé,  Epicteto,
Kierkegaard.
Pensar, enfim, com mais rigor. Esta é a proposta.
(Texto adaptado de um comentário de Gabriel Perissé – que é autor
dos livros Ler, Pensar e Escrever e O Leitor Criativo)

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Como realizar desejos - Parte 1

Este  curso  lhe  ajudará  a  analisar  todos  os  aspectos  necessários
para que você possa tomar as decisões certas, no sentido de atingir seus
objetivos de forma mais eficiente e consciente.
 
Para  conseguir qualquer coisa  na  vida,  você  depende basicamente
de quatro fatores: a vontade de conseguir, a dificuldade em conseguir, a
sorte e o conhecimento do melhor caminho para atingir o seu objetivo.
Se a sua vontade for menor que as dificuldades; por mais fácil que
seja, você não conseguirá.
Se a sua vontade for maior que as dificuldades e se você estiver no
caminho certo; por mais difícil que seja, você conseguirá.
A sorte ou o azar podem ajudar ou atrapalhar. Por isso você deverá
saber avaliar seus riscos e minimizar as chances do azar.
Mesmo  que  você  tenha  vontade  e  que  seja  aparentemente  fácil
conseguir  alguma  coisa,  se  você  não  souber  o  caminho  para  atingi-la,
talvez  você  perca  seu  tempo,  o  seu  esforço  e  nunca  chegue  ao  seu
objetivo.
 
Nenhum  vento  sopra  a  favor  de  quem  não  sabe  para  onde  ir.
(Sêneca)
 
Lembre-se que:
Sucesso é conseguir aquilo que você quer.
Felicidade é aproveitar aquilo que você conseguiu.
(Warren Buffet)
 
Para ser feliz não basta querer. Tem que saber o que quer e o que é
melhor; saber como fazer para conseguir o que quer; e, finalmente, agir
neste sentido.
 
Agora é com você!

 

INTRODUÇÃO
 
 
Antes  de  querer  realizar  qualquer  desejo,  a  pessoa  tem  que  ter
certeza  do  que  quer  e  ter  vontade  suficiente  para  buscar  a  realização
deste desejo.
 
Geralmente existe mais de uma forma de atingir um objetivo e tudo
tem o seu preço – que tem que ser avaliado.
Também deve ser  avaliada  a necessidade  e  as alternativas  para  se
atingir um objetivo.
 
Pergunte-se:  Por  que  eu  quero  realizar  este  desejo?  Será  que  eu
preciso mesmo realizá-lo?
 
Muito cuidado com o que você quer, pois você pode conseguir!
 
Você  pode  conseguir  quase  tudo  que  quiser,  desde  que  esteja
disposto a pagar o preço.
O preço do dinheiro é o trabalho.
O preço do sucesso é a dedicação.
O preço da sabedoria é a reflexão.
O preço da liberdade é a responsabilidade.
O preço da amizade é o companheirismo.
O preço do sexo é o amor.
O preço do amor é a doação.
 
Lembre-se que:
Quanto maior é o objetivo a ser alcançado, maior devem ser a
paciência e a persistência em buscá-lo.
 


COMO AMPLIAR SEU TEMPO
 
 
Organize  uma  rotina  semanal  com  suas  atividades  diárias  como:
limpezas, horários de trabalho, de descanso, de olhar a TV, de ler jornais
e revistas (seja  seletivo: não  perca tempo lendo tudo que aparece, só  o
que valer a pena), de fazer exercícios físicos, de estudar (ler ou fazer um
curso),  de  se  reunir  com  os  amigos, etc.  Fazendo  isso  você descobrirá
seus horários livres e poderá aproveitá-los melhor. Então, faça uma lista
de  coisas  que  gostaria  de  fazer  mas  não  acha  tempo  e  encaixe  estas
coisas nos  seus  horários livres.  Aproveite  também para  escutar  música
nos horários de fazer limpeza ou de descanso; ver TV enquanto almoça
ou janta; ler em viagens de ônibus; fazer exercícios caminhando para o
trabalho; etc.
 
Se  organize  e  nunca  mais  deixe  de  fazer  o  que  gosta,  ou  que
precisa, por falta de tempo.
 
DICAS
- Distribua  suas  tarefas  numa  rotina  diária  e  semanal,  assim  você
poderá visualizar o seu tempo livre.
- Faça uma coisa de cada vez.
- Motive-se para fazer as tarefas mais importantes, lembrando sempre
dos resultados.
- Defina suas prioridades e faça primeiro o que é mais urgente depois
o que é mais importante.
- Programe suas tarefas mais importantes para as primeiras horas da
manhã.
- Faça uma lista de tarefas e determine o tempo de cada uma. Anote
tudo que tiver de fazer.
- Certifique-se  do  entendimento  das  mensagens  recebidas  ou
transmitidas por telefone.
- Coloque na secretária-eletrônica o horário que você poderá atender o telefone.
- Lembre-se  que  tudo  leva  mais  tempo  do  que  parece.  Faça  uma
agenda folgada.
- Otimize o tempo gasto para realizar suas tarefas.
- Não perca tempo com conversas inúteis, vá direto ao assunto.
- Não  perca  tempo  com  coisas  inúteis.  (Pergunte-se:  Isto  precisa
mesmo ser feito?)
- No  final  do  dia,  acostume-se  a  analisar  o  que  foi  feito  hoje  e
programar o que fazer amanhã. Planeje seu dia na noite anterior.
- Ocupe seu tempo livre em tarefas úteis, produtivas e de lazer. 
- Só tem tempo sobrando quem sabe aproveitá-lo.


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A Arte da Guerra Aplicada ao Marketing - Parte 7

SUN TZU diz:

"No tocante às operações militares, o terreno pode ser classificado como dispersivo, de fronteira, terreno chave, de comunicação, focal, perigoso, difícil, cercado e mortal."  (XI. 1)

         "Quando um senhor feudal luta em seu próprio terreno, está em terreno dispersivo."  (XI. 2)

         Em marketing é disputar com novos concorrentes em mercado antigo.

 

            "Portanto, não lute em terreno dispersivo, unifique a determinação do exército." (XI. 11)

        Não perca tempo atacando os concorrentes mas sim, faça inovações dentro da empresa, promovendo a união e o orgulho dos funcionários.

  

"Quando faz uma ligeira penetração em terreno inimigo, está em terreno de fronteira." (XI. 3)

          Quando se tenta lançar um produto em mercado novo.

 

"Em terreno de fronteira, eu manteria minhas forças fortemente unidas."  (XI. 16) 

        Se houver dificuldades a empresa não deve desistir de lançar o produto novo, pelo contrário, unir todas as forças, de todos os departamentos e seguir.

 

"O terreno cuja ocupação é igualmente vantajosa para o inimigo e para mim é terreno-chave."  (XI. 4)

        Quando a concorrência já é antiga e cada um com seus consumidores leais com marcas reconhecidas no mercado.

 

"Não ataque um inimigo que ocupe terreno-chave..."  (XI. 12)

        A empresa não deve tentar conquistar os consumidores da concorrente, pois isso vai criar problemas sérios, mas ela deve se certificar e trabalhar para manter os consumidores atuais continuamente satisfeitos com os seus produtos e a sua marca.

 

"O terreno igualmente acessível para o inimigo e para mim é de comunicação." (XI. 5)

         Mercado novo para ambas as empresas.

 

"Em terreno de comunicação, não deixe que suas formações se separem..." (XI. 12)

        As empresas não devem desviar dos seus objetivos, mas devem prestar muita atenção às estratégias das concorrentes.

 

"Trata-se de terreno plano e extenso em que se pode ir e vir e de extensão suficiente para a batalha e para a construção de fortificações oponentes." (XI. 5 Mu Tu)

       Em marketing é um mercado consumidor fortíssimo. 

 

 

"Quando um Estado está cercado por três outros, seu terreno é focal.  Quem obter primeiro seu controle conseguirá o apoio de Tudo-sob-o-Céu." (XI. 6)

        Quando as empresas estão em equilíbrio competitivo estável, a que se destacar será a líder de mercado.

 

         "Em terreno focal, eu fortaleceria minhas alianças." (XI. 19)

        As empresas não devem se atacar sem necessidade, pelo contrário, devem manter um equilíbrio competitivo entre elas.

  

"Quando o exército penetrou fundo em terreno hostil, deixando para trás muitas cidades e aldeias inimigas, está em terreno perigoso."  (XI. 7)

        Nesse caso uma empresa despreparada, que não realizou análises minuciosas antes, entra em um mercado onde uma empresa grande e forte com variada linha de produtos já o conquistou há muito tempo, mantendo o padrão e atendendo totalmente aos desejos e às necessidades dos seus consumidores.

 

"Em terreno perigoso, eu asseguraria um fluxo contínuo de provisões."  (XI. 20)

        Já que a empresa entrou num mercado onde não deveria, deve aproveitar e atrair o máximo de clientes das concorrentes.

          

"Quando o exército transpõe montanhas, florestas, terreno íngreme ou marcha por desfiladeiros, charcos, pântanos ou qualquer lugar onde é difícil transitar, está em terreno difícil." (XI. 8)

        Este é um mercado com competições muito acirradas, muitas empresas concorrendo fortemente e nenhuma delas conseguindo se destacar perante as outras.

 

         "Em terreno difícil, eu me apressaria pelas estradas." (XI. 21)

        Cada empresa não pode perder tempo, deve continuar evoluindo para não ser ultrapassada pelas outras, deve continuar investindo em pesquisas, inovações e desenvolvimento, modernização, instalações, treinamento de funcionários, qualidade de ponta, aumentando sua participação de mercado e rentabilidade, através da obtenção de ganhos consideráveis de participação de lembrança e de preferência.

 

"O terreno cujo acesso é restrito, do qual a saída é tortuosa e onde uma pequena força inimiga consegue atacar minha força maior diz-se cercado."  (XI. 9)

        Quando uma empresa entra em um mercado, tendo investido muito dinheiro em pesquisas, inovações e desenvolvimento, modernização, instalações, treinamento de funcionários, qualidade de ponta, propaganda etc, e os negócios não dão certo, ou seja, o resultado não é de acordo com o esperado.

 

"Em terreno terreno difícil, vá em frente; em terreno cercado, invente estratagemas; em terreno mortal, lute."  (XI. 14)

        A empresa deve bloquear a entrada de novas concorrentes e continuar investindo muito para se manter onde está.

 

"O terreno onde o exército só sobrevive caso lute com coragem desesperada diz-se mortal." (XI. 10)

        Um mercado onde só se entra na competição de forma rápida e desestruturada para não se perder a vez, resultando em prejuízos.

 

"Em terreno mortal, lute, deixe claro de que não há chance de sobrevivência.  Pois é da natureza dos soldados resistir quando cercados, lutar até a morte quando não há alternativa e, quando desesperados, seguir as ordens irrestritamente." (XI. 23)

        Como a empresa já sabe que será impossível entrar nesse mercado e que terá prejuízos, só resta continuar tentando para minimiza-los.

Em marketing a comparação seria de que as empresas não enganem os consumidores com falsa propaganda ou má-qualidade dos produtos, pois senão não conquistarão sua confiança e lealdade.

 

"Lance mão de várias operações enganosas. Seja visto a oeste e venha marchando do leste; atraia-o para o norte e o ataque ao sul. Enlouqueça-o e desconcerte-o de modo que disperse suas forças em confusão".  (XI. 26 Meng)

        As empresas devem enganar os concorrentes com falsas notícias, como se fossem lançar um produto que nem faz parte de sua meta.  Assim as concorrentes entrarão em pânico e perderão tempo e investimento inovando os produtos errados.

 

"Pegue-o desprevenido com ataques de surpresa onde ele estiver despreparado. Golpeie-o de repente com tropas de choque." 
(XI. 26 Chang Yü)

        Lance o real produto no momento em que a concorrente está profundamente concentrada na linha errada e deixa-a sem ação, perdida.

 

"Lance as tropas em uma posição da qual não haja fuga, e, mesmo diante da morte, elas não debandarão. Pois, se preparadas para morrer, o que não farão?  Então, oficiais e soldados juntos esforçar-se-ão ao máximo. Em uma situação desesperada, nada temerão; quando não houver saída, permanecerão inabaláveis.  Fundo em terra hostil, elas estarão unidas e, onde não houver alternativa, combaterão corpo a corpo o inimigo".  (XI. 33)

        Antes de entrar em um mercado e atacar a concorrência, a empresa deve estudar muito bem a situação para não se instalar em territórios que não sejam realmente interessantes para a mesma, pois senão seus funcionários não se sentirão tratados como bons profissionais e não se emprenharão como necessário.  Mas se a empresa entrar em mercado novo ou lançar novo produto em local que convença os funcionários de que o futuro será brilhante, eles irão pelo inferno para realizar os projetos de forma excepcional.

 

 "Conseguindo-se a vantagem do terreno, mesmo tropas fracas e moles conseguirão conquistar o inimigo. Quanto mais se forem duras e fortes!  O que torna possível ambas serem usadas eficazmente é a disposição conforme as condições do terreno"(XI. 41 Chang Yü)

        Tendo uma boa administração de marketing, analisando detalhadamente os concorrentes e o mercado, até empresas de pequeno porte têm condições de vencer os grandes concorrentes.

 

 

Disse SUN TZU:

"Há cinco métodos de ataque com fogo. O primeiro é queimar pessoas; o segundo, queimar depósitos; o terceiro, queimar equipamentos; o quarto, queimar arsenais; e o quinto, usar mísseis incendiários." (XII. 1)

        No marketing também se possui diversas armas e alvos para atacar os concorrentes, através do preço, da marca, do produto, da qualidade, da inovação, da propaganda, da distribuição, etc.  Ou seja, se uma empresa melhorar sua distribuição ou introduzir um novo tipo de serviço, pioram as vendas dos concorrentes ou se a empresa reduzir os preços, os concorrentes perdem pontos de participação, etc.

 

"O uso do fogo requer que se conte com alguns meios." (XII. 2)

"O equipamento para atear fogo deve estar sempre à mão." (XII. 3)

            "As ferramentas e os materiais combustíveis devem ser preparados de            antemão."  
(XII. 3 Chang Yü)

"Há ocasiões convenientes e dias apropriados para atear fogo."
(XII. 4)

        As armas utilizadas em Planejamento Estratégico Mercadológico também contam com alguns meios.  Primeiramente as empresas devem estudar a fundo a situação do mercado para a tomada das decisões corretas no momento propício, pois o consumidor não se contenta simplesmente com uma redução de preços, esta pode transmitir má-qualidade; ou a empresa resolve investir em propaganda, mas propaga produtos que os consumidores já conhecem há muito tempo, ou propagam em meios inadequados, como extrato de tomate na Gazeta Mercantil, etc.

        Portanto as empresas devem analisar suas próprias necessidades, os desejos dos consumidores em geral, decidir sua atuação em lugar e momento perfeitos e devem aguardar este momento chegar, como uma 'carta na manga'.

 

           "Ora, o exército deve conhecer as cinco diferentes situações de ataque com fogo e estar constantemente vigilante." (XII. 12)

        Este é um trabalho minucioso feito em equipe, isto é, todos os setores da empresa devem ser comunicados sobre os fatos e devem estar preparado para agir a qualquer momento quando for dada a ordem.

 

"Por conseguinte, o dirigente esclarecido é prudente e o bom general é advertido contra a ação precipitada.  Assim, o Estado é mantido seguro e o exército, preservado." (XII. 19)

        Os gerentes de marketing sabem perfeitamente que lançar um produto novo, cuja qualidade ainda não está comprovada, que ainda não está 100% aprovado em um segmento de mercado que não interesse à empresa é uma tomada de decisão precipitada que leva a prejuízos.

 

 

Disse SUN TZU:

"Ora, quando um exército de cem mil homens for mobilizado e despachado para uma campanha distante, as despesas cobertas pelo povo e os desembolsos do tesouro chegarão a mil moedas de ouro por dia.  Reinará constante comoção em casa e no exterior, as pessoas vão se esgotar com as necessidades de transporte e setecentos mil lares terão seu funcionamento prejudicado." (XIII. 1)

        "Antigamente, oito famílias formavam uma comunidade. Quando uma família enviava um homem ao exército, as sete restantes contribuíam para seu sustento.  Assim, quando um exército de cem mil homens era mobilizado, os impedidos de cuidar plenamente do próprio roçado e colheita chegavam a setecentos mil lares." (XIII. 1 T'sao T'sao)

        Podemos dizer que em marketing os profissionais das empresas também devem se dedicar às suas funções como os soldados em uma guerra, pois sem este recurso (força de trabalho) a empresa não tem condições de vencer as batalhas.  E no momento em que uma empresa não está mais à altura de seus concorrentes, ou seja, ela se encontra desatualizada, sem investir em pesquisas e inovações, ela é derrotada, perdendo participação de mercado e assim, para diminuir os prejuízos, muitas pessoas perderão seus empregos.  Portanto, em épocas de grandes concorrências, os funcionários devem se dedicar quase totalmente aos seus empregos, para garantirem o seu 'ganha pão'.

 

"Alguém que confronte o inimigo por vários anos a fim de lutar pela vitória em uma batalha decisiva mas que, por relutar em conceder promoções, honras e umas centenas de moedas de ouro, permanece ignorante da situação do inimigo carece totalmente de humanidade. Tal homem não é um general, um auxiliar de seu soberano, um chefe vitorioso." (XIII. 2)

        De mesma maneira que as empresas têm direito de exigir total dedicação de seus funcionários a fim de vencerem concorrências e continuarem no topo de suas participações de mercado, elas também devem valorizá-los, pois para que estes profissionais continuem dando o melhor de suas experiências, eles devem ser elevados de cargo ou devem ganhar aumentos salariais ou bônus, etc.

"Ora, a razão por que o príncipe esclarecido e o general sábio conquistam o inimigo sempre que avançam e seus feitos superam os dos homens comuns é a presciência." (XIII. 3)

"A chamada "presciência" não pode ser conseguida de espíritos, de deuses, por analogia a eventos passados ou através de cálculos. Ela deve ser obtida de homens que conheçam a situação do inimigo." (XIII. 4)

 Em marketing nada acontece por acaso, tudo é feito através de muitos estudos, internos e externos.  Para se alcançar o sucesso a área de marketing é fundamental para que as empresas ajam corretamente e não percam as oportunidades.

        Segundo Kotler, o programa de marketing determina a demanda de mercado por um determinado produto, que é o volume total que seria comprado por um grupo definido de consumidores, em determinada área geográfica, em um período de tempo e ambiente de mercado definidos.

        Esta demanda de mercado aborda um limite que é o potencial de mercado, à medida que os gastos de marketing do setor industrial se aproximam do infinito, para determinado ambiente.

        A demanda da empresa é a sua participação na demanda do mercado, que depende de como seus produtos e serviços, preços, comunicações, etc, são percebidos pelos concorrentes.  Esta demanda da empresa descreve suas vendas estimadas em níveis alternativos de esforços de marketing, que são as previsões de vendas dentro de seus ambiente de marketing assumido.

        A administração da empresa também estabelece metas de vendas para uma linha de produtos, divisão da  empresa ou para um vendedor, baseando-se na previsão e na psicologia de estimular sua realização.  Estas metas são um dispositivo gerencial para definir e estimular o esforço de vendas.

        Para as decisões de compras, produção e fluxo de caixa de uma empresa é feito um orçamento de vendas, que é uma estimativa conservadora do volume de vendas esperado.

        O importante para as empresas não é conseguir lucros altíssimos de imediato, mas sim construir conscientização e preferência do consumidor no decorrer do tempo.

 

Bibliografia

McNeilly, Mark.  Sun Tzu e A Arte dos Negócios, Seis Princípios Estratégicos Para Executivos.  Editora Campus, 1998, RJ.

Kotler, Philip.  Administração de Marketing. Análise, Planejamento, Implementação e Controle.  Editora Atlas, 1994, SP.

McMath, Robert M. e Thom Forbes. Onde Eles Estavam com a Cabeça?  Makron Books, 1998, SP.


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A Arte da Guerra Aplicada ao Marketing - Parte 6

        Para ser bem sucedido, para encontrar fraquezas, você deve seguir o conselho de Sun Tzu: deve obter informações de homens que conheçam a situação do inimigo. Você deve investigar essas coisas nos mínimos detalhes.

        Seu ponto de partida dever ser os fundamentos, os fatos. Quais são os resultados financeiros de seu concorrente, quantos funcionários emprega, que produtos oferece e em que mercados? Determine os custos de fabricação de seu concorrente comprando e dissecando os seu produtos, mas perceba que, por si sós, mesmo esses são insuficientes.

        Complemente os fatos com informações que revelem a estratégia do concorrente.  Essas informações podem ser obtidas da própria empresa: informes anuais e trimestrais, publicidade e declarações dos responsáveis. Revistas setoriais e publicações de negócios são outro meio de coletar informações, examine com atenção a conduta passada do concorrente, sua reação e ataque.

        Conhecendo as forças e reações do concorrente ainda não é o suficiente, é necessário saber como ele reagirá a suas ações.

 

"Quando o inimigo alimenta os cavalos com cereais e os homens comem carne e quando suas tropas não penduram as panelas nem retornam aos abrigos, o inimigo está desesperado. " (IX. 40)

"O inimigo alimenta os cavalos com cereais e os homens com carne para aumentar sua força e resistência. Se o exército não tiver panelas, não voltará a comer. Quando as tropas não retornam aos abrigos, não pensam no lar e pretendem se empenhar em uma luta decisiva." (IX. 40 Wang Hsi).

"Quando as ordens são sistematicamente confiáveis e observadas, a relação do comandante com suas tropas é satisfatória." (IX. 50)

 

        Um fator essencial do sucesso da Southwest Airlines é manter a vantagem de custos baixos em relação às outras empresas aéreas, deixando isso bem claro em suas campanhas publicitárias realizadas pela TV.

        Kelleher, o principal executivo da Southwest, pessoalmente aprova cada compra.  Segundo ele, "não é por não confiar em nosso pessoal, mas porque sei que, se eles souberem que estou observando, serão ainda mais cuidadosos".

        

SUN TZU diz:

"O terreno pode ser classificado, segundo sua natureza, como acessível, traiçoeiro, incerto, apertado, Íngreme e distante." (X. 1)

        Nas áreas dos negócios também ocorre isso, também podemos classificar os mercado como acessível, traiçoeiro, incerto, apertado, íngreme e distante.

  1. Quando uma empresa produz produtos semelhantes aos de uma ou mais concorrentes, mas nenhuma é líder de mercado, ele se torna acessível, ocorrendo assim um equilíbrio competitivo estável.  Como nas táticas de guerra, a empresa que primeiro conquistar consumidores poderá ocupar um patamar superior;
  2. O mercado é traiçoeiro quando se deixa comprar pelos concorrentes em vez de ser conquistado.  Os concorrentes assumem grandes riscos, investem em capacidade de produção plena e, em geral, descontrolam o equilíbrio do setor industrial.  Se uma empresa está preparada para reagir, o concorrente cai, se não a empresa perde seu mercado ;
  3. O mercado incerto é aquele no qual a penetração é tão difícil para a empresa quanto para as concorrentes e acordando às táticas de guerra de Sun Tzu a empresa pode se afastar como se este mercado não fosse interessante e atrais as concorrentes para longe, depois voltando e introduzindo sua produção sozinha conquistando a  liderança de mercado ;
  4. No caso do terreno apertado (vale entre duas montanhas) podemos comparar ao concorrente cauteloso, pois suas táticas não são rápidas, elas são tomadas com cautela.  No caso da guerra o inimigo pensa que tem a situação sob controle e no marketing o concorrente pensa que seus consumidores são leais ou não reagem por falta de condições financeiras ;
  5. Em terreno íngreme não se deve atacar o inimigo marchando para longe.  No marketing este mercado é difícil, portanto não vale a pena lutarmos contra os concorrentes neste mercado ;
  6. No terreno distante é muito difícil provocar a batalha, como com concorrentes seletivos, eles não reagem a todos os tipos de ataques, por exemplo, eles podem reagir a uma redução de preços mas não a uma aumento em gastos com propaganda.

 

        Segundo Sun Tzu 'quando as tropas debandam, se insubordinam, esmorecem, se desagregam ou são derrotadas, a culpa é do general. Nenhum destes desastres é atribuível a causas naturais.'  E assim ocorre no mundo dos negócios, quando uma empresa não consegue conquistar seu target, não consegue competir com a concorrência, é porque sua administração/marketing não estudou e analisou o mercado a fundo e não utilizou-se das táticas corretas.

 

        Sun Tzu diz : "Havendo igualdade das demais condições, se uma força atacar outra dez vezes maior, o resultado será a debandada."  No livro do Kotler fala-se sobre os concorrentes arrojados que são as empresas que reagem rápida e fortemente a qualquer iniciativa em seu território.

 

            "Quando um comandante, incapaz de estimar seu inimigo, usa uma força reduzida para enfrentar uma grande, ou tropas fracas para atacar uma forte, ou quando deixa de selecionar tropas de choque para a vanguarda, o resultado é a derrota".  (X. 15)

        A mesma coisa acontece quando se tenta derrotar concorrentes imprevisíveis, pois eles não demonstram um padrão de reação previsível, desta maneira a empresa se torna incapaz de estimar o concorrente.

 

        Na obra de Sun Tzu,  A Arte da Guerra podemos verificar que:

"A conformação do terreno é da máxima ajuda na batalha.  Portanto, estimar a situação do inimigo e calcular distâncias e o grau de dificuldade do terreno de modo a controlar a vitória são virtudes do general superior.  Quem luta com pleno conhecimento desses fatores está certo de vencer; quem não o faz, certamente será derrotado." (X. 17)

        No livro do Kotler há uma avaliação das Forças e Fraquezas dos Concorrentes, importantíssima para que a empresa conheça e identifique minuciosamente os recursos e a capacidades dos concorrentes.  A empresa deve reunir os dados recentes sobre os negócios de cada concorrente, principalmente vendas, participação de mercado, retorno sobre investimento, fluxo de caixa, novos investimentos e utilização da capacidade de produção.  As empresas colhem informações através de dados secundários, experiência pessoal e boatos e ainda podem fazer pesquisa de marketing com consumidores, fornecedores e revendedores.  Elas também devem identificar as oportunidades de marketing (área de necessidade onde a empresa pode atuar rentavelmente) e as ameaças ambientais (desafio atribuído a uma tendência ou desenvolvimento desfavorável que levaria, na ausência de ação de marketing defensiva, deterioração das vendas ou dos lucros).

Desta maneira, conhecendo exatamente o concorrente e o mercado a empresa saberá como agir para competir e se tornar líder.

 

 "Se eu souber que o inimigo é vulnerável ao ataque, mas não souber que minhas tropas são incapazes de atacá-lo, terei meia possibilidade de vitória".  (X. 23)

        Neste trecho Sun Tzu se refere à importância do fato de que as tropas do exército devem ser capazes de atacar para garantir a vitória.  Para isso, no marketing se faz periodicamente uma análise do Ambiente Interno, avaliando as forças e fraquezas de cada negócio:  a administração deve revisar as competências de marketing, financeiras, de produção e organizacionais do negócio.  Cada fator é classificado em termos de muito forte, pouco forte, neutro, pouco fraco e muito fraco.

       Englobando os dois itens anteriores de marketing: conhecer o concorrente e os seus próprios negócios para se tornar líder de mercado, criamos uma forte ligação para a próxima citação de Sun Tzu, A Arte da Guerra :

"Conheça o inimigo, conheça a si mesmo; sua vitória jamais correrá perigo. Conheça o terreno, conheça o clima; sua vitória será então total". (X. 26)

 


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A Arte da Guerra Aplicada ao Marketing - Parte 6

        Para ser bem sucedido, para encontrar fraquezas, você deve seguir o conselho de Sun Tzu: deve obter informações de homens que conheçam a situação do inimigo. Você deve investigar essas coisas nos mínimos detalhes.

        Seu ponto de partida dever ser os fundamentos, os fatos. Quais são os resultados financeiros de seu concorrente, quantos funcionários emprega, que produtos oferece e em que mercados? Determine os custos de fabricação de seu concorrente comprando e dissecando os seu produtos, mas perceba que, por si sós, mesmo esses são insuficientes.

        Complemente os fatos com informações que revelem a estratégia do concorrente.  Essas informações podem ser obtidas da própria empresa: informes anuais e trimestrais, publicidade e declarações dos responsáveis. Revistas setoriais e publicações de negócios são outro meio de coletar informações, examine com atenção a conduta passada do concorrente, sua reação e ataque.

        Conhecendo as forças e reações do concorrente ainda não é o suficiente, é necessário saber como ele reagirá a suas ações.

 

"Quando o inimigo alimenta os cavalos com cereais e os homens comem carne e quando suas tropas não penduram as panelas nem retornam aos abrigos, o inimigo está desesperado. " (IX. 40)

"O inimigo alimenta os cavalos com cereais e os homens com carne para aumentar sua força e resistência. Se o exército não tiver panelas, não voltará a comer. Quando as tropas não retornam aos abrigos, não pensam no lar e pretendem se empenhar em uma luta decisiva." (IX. 40 Wang Hsi).

"Quando as ordens são sistematicamente confiáveis e observadas, a relação do comandante com suas tropas é satisfatória." (IX. 50)

 

        Um fator essencial do sucesso da Southwest Airlines é manter a vantagem de custos baixos em relação às outras empresas aéreas, deixando isso bem claro em suas campanhas publicitárias realizadas pela TV.

        Kelleher, o principal executivo da Southwest, pessoalmente aprova cada compra.  Segundo ele, "não é por não confiar em nosso pessoal, mas porque sei que, se eles souberem que estou observando, serão ainda mais cuidadosos".

        

SUN TZU diz:

"O terreno pode ser classificado, segundo sua natureza, como acessível, traiçoeiro, incerto, apertado, Íngreme e distante." (X. 1)

        Nas áreas dos negócios também ocorre isso, também podemos classificar os mercado como acessível, traiçoeiro, incerto, apertado, íngreme e distante.

  1. Quando uma empresa produz produtos semelhantes aos de uma ou mais concorrentes, mas nenhuma é líder de mercado, ele se torna acessível, ocorrendo assim um equilíbrio competitivo estável.  Como nas táticas de guerra, a empresa que primeiro conquistar consumidores poderá ocupar um patamar superior;
  2. O mercado é traiçoeiro quando se deixa comprar pelos concorrentes em vez de ser conquistado.  Os concorrentes assumem grandes riscos, investem em capacidade de produção plena e, em geral, descontrolam o equilíbrio do setor industrial.  Se uma empresa está preparada para reagir, o concorrente cai, se não a empresa perde seu mercado ;
  3. O mercado incerto é aquele no qual a penetração é tão difícil para a empresa quanto para as concorrentes e acordando às táticas de guerra de Sun Tzu a empresa pode se afastar como se este mercado não fosse interessante e atrais as concorrentes para longe, depois voltando e introduzindo sua produção sozinha conquistando a  liderança de mercado ;
  4. No caso do terreno apertado (vale entre duas montanhas) podemos comparar ao concorrente cauteloso, pois suas táticas não são rápidas, elas são tomadas com cautela.  No caso da guerra o inimigo pensa que tem a situação sob controle e no marketing o concorrente pensa que seus consumidores são leais ou não reagem por falta de condições financeiras ;
  5. Em terreno íngreme não se deve atacar o inimigo marchando para longe.  No marketing este mercado é difícil, portanto não vale a pena lutarmos contra os concorrentes neste mercado ;
  6. No terreno distante é muito difícil provocar a batalha, como com concorrentes seletivos, eles não reagem a todos os tipos de ataques, por exemplo, eles podem reagir a uma redução de preços mas não a uma aumento em gastos com propaganda.

 

        Segundo Sun Tzu 'quando as tropas debandam, se insubordinam, esmorecem, se desagregam ou são derrotadas, a culpa é do general. Nenhum destes desastres é atribuível a causas naturais.'  E assim ocorre no mundo dos negócios, quando uma empresa não consegue conquistar seu target, não consegue competir com a concorrência, é porque sua administração/marketing não estudou e analisou o mercado a fundo e não utilizou-se das táticas corretas.

 

        Sun Tzu diz : "Havendo igualdade das demais condições, se uma força atacar outra dez vezes maior, o resultado será a debandada."  No livro do Kotler fala-se sobre os concorrentes arrojados que são as empresas que reagem rápida e fortemente a qualquer iniciativa em seu território.

 

            "Quando um comandante, incapaz de estimar seu inimigo, usa uma força reduzida para enfrentar uma grande, ou tropas fracas para atacar uma forte, ou quando deixa de selecionar tropas de choque para a vanguarda, o resultado é a derrota".  (X. 15)

        A mesma coisa acontece quando se tenta derrotar concorrentes imprevisíveis, pois eles não demonstram um padrão de reação previsível, desta maneira a empresa se torna incapaz de estimar o concorrente.

 

        Na obra de Sun Tzu,  A Arte da Guerra podemos verificar que:

"A conformação do terreno é da máxima ajuda na batalha.  Portanto, estimar a situação do inimigo e calcular distâncias e o grau de dificuldade do terreno de modo a controlar a vitória são virtudes do general superior.  Quem luta com pleno conhecimento desses fatores está certo de vencer; quem não o faz, certamente será derrotado." (X. 17)

        No livro do Kotler há uma avaliação das Forças e Fraquezas dos Concorrentes, importantíssima para que a empresa conheça e identifique minuciosamente os recursos e a capacidades dos concorrentes.  A empresa deve reunir os dados recentes sobre os negócios de cada concorrente, principalmente vendas, participação de mercado, retorno sobre investimento, fluxo de caixa, novos investimentos e utilização da capacidade de produção.  As empresas colhem informações através de dados secundários, experiência pessoal e boatos e ainda podem fazer pesquisa de marketing com consumidores, fornecedores e revendedores.  Elas também devem identificar as oportunidades de marketing (área de necessidade onde a empresa pode atuar rentavelmente) e as ameaças ambientais (desafio atribuído a uma tendência ou desenvolvimento desfavorável que levaria, na ausência de ação de marketing defensiva, deterioração das vendas ou dos lucros).

Desta maneira, conhecendo exatamente o concorrente e o mercado a empresa saberá como agir para competir e se tornar líder.

 

 "Se eu souber que o inimigo é vulnerável ao ataque, mas não souber que minhas tropas são incapazes de atacá-lo, terei meia possibilidade de vitória".  (X. 23)

        Neste trecho Sun Tzu se refere à importância do fato de que as tropas do exército devem ser capazes de atacar para garantir a vitória.  Para isso, no marketing se faz periodicamente uma análise do Ambiente Interno, avaliando as forças e fraquezas de cada negócio:  a administração deve revisar as competências de marketing, financeiras, de produção e organizacionais do negócio.  Cada fator é classificado em termos de muito forte, pouco forte, neutro, pouco fraco e muito fraco.

       Englobando os dois itens anteriores de marketing: conhecer o concorrente e os seus próprios negócios para se tornar líder de mercado, criamos uma forte ligação para a próxima citação de Sun Tzu, A Arte da Guerra :

"Conheça o inimigo, conheça a si mesmo; sua vitória jamais correrá perigo. Conheça o terreno, conheça o clima; sua vitória será então total". (X. 26)

 


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A Arte da Guerra Aplicada ao Marketing - Parte 5

Disse Sun Tzu:


"Assim, marche por uma rota indireta e desvie o inimigo atraindo-o com uma risca. Desse modo, você poderá partir depois dele e chegar na sua frente. Quem é capaz disto compreende a estratégia do direto e indireto." (VII. 3)

"Quem quer agarrar uma vantagem toma uma rota tortuosa e distante e a torna o caminho curto. Transforma a desgraça em vantagem. Engana e ridiculariza o inimigo para torná-lo dilatório e frouxo e, depois, marcha em frente com rapidez." (VII. 3 Tu Mu)


A chave do sucesso de uma combinação das duas abordagens é adotar a linha de ataque que a concorrência menos espere.  Por exemplo, se você acredita que seu concorrente espera seu ataque no mercado australiano em determinada categoria de produto, poderia seguir com tal movimento.  Contudo, você o faria apenas para mascarar um golpe mais substancial, em uma categoria de produto mais importante, na Alemanha.

        Podem-se até combinar as duas abordagens para repelir um ataque.  Em 1991, a Southwest Airlines ingressou no mercado de viagens regionais da Califórnia e introduziu tarifas de US$ 59.  Em poucos meses, as empresas de aviação de tarifa normal, como a United, a American, a Delta e a USAir, reduziram substancialmente as operações ou abandonaram por completo o mercado, deixando a Southwest com 52% do mercado.  Nenhuma delas conseguiu igualar as tarifas econômicas ou o valor para o cliente da Southwest.

        Em 1994, a United Airlines decidiu retornar. No que o executivo principal da Southwest, Herb Kelleher, denominou um "ataque frontal", a United lançou seu programa U2, com a promessa de tarifas baixas combinadas com melhor serviço e um programa de milhagem mais amplo.  A United preferiu ignorar o conselho do presidente da America West Airline, Maurice Meyers, que disse: "Um ataque frontal à Southwest é imprudente para qualquer empresa".  Mas a United apostava que conseguiria atingir o custo menor por milha da Southest.

        Em vez de responder diretamente ao ataque frontal da United reduzindo ainda mais as tarifas, Kelleher optou por um plano de contra-ataque tríplice que misturava ataques diretos com indiretos. Primeiro, reduziria ainda mais os custos da Southewest, utilizando o sistema sem bilhetes da recém-adquirida Morris Air e fechando um acordo com os pilotos para reduzir os salários em troca de opções de ações e bônus ligados ao lucro. Essas providências reduziram os custos da Southwest em centenas de milhões de dólares e tornaram difícil, se não impossível, à United igualar sua estrutura de custos.  A seguir, Kelleher lançou um ataque indireto às rotas regionais de tarifa normal da United. Jinalmente, lançou outra ataque indireto, inaugurando novos vôos para competir com lucrativas rotas de longa distância da United.

 

"Alguém que mobiliza o exército inteiro atrás de uma vantagem não a obterá." (VII. 5)

"A proteção de muralhas de metal não é tão importante como cereais e alimento." (VII. 9 Li Ch'üan)

"Quem ignora as condições de montanhas e florestas, bem como de desfiladeiros, pântanos e charcos perigosos, não pode manobrar um exército." (VII. 10)

No início de 1994, a Novell adquiriu várias empresas de software para combater a Microsoft nos ramos de aplicativos integrados e sistemas operacionais, duas áreas fortes desta empresa. As aquisições totalizaram US$1,8 bilhão. Não apenas as pessoas do setor, mas também o mercado de ações tiveram dúvidas sobre essa estratégia, e as ações da Novell caíram 16% logo após o anúncio de uma incorporação.

Talvez o executivo principal da Novell deixasse que a amargura decorrente de duas tentativas frustradas de fusão com a Microsoft falasse mais alto.

"Próximos do campo de batalha, eles aguardam um inimigo vindo de longe; em repouso, aguardam um inimigo exausto; com tropas bem alimentadas, esperam tropas famintas. Isto é o controle do fator físico." (VII. 24)

        A GE escolheu uma abordagem semelhante ao investir em mercados geográficos emergentes.  Com o fim da Guerra Fria e a mudança para o capitalismo criaram oportunidades nos países em desenvolvimento ou em novo desenvolvimento.  Bilhões de dólares em capital estão sendo investidos antes que outras empresas entrem.  A GE considerou prioritário aplicar recursos na China, na Índia e no México.  Ela quer estar bem posicionada nos mercados de eletrodomésticos, motores a jato, plásticos e sistemas médicos e energéticos desde cedo.

        O executivo principal da GE, John Welch, acredita que investimentos nesses mercados crescentes mas ainda inexplorados poderão decidir o destino da empresa. Ele acha importante que a GE esteja bem estabelecida nesses mercados antes da chegada da concorrência e esteja pronta para lutar.

          

"Portanto, a arte do emprego de tropas é não confrontar o inimigo quando ele ocupar terreno elevado; quando estiver de costas para uma elevação, não se lhe opor."  (VII. 26)

 "Quando ele fingir uma retirada, não o persiga.  Não ataque suas tropas de elite.  Não morda as iscas oferecidas."
(VII. 27. 28. 29)

         Como um estrategista, é fundamental não apenas detectar onde existe fraqueza e atacar, mas também o ataque depois que a situação mudou.

        Por exemplo, uma nova oportunidade pode parecer promissora. Um novo mercado parece estar emergindo a várias pessoas em sua empresa dizem que é importante tomar parte.  Se a concorrência foi mais forte que sua empresa, deve-se esperar para não atacar imediatamente, pois há grandes chances de que o plano fracasse.  Deve-se esperar para que a fraqueza do inimigo surja.

 

"Não impeça um inimigo em seu retorno para casa." (VII. 30)

 "A um inimigo cercado deve-se deixar uma via de escape." (VII. 31)

"Mostre-lhe que existe um caminho para a segurança, despertando-lhe na mente a idéia de que há uma alternativa à morte. Depois, ataque." (VII. 31 Tu Mu)

"Não pressione um inimigo acuado." (VII. 32)

"Animais selvagens,  quando acuados, lutam desesperadamente. Quanto mais os homens! Se soubessem que não há alternativa, lutarão até a morte" (VII. 32 Tu Yü).

 

Disse Sun Tzu:

"Você não deve acampar em áreas baixas." (VIII. 2)

"Você não deve permanecer em áreas desoladas." (VIII. 4)

"Algumas estradas não devem ser trilhadas; algumas tropas não devem ser atacadas; algumas cidades não devem ser sitiadas; e algumas áreas não dever ser disputadas." (VIII. 7)

"Um general totalmente versado nas vantagens dos nove fatores variáveis sabe como empregar as tropas." (VIII. 9)

"O general que não entender as vantagens dos nove fatores variáveis não conseguirá explorar o terreno em seu proveito, ainda que familiarizado com ele."  (VIII. 10)

"Um território, embora possa ser disputado, não deve ser alvo de luta caso se saiba que, mesmo que seja conquistado, será difícil de defender e não fornecerá nenhum proveito, sendo provavelmente contra-atacado e sofrendo baixas."
 (VIII. 11 Chia Lin).

"Se eu quiser tirar proveito do inimigo, deverei perceber não apenas o proveito disso, mas primeiro considerar como ele poderá me prejudicar caso eu o faça." (VIII. 13 Mu Tu)

"É um preceito da guerra não supor que o inimigo não virá, mas estar preparado para enfrentá-lo; não confiar que ele não atacará, mas tornar a si próprio invencível."  (VIII. 16)

"O general deve se valer da habilidade de controlar a situação em se proveito conforme determina a oportunidade."
(VIII. 9 Chia Lin)

        Podemos citar a Southwest Airlines, cujo principal executivo, Hebert Kelleher, sempre instruía sua equipe no caso de mudanças, todos deveriam estar preparados, pois somente na mudança é que poderia estar a segurança da empresa.  Portanto, para reduzir o tempo que sua empresa leva para implementar decisões, focalize cada estágio de ciclo informação/decisão/ação de sua Empresa.

        Em 1981, a General Motors percebeu que não poderia continuar com a proposta de um novo automóvel pequeno, pois descobriu que os japoneses poderiam fabricar um por milhares de dólares a menos. Porém , em junho de 1982, a discussão de um novo automóvel pequeno foi reavivada com a percepção de que a GM teria de fazer coisas radicalmente diferentes para competir com os japoneses.

        Em parte por não agir rápido, a participação da GM no mercado norte-americano de automóveis caiu cerca de 45%, em 1980, para quase 30%, em 1990, a maior parte no segmento de automóveis compactos.

        A redução do tempo de tomada de decisões, pode aumentar a velocidade e o ritmo de seus ataques.  Isto, por sua vez, desequilibra seu concorrente, reduz-lhe a capacidade de reagir com eficácia e aumenta a possibilidade de surgimento de novas oportunidades.  Além de ser capaz de acompanhar o rápido crescimento do mercado onde atua.

        A empresa também pode atacar os planos do inimigo, fazendo um plano inverso, assim ele pode chamar a atenção do seu cliente.  Como no caso, o Listerine, como diz McMath (1998:69) "O Listerine original tem um gosto horrível, mas é o antisséptico bucal mais vendido no mercado há décadas.  As pessoas acreditam que Listerine mata os germes que causam o mau hálito, justamente porque ela tem um gosto tão ruim."

        Para ganhar um pouco desse mercado, a Pfizer lançou o Plax, um produto para enxagüe bucal, um método inverso ao Listerine.  O Plax solta as placas bacterianas que podem causar doenças na gengiva, devendo ser usado antes de escovar os dentes, e desse modo, tornou-se a terceira marca mais vendida no setor.

        Às vezes, devemos seguir uma direção diferente, se não há espaço suficiente para lutarmos junto ao líder de mercado, devemos procurar outras possibilidades, mesmo que seja uma mudança radical.

Disse Sun Tzu:

"Geralmente, ao tomar uma posição e confrontar o inimigo, tendo cruzado as montanhas, permaneça perto de vales. Acampe em terreno elevado de frente par ao lado ensolarado." (IX. 1)

"Quando um inimigo em avanço atravessar uma água, não o enfrente na beira da água. É vantajoso deixar que metade da força dele atravesse e, então, atacar." (IX. 9)

"Em terreno plano, ocupe uma posição que facilite sua ação. Com terreno mais elevado na retaguarda e à direita, o campo de batalha estará em frente e a retaguarda estará segura." (IX. 10)

"Um exército prefere o terreno elevado ao baixo, estima a luz solar e detesta a sombra. Assim, enquanto cuida da saúde, o exército ocupa uma posição firme. Um exército que não sofre de inúmeras doenças diz-se certo da vitória." (IX. 13)

"Quando nos flancos do exército existirem desfiladeiros perigosos, lagoas com vegetação aquática onde crescem canas e juncos ou montanhas arborizadas com matagal emaranhado e denso, vasculhe-os com cuidado, pois trata-se de lugares onde emboscadas são armadas e há espiões escondidos." (IX. 18)

"Quando o inimigo está próximo, mas em terreno baixo, depende de uma posição favorável. Quando desafia para a batalha de longe, quer induzir você a avançar, pois se está em terreno acessível é porque sua posição é vantajosa." (IX. 19)

"Poeira erguendo-se em altas e retas colunas indica a aproximação de carros de guerra. Quando ela paira baixa e dispersa. A infantaria está se aproximando." (IX. 23)

"Ora, quando o exército marcha, deve haver patrulhas na frente para observar. Caso detectem poeira erguida pelo inimigo, devem rapidamente informar o fato ao general no comando."
 
(IX. 23 Chang Yü)

" Se, sem nenhuma razão, alguém pede uma trégua, decerto a situação em seu país está perigosa, ele está preocupado e quer fazer um plano para ganhar tempo. ou ele sabe que nossa situação é suscetível às suas tramas e quer evitar nossa suspeita pedindo uma trégua. Então, tirará proveito de nosso despreparo." (Ch'ên Hao).


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A Arte da Guerra Aplicada ao Marketing - Parte 4

(III. 5 Wang Hsi)

  Se você não possui aliados, pode-se considerar transformar seus concorrentes em colaboradores.  Por exemplo, o Superbowl, é um campeonato de futebol americano realizado nos Estados Unidos.  Ele é formado pela união da Liga Nacional de Futebol com a Liga Americana de Futebol, juntas, conseguiram colocar o futebol à frente do beisebol, tornando-o o esporte preferido entre os americanos.

   

Disse o Grão Duque: " Quem se destaca na resolução de dificuldades o faz antes que surjam.  Quem se destaca na conquista dos inimigos triunfa antes que as ameaças se materializem." 
(III. 4 Tu Mu)

  Se o seu concorrente deseja lançar um produto com um grande diferencial, você pode contra atacar sem a necessidade de muitos recursos e tempo.  Simplesmente pode-se lançar dúvidas sobre esse diferencial, atacar o plano do inimigo, fazendo com que o consumidor passe a desconfiar, seria um ataque verbal que poderia começar a ser divulgado em feiras e mídia em geral.  Dará muito trabalho para a empresa restaurar a confiança de seu público alvo.


            "A invencibilidade jaz na defesa; a possibilidade de vitória, no ataque." (IV. 5)

"A pessoa se defende quando sua força é inadequada e ataca quando esta é abundante. " (IV. 6)

            "Osperitos em atacar consideram fundamental contar com as estações e as vantagensdo terreno; eles aproveitam inundações e incêndios de acordo com a situação.Eles tornam impossível ao inimigo saber onde se preparar. Desfecham o ataquecomo um raio do céu de nove camadas." (IV. 7 Tu Yu)

         Antigamente, os considerados versados na guerra conquistavam um inimigo quando era fácil fazer isso. O inimigo era conquistado facilmente porque os peritos haviam antes criado as condições para isso.

         Pois ele obtém suas vitórias sem errar. "Sem errar" significa que, faça que fizer, assegurará a vitória; ele conquista um inimigo já derrotado.

 

"No planejamento, jamais um lance inútil; na estratégia, nenhum passo em vão."  (IV. 12 Ch'ên Hao)

          Portanto o comandante hábil toma uma posição em que não pode ser derrotado e não perde nenhuma oportunidade de dominar o inimigo.

         Ora, os elementos da arte da guerra são: Primeiro, medição do espaço; segundo, estimativa de quantidades; terceiro, cálculos; quarto, comparações; e quinto, chances de vitória.

 

"... Ora, o exército, em sua forma, assemelha-se à água.  Tire proveito do despreparo do inimigo; ataque-o quando ele não esperar; evite sua força, golpeie o seu vazio e, à semelhança da água, ninguém conseguirá fazer-lhe oposição." 
(IV. 20 Chang Yü)

          Uma empresa líder, recusa-se a ficar satisfeita com a situação do mercado. Ela deve liderar o setor industrial com idéias sobre novos produtos e serviços ao consumidor, eficácia de distribuição e redução de custos. Mantém, crescentemente, sua eficácia competitiva e o valor que oferece ao consumidor. Aplica o princípio da ofensiva militar: O comandante exerce a iniciativa, estabelece o ritmo e explora as fraquezas do inimigo. A melhor defesa é o ataque.

         Mesmo quando a líder de mercado não lança ofensivas, deve proteger todos os frontes e não deixar flanco importante exposto. Deve manter seus custos baixos e os preços consoantes com o valor que os consumidores atribuem à marca. A líder deve "tapar buracos" para evitar a entrada de concorrentes.

          Podemos citar a Procter & Gamble, que é considerada a empresa mais hábil dos Estados Unidos em bens de consumo. Sua participação de mercado média está próxima a 25%. Sua liderança de mercado baseia-se em vários princípios:

-  Conhecimento do Consumidor: A P&G oferece um serviço de SAC, dando sugestões ou fazendo reclamações sobre seus produtos.

Perspectiva a Longo Prazo: A P&G analisa a oportunidade e prepara o melhor produto, comprometendo-se a longo prazo a tornar esse produto um sucesso.

- Inovação de Produto: Lançamento de marcas que oferecem novos benefícios aos consumidores, em vez de se contentar com marcas repetidas, mantidas por propaganda intensa.

Estratégia de Qualidade:  Uma vez lançado, o produto é continuamente melhorado.

-  Estratégia de Extensão de Linha de Produtos:  Fabrica suas marcas em diversos tamanhos e formas para satisfazer as várias preferências dos consumidores.

-  Estratégia de Extensão de Marca: Usufruto de nome de marcas fortes para lançar novos produtos.

-  Estratégia Multimarca: O propósito é desenvolver marcas que atendam a diferentes desejos dos consumidores e que competem com marcas de concorrentes específicos.

- Propaganda Intensa: Nunca economiza dinheiro para criar conscientização e preferência fortes junto aos consumidores.

Força de Vendas Agressiva: Nível eficaz em trabalhar com varejistas-chave para obter espaço de prateleira e cooperação para promoções e uso de displays nos pontos de venda.

Promoção de Vendas Eficaz: O departamento desenvolve uma forma especial de eficácia sob diversas circunstâncias tentando minimizar o uso da promoção de vendas, preferindo confiar na propaganda para construir preferência dos consumidores a longo prazo.

Força Competitiva: Está disposta a gastar muito dinheiro para deslocar novas marcas concorrentes, evitando que as mesmas ganhem preferência de mercado.

Eficiência em Produção e Redução de Custos: Gasta muito dinheiro para desenvolver e melhorar as operações de produção, mantendo seus custos entre os mais baixos do setor industrial.

Sistema de Gerência de Marca: Um executivo é responsável por determinada marca.

        A liderança de mercado da P&G não está baseada em fazer bem uma coisa, mas na orquestração bem-sucedida de fatores múltiplos que contribuem para essa liderança.

 

            "... Cada grupo se subordina ao superior e controla o inferior. Cada um é apropriadamente treinado. Assim, pode-se comandar uma tropa de um milhão de homens exatamente como se comandaria um pequeno grupo."  (V. 1 Chang Yü)

                        "As operações das forças extraordinárias e normal que garantem que o exército suportará o ataque inimigo sem ser derrotado."  (V. 3)

"A força que confronta o inimigo é a normal; a que lhe fustiga os flancos é a extraordinária.  Nenhum comandante de exército consegue arrebatar a vantagem do inimigo sem forças extraordinárias."  (V. 3 Li Ch'üan)

  Geralmente, na batalha, use a força normal para travar combate; use a extraordinária para vencer.  (V. 3)

 

            A empresa líder de mercado possui maior participação no mercado relevante do produto. Para permanecer como empresa dominante, a líder engaja-se procurando maneiras de expandir a demanda do mercado total identificando novos usuários, novos usos e maior taxa de uso de seus produtos. Segundo, tenta proteger sua participação atual de mercado através de uma estratégia de posição, flanco, antecipação de ataque, contra-ofensiva, móvel ou de contração. Terceiro, pode tentar aumentar sua participação de mercado, tal estratégia faz sentido se houver aumento da rentabilidade nos níveis mais elevados de participação de mercado e se a empresa não precisa preocupar-se com ações antitruste.

            Líder de mercado em biscoitos, a Nabisco criou uma defesa de flanco altamente bem-sucedida com a introdução de sua linha de bolos com baixo teor de gordura, a SnackWells. Seguindo a obsessão dos EUA por produtos de baixo teor de gordura, a SnackWells transformou-se em dois anos em uma megamarca com faturamento de $400 milhões. À medida que os concorrentes passaram a lançar linhas similares, a Nabisco flanqueou sua marca estendendo-a a novas áreas de produto como sorvete e doces congelados, tortas e uma linha de iogurte de chocolate.

 

         "Geralmente, quem ocupa o campo de batalha primeiro e aguarda o inimigo está descansado; quem chega à cena mais tarde e corre para a luta está fatigado."  (VI. 1)

"Apareça em lugares aos quais ele tenha de ir correndo; mova-se rapidamente onde ele não o espera." (VI. 5)

"Ocupe o vazio, ataque as brechas, contorne o que ele defende, atinja-o onde ele não espera." (VI. 6 Ts'ao Ts'ao)

            "Ter certeza de tomar o que se ataca é atacar um lugar que o inimigo não protege. Ter certeza de manter o que se defende é defender um lugar que o inimigo não ataca." (VI. 7)

"Faço o inimigo ver minhas forças como fraquezas e minhas fraquezas como forças, enquanto transformo suas forças em fraquezas e descubro onde ele não é forte...  Escondo meus rastros de modo que ninguém consiga me ouvir."
(VI. 9 Ho Yen-hsi)

            "O inimigo não deve saber onde pretendo travar batalha. Pois, se não souber onde pretendo travar batalha, terá de se preparar em inúmeros lugares. E quando se prepara em inúmeros lugares, aqueles que terei de enfrentar em qualquer lugar específico serão poucos." (VI. 14)

"Ainda que o inimigo seja numeroso, se ele não conhecer as condições de  minhas tropas, poderei fazer com que se envolva tanto com os próprios preparativos que não tenha tempo para planejar me combater." (VI. 19 Chia Lin)

            "Distinga suas formações e, assim, conheça o campo de batalha.  Sonde-o e descubra onde sua força é abundante e onde é deficiente."  (VI. 22. 24)

 

             A adoção das metas e estratégias dos concorrentes de uma empresa depende de seus recursos e capacidades. Como primeira etapa para identificar as forças e fraquezas dos concorrentes, a empresa precisa reunir informações recentes sobre os negócios de cada um deles, incluindo dados sobre vendas, participação de mercado, margem de lucro, retorno sobre o investimento, fluxo de caixa, investimentos novos e nível de utilização da capacidade de produção.

         A menos que uma empresa dominante desfrute um monopólio legalmente reconhecido, sua vida não é nada fácil. Deve manter vigilância constante porque outras empresas podem desafiar suas forças ou tirar vantagem de suas fraquezas. A líder de mercado pode facilmente falhar e cair para um segundo ou terceiro lugar.

          Por mais de 100 anos, a Eastman Kodak era conhecida por suas câmeras fotográficas fáceis de usar, filmes de alta qualidade e lucros sólidos. Mas, durante a última década, as suas vendas ficaram estacionadas e os lucros declinaram. Ela vem sendo superada por concorrentes mais inovadores, muitos dos quais são japoneses, que lançaram câmeras de 35mm., vídeofilmadoras e laboratórios que revelam filmes em 1 hora. Entretanto quando a Fuji Photo Film entrou no mercado "filé mignon" de filmes coloridos da Kodak, esta enfrentou seriamente um desafio.

         A Fuji entrou no mercado norte-americano oferecendo filmes coloridos de alta qualidade a preços 10% inferiores aos da Kodak, conquistando o mercado de filmes de alta velocidade, conseguindo também superar a Kodak ao tornar-se fornecedora oficial de filmes nos Jogos Olímpicos de Los Angeles, em 1984.

         A Kodak lutou bravamente para proteger sua participação de mercado. Acompanhou os preços baixos da Fuji e implementou uma série de melhorias no produto. Superou a concorrente na razão de 20 para 1 em propaganda e promoção, pagou $ 10 milhões para patrocinar os Jogos Olímpicos de Seul, em 1988, e garantiu os direitos para patrocinar os Jogos Olímpicos de Barcelona, em 1992.

         Além disso, a Kodak aproveitou a batalha para dar um passo à frente: adotou medidas agressivas para aumentar sua presença e vendas no japão. Criou uma subsidiária separada, a Kodak Japan, e triplicou o número de funcionários no país. Comprou uma distribuidora japonesa, desenvolveu seu marketing e treinou a força de vendas. Investiu em um novo centro tecnológico e uma unidade de pesquisa. Finalmente, aumentou intensamente sua promoção e propaganda no país. Agora, a Kodak Japan está patrocinando tudo, desde programas de entrevistas a torneios de sumô.

         A Kodak obterá muitos benefícios decorrentes de seu ataque no mercado japonês. Primeiro, o Japão oferece grandes oportunidades para aumentar suas vendas e lucros: seu mercado de filme e papel fotográficos de $ 1,5 bilhões é o segundo do mundo, superado apenas pelos EUA. Segundo, grande parte da tecnologia fotográfica atual origina-se no Japão. Assim, a Kodak mantém-se atualizada com os últimos desenvolvimentos na área fotográfica. Terceiro, sua presença física e os contratos de joint ventures no Japão a ajudarão a obter novos produtos para os EUA e outros mercados mundiais. Ela colhe um benefício muito importante decorrente de seu ataque ao mercado japonês: se a Fuji destinar grandes recursos para defender seu mercado doméstico contra os ataques da Kodak, terá menos recursos para usar contra a Kodak nos EUA.


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A Arte da Guerra Aplicada ao Marketing - Parte 3

Temos a tendência de enfrentar nossos concorrentes de forma direta e frontal, e geralmente essa não é a melhor saída.  Uma que, a empresa já estabelecida já possui conhecimento da área e possui um relacionamento maior com os consumidores, uma empresa que a enfrenta, certamente não poderá ser bem sucedida.

        Se nosso concorrente obteve sucesso, achamos que essa mesma tática se aplica à nossa empresa.  Desse modo estaremos enfrentando o ponto mais forte da empresa, justamente o ponto onde nós mesmos estaremos completamente indefesos.

 A AT&T é um exemplo de Arnst, citado por McNeilly (1998:19):

"Uma empresa que seguiu essa lógica foi a AT&T, com sua incursão no mercado de informática.  Na década de 1980, à medida que os setores de comunicações e informática se tornaram mais entrelaçados, a AT&T teve a idéia de atacar a IBM, a DEC, a Hewlett-Packard e outras com sua própria linha de computadores. Com muito dinheiro, a jóia da tecnologia Bell Labs e a posse do sistema operacional UNIX, os executivos da AT&T devem ter se sentido seguros do sucesso. Após oito anos, milhares de demissões e US$ 2 bilhões em prejuízos, os executivos da empresa perceberam que a tentativa falhara.  Assim, em 1991, a AT&T assumiu agressivamente o controle acioná­rio da NCR por US$ 7,5 bilhões, pagando 20% além do valor de mercado para outro ataque a esse mercado.  E outra vez, se deu mal.  Em 1994, a AT&T abandonou a marca NCR, substituindo-a por AT&T Global Information System (GIS), esperando que uma terceira investida fosse enfim recompensa­da.  Ao cabo de 1995, a AT&T finalmente desistiu.  Após perder US$ 3 bilhões desde a fusão, a AT&T contabilizou uma dívida incobrável de US$ 1,5 bilhão, demitiu mais 8.500 funcionários e se desfez do controle acionário da GIS (que voltou a ser NCR). Sem dúvida, o erro da AT&T de confiar na imitação competitiva e no tamanho bruto para atacar diretamente grandes concorrentes é um caso clássico de ataque frontal fracassado."

        Esse exemplo da AT&T nos mostra que o ataque direto não é nada criativo, pois somente mede forças até que alguém se esgote, e geralmente quem é desafiado não desiste facilmente.  Se a empresa enfrenta uma, é necessário que ela saiba que seus recursos serão exigidos até se esgotarem, e isso é muito arriscado, portanto, a empresa desafiante necessita de tanto armamento quanto a outra.

 

" Se suas tropas forem inferiores às do inimigo, adie temporariamente o ataque inicial.  É provável que mais tarde você consiga aproveitar um ponto fraco.  Então, anime-se e busque a vitória com espírito determinado.  (III. 16 Tu Mu)

"Crie um exército invencível e aguarde o momento de vulnerabilidade do inimigo." (III. 28 Ch'ên Hão)

A importância de se analisar os negócios da concorrência é fundamental, pois é por esse modo que poderemos identificar os pontos vulneráveis dele.  Se ele possui um produto bom, mas não é encontrado em lugar algum, é preciso de elaboremos um plano de distribuição eficiente, se os fornecedores fazem parte do problema do concorrente, que ataquemos com fornecedores eficientes e de qualidade, e podemos prosseguir estendendo boas relações com distribuidores e criando promoções atraentes para os consumidores.

 É importante reconhecer que nem sempre a época é propícia para o ataque, assim como o mercado não é o mercado ideal.  Arriscar-se por simplesmente achar que a empresa deve mostrar-se no mercado não é uma atitude inteligente, se a empresa não está estrategicamente preparada e estruturada, ela certamente não estará apta a enfrentar um combate.

 

 " Conheça seu inimigo e conheça a si mesmo, em cem batalhas, nunca correrá perigo." (III. 30)

  " Quando você desconhece o inimigo mas conhece a si mesmo, suas chances de vencer ou perder são iguais."  (III. 31)

  " Se desconhecer o inimigo e a si mesmo, decerto correrá perigo em cada batalha." (III. 32)

  Para atacar os pontos fortes e fracos da concorrência, é necessário que a empresa conheça também suas forças e vulnerabilidades. 

  Informações sempre atualizadas sobre quem são os consumidores de sua empresa, quais sãos seus lucros, prejuízos, distribuidores mais eficientes, ofertas rentáveis ou menos rentáveis, qual o ciclo de vida do seu produto, sazonalidade, quem são seus funcionários mais produtivos e criativos.  As informações internas de sua empresa valem tanto quanto conhecer os concorrentes.

  Um Sistema de Informações de Marketing possui participação fundamental no processo de análise e execução do planejamento estratégico, existem empresas que possuem um setor responsável por reunir essas informações, outras compram de outras empresas ou os próprios administradores conseguem informações por revistas, livros, jornais e outros meios.

   

" Aquele cujas fileiras estiverem unidas no propósito sairá vitorioso."  (III. 27)

  " Um soberano de elevado caráter e inteligência tem que ser capaz de distinguir o homem certo, delegar-lhe a responsabilidade e esperar resultados."  (III. 29 Wang Hsi)

  " O soberano que obtiver a pessoa certa prosperará.  Um que não o fizer irá à ruína." (III. Chang Yü)

  Fazer com que os estrategistas recebam sempre dados reais e atualizados faz com que as chances de fracasso de um plano de marketing sejam mínimas.  Por exemplo, a Borden, Inc. foi uma das piores empresas do setor alimentício de 1993.  No ano de 1992 suas vendas eram de US$ 7,1 bilhões, e caíram para US$ 5,5 bilhões em 1993.  O executivo da empresa da época disse que os péssimos controles internos foram a principal causa.  A fixação de preços foi um assunto contraditório, e quarenta gerentes regionais que possuíam autonomia de preços foram despedidos, ocasionando uma perda de fonte de informações, pois a empresa deixou de expandir seu mercado.  Um outro fator, é que os sistemas de informática da empresa eram incompatíveis, e o esforço para reparar todos os danos resultou em fracasso.  Depois de todos esses desastres, o principal executivo da empresa foi forçado a pedir demissão, assim como outros altos dirigentes e a empresa foi colocada à venda mais tarde.

  A empresa que possuir mais informações sobre clientes terá uma larga vantagem competitiva, pois poderá tomar decisões mais rapidamente e com precisão, eliminará intermediários e terá uma relação maior com o seu cliente.  

Reunir os tomadores de decisão é importante para manter a unidade de uma empresa, fazer com que tomem decisões juntos e analisem possibilidades para entrarem em acordo e agir de forma coordenada, cada um possui seu papel que possibilitará o sucesso da empresa.

 

  " ... Exigir que um general aguarde ordens do soberano em tais circunstâncias é como informar a um superior que se deseja apagar um incêndio..." (III. 29 Ho Yen-hsi)

  Assim como empregar pessoas habilitadas nos setores corretos da empresa, é importante deixar-las agir como devem.  O presidente e executivo principal da Zenith Electronics, Jerry K. Pearlman foi citado por McNeilly (1998:118) como uma pessoa que não deixaram agir como deveria.  Pearlman foi extremamente supervisionado devido prejuízos de US$ 330 milhões de 1989 a 1993.  O conselho diretor monitorou vinte áreas de desempenho empresarial, chegando até a interferir em questões operacionais.  Houve também a contratação de F. Moschner como presidente e superintendente operacional para ajudar Pearlman.

O principal executivo da Zenith não conseguia tomar nenhuma decisão de risco, pois sempre haveria alguém para julgar suas decisões e prestes a tomar o seu lugar na empresa.  Nenhum resultado produtivo poderia ser apresentado nessa situação, além de que Pearlman recebia um alto salário sem poder exercer sua função.  Somente depois de seis anos Pearlman aceitou deixar o cargo, e Moschner foi promovido.

   

  " Se um ignorante das questões militares for enviado para participar da administração do exército, em cada movimento imperará o desacordo e a frustração mútua e todo o exército será tolhido."  (III. 22)

  Se a empresa busca a atualização de seus funcionários e investir em seu pessoal, ela pode criar um exército poderoso, incentivado e integrado, que possuirá identidade com a corporação.

  O funcionário que estiver em seu cargo por mais tempo (além de dois anos) e for incentivado a isso, será muito mais produtivo e reduzirá custos para a empresa.

  Kevin Kelly e Peter Burrows, citado por McNeilly (1998:76) nos dão um exemplo de aprendizado organizacional:

  " A Motorola Inc. é uma empresa que leva a sério o aprendizado organizacional.  Em 1993, a Motorola investia o equivalente a 4% de sua folha de pagamentos em treinamento, situando-se no topo da lista junto com a General Electric.  Gasta esse dinheiro em coisas como redução do tempo do ciclo, primeiro empenhando-se em reduzir e, depois, criando um curso para ajudar os funcionários a aprender como fazê-lo.  Também criou uma rede com quatorze centros de treinamento denominada Universidade Motorola.  Essa instituição, além de ensinar habilidades interfuncionais como a resolução criativa de problemas e habilidades específicas como a operação de robôs, também serve para disseminar a cultura da Motorola entre todos os funcionários.  O resultado:  uma produtividade que dobrou entre 1987 e 1993 e economia de US$ 4 bilhões."

 

"A pior política é atacar cidades.  Ataque cidades apenas na ausência de outra alternativa." (III. 7)

  Se a empresa deseja atacar a concorrência, é necessário cautela e paciência, um plano de qualidade demora para ser elaborado.  É preciso que se ganhe mercado aos poucos, atacando as empresas de menor porte, um de cada vez, antes que eles resolvam atacar sua empresa.  Com novos consumidores, é possível enfrentar as grandes empresas com muito mais poder.

  O sucesso da Wal-Mart é um exemplo disso, ela utilizou seu grande poder de compra aliado a uma distribuição eficiente e conseguiu retirar os concorrentes menores do mercado.  Esses pequenos concorrentes estavam localizados onde o líder de mercado menos esperava, nas pequenas cidades.

   

"A suprema excelência na guerra é atacar os planos do inimigo." (III. 4 Li Ch'üan)  

"A melhor coisa, depois disso, é destruir as alianças do inimigo." (III. 5)

  "A melhor coisa, em seguida, é atacar seu exército." 
(III. 6)

    McNeilly (1998:97) cita um exemplo de Larry Light e Julie Tilsner que ilustra esses ditados:

  " A tomada de controle acionário da Rover Group britânico pela BMW em 1994 rompeu a estreita aliança da Honda com a Rover.  A Honda detinha uma participação acionária de 20% da empresa e sua estratégia a longo prazo era fazer da Rover um trampolim para a Europa.  Desse modo, a Honda aumentaria sua baixa participação no mercado europeu.  Em vez disso, com a rápida incorporação da Rover pela BMW, foi esta que aumentou sua participação no mercado automobilístico europeu, instantaneamente dobrando-a.  Os executivos da Honda ficaram abismados;  sua estratégia européia ficou em frangalhos.  No final, a Honda acabou vendendo sua participação acionária na Rover e foi forçada a repensar sua estratégia européia."

   

  " Examine a questão de suas alianças e faça com que sejam rompidas e dissolvidas.  Se um inimigo tiver alianças, o problema será menor e a posição do inimigo, fraca." 


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A Arte da Guerra Aplicada ao Marketing - Parte 2

Se a General Motors deixasse clara sua missão global, cada setor poderia formular sua própria estratégia, sem fugir da missão principal.  A manutenção dessa missão global mantêm os limites claros, a empresa atualizada e integrada.

        A empresa fornece provisão para seu exército através da alocação de recursos para cada Unidade Estratégica de Negócio.  Essa alocação pode ser feita sob o enfoque da Boston Consulting Group, a Matriz BCG.  Os produtos são classificados pela sua taxa de crescimento de mercado e sua participação relativa de mercado, como na figura a seguir:

Estrelas

Negócios Oportunidades bem sucedidos, é líder em um mercado de alto crescimento.  Requer altos investimentos para defender-se dos concorrentes.  Geralmente rentáveis e futuros Geradores de Caixa.

Oportunidades

Alta taxa de crescimento, mas com baixa participação de mercado.  Exige grande investimento para que a empresa possa crescer e prosperar em um mercado de rápido crescimento.

Geradores de Caixa

Negócios Estrela, com menos de 10% de crescimento de mercado, mas com alta taxa de participação de mercado.  Produz muito dinheiro para a empresa e não requer muitos investimentos.  Sustenta negócios Estrela e Abacaxis.

Abacaxis

Baixa participação de mercado em um mercado de baixo crescimento.  Pouco lucro ou geram prejuízo.  Muitos administradores os mantém por razões sentimentais, mas precisam ser eliminados ou desacelerados.

î Taxa de crescimento         -> Participação relativa de mercado

         Os administradores sentem mais compaixão por um produto que está perdendo mercado ou que está defasado.  Esta é uma atitude errada, já que fica claro que um produto novo necessita de tantos reforços do que aquele que já realizou sua missão.  Levantar as vendas de um produto/serviço que está desacelerando no mercado gera muito esforço por parte da empresa, enquanto o seu foco deveria estar no produto que mais gera lucros.

       A expectativa de sucesso é motivador, e mais certa do que a triste visão de um produto que está morrendo.  O fracasso deve ser deixado para trás, pois certamente a concorrência será menos piedosa com seu produto fraco.

        A Matriz GE (General Electric) também pode ser utilizada.  Essa matriz avalia o negócio da empresa sob a atratividade de mercado e sua posição competitiva.

        A Saturn Corporation, da General Motors não conseguia renovar os estoques de seus revendedores em 1993.  Foi realizada uma campanha publicitária aliada aos automóveis bem bolados, que surtiu sucesso.  A satisfação dos clientes foi melhor que a apresentada pelos clientes da Acura, Mercedes Bens e Toyota, e a Saturn recebia cartas com elogios de clientes, assim ela começou a ganhar o mercado da Honda e da Toyota.

        Mas no começo de 1994 a Saturn não conseguia diminuir seu crescente estoque de automóveis e havia planos de lançar carros maiores e mais rentáveis.  Decidiu-se então para de aplicar capital na Saturn, justamente no momento em que seus negócios estavam em alta.  A conseqüência foi que a Saturn não conseguiu mais modernizar-se e teve que adiar todos os seus planos.

 

" Toda operação militar baseia-se na simulação." (I. 17)

  " Irrite o general inimigo e confunda-o.  Se o general inimigo for obstinado e propenso à raiva, insulte e enfureça-o, de modo que ele fique irritado e confuso e, sem nenhum plano, avance de modo imprudente contra você."  (I. 22 Sun Tzu e Chang Yü.)

        Não fale abertamente de suas intenções, não deixe que o inimigo conheça seus diferenciais e estratégias antes de serem postas em prática, senão o concorrente pode antecipar-se e o que você considerava inovação resultará em imitação.

        Quando perguntarem o que sua empresa realizará no futuro, você não deve sentir-se obrigado a revelar todos os seus planos somente para mostrar que está produzindo.  Todas as informações de sua empresa são confidenciais por menores que sejam.  Deixe claro que as possibilidades são muitas e as conclusões infinitas.

        Se a empresa concorrente pensar que você entrará com força total em um mercado, deixe que ela se preocupe com isso, despiste-a.  Ela estará gastando esforços descobrindo dados que na realidade não existem e esperando um ataque no lugar errado.

 

 

 

Este capítulo caracteriza-se mais pelo estudo do concorrente, analisando suas táticas e planos, o que possibilitará detectar pontos fortes e fracos não só da concorrência, mas também de sua própria empresa.

"Substitua as bandeiras e estandartes do inimigo pelas suas, misture os carros de guerra capturados com os seus e monte neles." (II. 18)

"Trate bem os cativos e cuide deles." (II.19)

"Isto denomina-se "vencer uma batalha e ficar mais forte." 
(II. 20)

          Os ataques sutis, mais indiretos e visíveis se mostram mais eficientes, pois desse modo, não fazem com que o concorrente reaja de modo imediato.  O fator de principal de uma boa estratégia é fazer com que essa reação seja retardada, assim é possível ganhar espaço no mercado enquanto outras empresas de adequam a nova situação.

 

"Quando o exército trava campanhas prolongadas, os recursos do Estado são insuficientes." (II. 4)

"Embora tenhamos ouvido de operações militares atrapalhadas mas rápidas, ainda não ouvimos operação brilhante que tenha sido prolongada." (II. 5)

"Pois jamais um país se beneficiou de uma guerra prolongada." (II 7)

        Se uma estratégia envolve alguma alteração de preço, torna mais óbvio a reação quase imediata da concorrência.  Esta tática envolve riscos, pois não é viável apenas planejar o ataque à concorrência apenas em preços, pois em uma guerra constante, quem ganha é o consumidor, e a empresa mais fraca pode extinguir-se.  A guerra envolve o uso de vários recursos da empresa, e esses recursos podem acabar uma hora, deixando-a indefesa.  É preciso refletir para que descubramos se a empresa mais fraca, é a nossa própria. 

 

" Os competentes na condução da guerra não necessitam de um segundo recrutamento de soldados nem de mais uma provisão." 
(II. 9)

        Se o objetivo é o sucesso, e obviamente é, é preciso que se planeje todos os detalhes de ataque, não é possível que se lance à guerra com provisões insuficientes e capacidade abaixo das expectativas.

        É necessário que se crie alternativas e planos de ataque para cada fraqueza e força de sua empresa e procure antecipar a atitude de seu concorrente, acompanhe a evolução e tendência do mercado de atuação, atualize seu produto com a ajuda da tecnologia conforme essas mudanças.  É o seu produto que deve estar adaptado às necessidades e desejos de seu cliente.

 

        

        Este capítulo pode ser identificado com o Sistema de Inteligência (ou Informação) de Marketing.  Esse sistema visa fornecer informações sobre o desenvolvimento do ambiente de marketing, através de procedimentos e fontes usados por administradores para uma tomada de decisão.

 

"Seu objetivo deve ser tomar Tudo-sob-o-Céu intacto.  Assim, suas tropas não se desgastarão e seus ganhos serão completos.  Nisso consiste a arte da estratégia ofensiva." 
(III. 11)

        O termo "tomar Tudo-sob-o-Céu intacto" significa capturar o mercado, dominar.  Esse domínio pode se dar pela liderança tecnológica, memória da marca na mente dos consumidores, liderança de preços, participação de mercado entre outros.

        As empresas que dominam um mercado, ou um segmento, são capazes de ditar as regras e a evolução, estabelecendo assim uma confortável posição competitiva, maior relação com os clientes, conseguem realizar a economia de escala e uma distribuição mais eficiente.

        Um exemplo muito claro nos dias de hoje que podemos ilustrar, seria a Microsoft, que domina o mercado de software para sistemas operacionais de computadores pessoais, assim, seus (pequenos) concorrentes sempre ficam apreensivos quando lançam um produto, pois sabem que a Microsoft pode revidar com muito mais força.

"Em geral, na guerra a melhor política é tomar um Estado intacto;  arruiná-lo é menos recomendável." (III.1)

"Capturar o exército inimigo é preferível a destruí-lo; tomar intacto um batalhão, uma companhia ou um pelotão de cinco homens é preferível a destruí-los." (III. 2)

        Isso significa, que a busca de liderança de um mercado não deve ser feito de forma desmedida a ponto de aniquilar seus concorrentes, pois desse modo, você também destrói o mercado, e conseqüentemente sua própria empresa.

        Dentre muitos exemplos que podem ser citados, colocaremos um de McNeilly (1998:5):

"Antes de abril de 1993, a Philip Morris era proprietária da marca comprovadamente mais rentável do mundo, a Marlboro.  Em 1992, mais de 124 bilhões de Marlhoros foram vendidos apenas nos Estados Unidos. (...) Contudo, o Marlboro vinha lentamente perdendo participação no mer­cado para marcas mais baratas de cigarro.  Assim, em um esforço para golpear com força os concorrentes e recuperar participação no mercado, o executivo principal da Philip Morris concordou em reduzir em 40 cents, ou 20%, o preço do maço de cigarros. Essa estratégia baseou-se em um único teste de mercado no Oregon, onde o Marlboro conseguiu recuperar quatro pontos de participação no mercado sobre as marcas mais baratas. (...) Os outros grandes protagonistas do setor reduziram drasticamente os preços e logo ninguém mais estava ganhando dinheiro.  A própria Philip Morris perdeu US$1 bilhão em lucros e Wall Street reagiu reduzindo o valor de mercado da empresa em US$ 13,4 bilhões..."

 

"Se o general não conseguir controlar a impaciência e ordenar às suas tropas que trepem muralha acima como formigas, um terço delas será morta sem tomar a cidade.  Tal é a calamidade desses ataques." (III. 9)

"O imperador T'ai Wu conduziu cem mil tropas para atacar o general Tsang Chih, de Sung, em Yu T'ai. Primeiro, o imperador pediu vinho a Tsang Chih (como era de costume antes da batalha). Este lacrou um pote cheio de urina e lho enviou. T'ai Wu, transportado pela raiva, imediatamente atacou a cidade, ordenando às suas tropas que escalas­sem as muralhas e travassem combate corpo a corpo. Cadáveres se empilharam até o topo das muralhas e, após trinta dias de luta, os mortos excediam metade de sua força." (111.9 Tu Mu)

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A Arte da Guerra Aplicada ao Marketing - Parte 1

Introdução:

        A obra de Sun Tzu,  A Arte da Guerra, foi escrita na época em que um Estado só possuía chances de prosperar através da batalha: adquirindo territórios, pilhando riquezas, subjugando povos, ou por meio de um acordo de cordialidade: as alianças.

        Nos dias de hoje, as citações de Sun Tzu deixaram de atuar apenas na esfera militar, passando a atuar também em uma guerra diferente, mas igualmente perigos: a guerra dos negócios.   É incrível analisar a obra e ver que aplica-se perfeitamente às situações empresariais, sendo inclusive citada em inúmeros livros de estratégia, marketing, administração e outros.

        As empresas possuem recursos, como os países.  As ocidentais possuem a visão de que a empresa existe para gerar lucro para seus acionistas, as orientais possuem a visão de que a empresa deve fornecer empregos.  Por mais diferentes que sejam, o objetivo de ambas as é de que a empresa deve sobreviver e prosperar.

        Uma concorrência que preza a criatividade, leva prosperidade não só para a empresa, mas para todo o mercado, com produtos, serviços e preços variados para os consumidores, não sendo necessária a aniquilação de seus concorrentes e sim, a criação de novas categorias de produto.

        O empresário que busca analisar constantemente os objetivos de seu negócio, e elaborando estratégias sob o ponto de vista de Sun Tzu poderá enfrentar a guerra com muito mais tranqüilidade e sabedoria, do que enfrentar a guerra com todas as suas armas empunhadas.

 

 

Quando Sun Tzu diz:

"A guerra é uma questão de vital importância para o Estado; o palco da vida ou morte; a estrada para a sobrevivência ou ruína.  É imperativo que seja estudada em detalhes." (I. 1)

   

        Podemos ver que, se aplicado ao marketing, esse ditado refere-se ao planejamento estratégico da empresa.  O Estado seria caracterizado como a própria organização, e a guerra seria a disputa dentro do mercado de atuação e se essa guerra não for bem planejada e instrumentada, pode ocasionar a morte da organização.

 

Segundo Kotler (1994:69),  "planejamento estratégico orientado para o mercado é o processo gerencial de desenvolver e manter uma adequação viável entre os objetivos, experiências e recursos da organização e suas oportunidades em um mercado continuamente mutante..."

  Três idéias podem definir o planejamento estratégico:

-         A primeira seria administrar os negócios da empresa conforme seu potencial de lucro e crescimento, assim, seria fácil decidir cobre qual deles seria mantido, eliminado, descontinuado aos poucos ou construído;

-         A segunda idéia é avaliar o potencial de lucro futuro de cada negócio, considerando o crescimento de mercado e o posicionamento da empresa;

-         A terceira, é definir uma estratégia para cada negócio, definindo objetivos, oportunidades, habilidades e recursos.

 

        Sun Tzu lista cinco fatores que devem ser considerados para uma boa estratégia de guerra: influência moral, clima, terreno, comando e doutrina.

 

  "Por influência moral, refiro-me ao que faz o povo estar em harmonia com seus líderes, de modo que os acompanhe na vida e para a morte sem medo de perigo mortal". (I. 4)

        Como influência moral em uma organização, podemos considerar a missão corporativa, que é a razão da existência da empresa, seu propósito.  A missão corporativa inclui a missão, que possibilita que seus administradores e funcionários sigam um caminho que levará ao sucesso da empresa, concentrando esforços em um único foco.

 

"Por clima, refiro-me à interação de forças naturais;  os efeitos do frio hibernal e do calor estival e a condução de operações militares de acordo com as estações." (I. 5)

        O clima, como interação de forças naturais, pode ser compreendida como os fatores de ambiente externo à empresa, o microambiente (consumidores, concorrentes, ponto de venda, fornecedores) e macroambiente (forças demográficas, econômicas, tecnológicas, políticas, culturais). 

        A análise do ambiente externo possibilita a detecção de oportunidades e ameaças no mercado onde se atua, a empresa adaptando-se à forças desse ambiente não enfrentará grandes riscos e dificuldades.

 

"Terreno refiro-me a distâncias, se a área é transposta com facilidade ou dificuldade, se é aberta ou fechada, e as chances de vida ou morte." (I.6)

        O terreno de marketing seria o próprio mercado de atuação da empresa.  Se a empresa decide desenvolver um produto, é fundamental que ela estude a reação da concorrência, o consumidor, o ponto de venda, não esperando que o mercado se adeque ao produto, é necessário desenvolver um produto que satisfaça as necessidades e desejos do consumidor. 

        Para conhecer expectativas e desejos do consumidor que se deseja atingir, se faz necessário uma pesquisa de mercado e uma análise de resultados profunda, para conhecer o tamanho e o potencial que este mercado representa para a empresa.  A equipe de vendas é uma rica fonte de dados, já que eles estão em contato direto com seus consumidores e distribuidores.

        Estudando o mercado, é possível detectar nichos de mercado pouco ou não explorados, sendo possível definir como um terreno transposto com facilidade, se ingressar em um mercado muito concorrido, a empresa certamente enfrentará dificuldades.

 

  "Por comando, refiro-me às qualidades de sabedoria, sinceridade, humanidade, coragem e rigor do general." (I. 7)

Quem tem os oficiais e homens melhor treinados; (I. 12)

E quem ministra recompensas e punições com mais sabedoria; 
(I. 13)

Serei capaz de prever qual lado sairá vitorioso e qual será derrotado." (I. 14)

        Harrel, citado por Kotler (1994:70), define o comandante de marketing:

"... o administrador de marketing é o colaborador funcional mais importante no processo de planejamento estratégico, com papéis de liderança na definição da missão da empresa; na análise ambiental, competitiva e nas situações específicas dos negócios;  no desenvolvimento de objetivos, metas e estratégias; na definição de produto, mercado, distribuição e dos planos de qualidade para implementar as estratégias da empresa.  Este envolvimento estende-se ao desenvolvimento de programas e planos operacionais, plenamente relacionados com o plano estratégico."

   

"Por doutrina, refiro-me à organização, controle, atribuição do posto apropriado aos oficiais, a regulação das rotas de suprimento e a provisão dos itens importantes usados pelo exército." (I. 8)

        O estabelecimento de Unidades Estratégicas de Negócios pode muito bem ilustrar essa citação de Sun Tzu, pois se as empresas administram vários negócios, nada mais prático é eficiente do que criar divisões de trabalho.  Cada uma com sua própria estratégia, responsabilidades e objetivos, que facilitarão a identificação de ameaças e oportunidades dos produtos/serviços.

        McNeilly (1998:123) nos dá um ótimo exemplo corporativo, onde a organização foi o ponto principal:

 

" No ano de 1980 até o início de 1990, a General Motors sofreu pela falta de clareza em suas missões de suas divisões, as fronteira tornaram-se confusas e cada divisão passou a produzir uma linha mais ampla de automóveis, cada divisão tentou significar coisas diferentes para pessoas diferentes que acabou desperdiçando os recursos da empresa, criando uma diferenciação difícil para os consumidores, resultando em perda de participação de mercado."


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Como vencer os sentimentos negativos - Parte 31

Sua riqueza inexplorada

É uma tragédia que, através da história, tão poucas pessoas tenham explorado plenamente suas potencialidades. Pois quase todo mundo tem áreas ricas, inexploradas, de talento.
Não seja um "Thomas duvidoso". Siga o exemplo do Thomas sobre o qual escrevi, Thomas Edison.
Ou do outro Thomas, Thomas Jefferson, terceiro presidente dos Estados Unidos.
As realizações de Thomas Jefferson também são quase incríveis. Sua confiança em seus poderes deve ter sido extraordinária.
Durante o tempo em que ocupou por dois períodos completos o cargo mais elevado da nação, negociou a famosa compra da Luisiana, que alguns historiadores consideram a barganha mais notável da história americana.
Isso foi precedido, é claro, de sua famosa elaboração da grande Declaração da Independência dos Estados Unidos.
As outras realizações de Jefferson como estadista são muito numerosas para serem mencionadas. Poucos estadistas americanos em nossa história fizeram tanto; é duvidoso que algum tenha feito mais.
Mas o espantoso a respeito de Jefferson era o uso pleno de seus poderes criadores em outros campos também. Casado e tendo duas filhas, foi presidente da Sociedade Filosófica Americana, fundou a Universidade da Virgínia, apoiou as primeiras expedições científicas americanas. Era também um arquiteto de primeira categoria, que projetou não somente sua própria casa, mas também a dos amigos.
Não estou sugerindo que você seja um fracasso por não poder comparar seus feitos com as realizações monumentais de Thomas Jefferson.
Minha mensagem é simplesmente que você deve penetrar no mundo com suas capacidades plenas, sejam lá quais forem, que deve imitá-lo na utilização de seus recursos, em vez de travá-los.


Não há escurecimento para suas metas

Enquanto escrevia este livro, fui um dos milhões prejudicados pelo colapso de energia elétrica que paralisou uma parte enorme da costa oriental dos Estados Unidos. Minhas luzes se apagaram; meu telefone emudeceu.
Acendi uma vela e localizei meu rádio de pilha, informando-me então que nove Estados tinham sido atingidos, trinta milhões de pessoas estavam no escuro.
O escurecimento ocorreu por volta das cinco e meia da tarde. Eu tinha de pegar o avião às nove horas da manhã seguinte para a Califórnia; devia realizar uma conferência.
A noite passava sem luz, escura hora após hora. Fui deitar-me cedo, mas não consegui dormir. Discuti comigo mesmo.
"Por que se preocupar? Ninguém pode acusá-lo por não ir. Vá na próxima semana."
"Não, eu devia fazer uma conferência, e vou fazê-la."
Era como uma partida de tênis. Eu batia a bola para lá e para cá.
Às três e meia as luzes ainda estavam apagadas, o relógio estava parado. Morar no décimo oitavo andar não era nenhuma vantagem nessa situação.
Finalmente, decidi que ia ao encontro de minha meta. Apanhei o chapéu, o paletó, duas malas de mão, uma vela — e abri a porta que dava para a escada. À luz da vela, via vagamente degraus e degraus e mais degraus abaixo de mim.
Então, a vela caiu-me da mão e passei a não enxergar mais nada.
Que fazer? Num ímpeto de negativismo, disse a mim mesmo para voltar para casa e desistir do que queria fazer. Mas superei esses pensamentos negativos e prossegui em direção à minha meta.
Passo a passo, fui descendo calmamente para o décimo sétimo andar, caminhando vagarosamente, cuidadosamente, para o décimo sexto, o décimo quinto, o décimo quarto... Quando cheguei à calçada ainda escura de Nova York, deixei cair a bagagem com um estrondo; senti como se me tivesse livrado de dois pesos de duzentos quilos.
Eu estava apenas a meio caminho de minha meta; ainda tinha de apanhar um táxi para levar-me ao aeroporto. Andei aos tropeções, acenando a mão. Conseguir um táxi parecia impossível.
Imaginei que um táxi levaria uma hora para chegar ao aeroporto. Às sete e cinqüenta e cinco, um táxi parou para mim — exatamente a tempo. A partida do avião era às nove horas.
Virei as costas para pegar minha bagagem, apanhei-a. O táxi estava indo embora sem mim.
Depois de minha primeira reação de raiva, senti-me desesperado. "Fiz todo o possível", disse comigo. "Vou voltar para dormir."
"Não", alegou meu lado mais positivo, "você ainda pode ir."
E fui. Um motorista de táxi responsável parou pouco depois, fez alguns atalhos conhecidos, levou-me rápida e seguramente, e eu ainda peguei o avião. Horas depois estava em San Francisco, Califórnia, depois em Monterey. Gostei de falar, gostei da viagem — mais ainda porque eu não fui tolhido pelo escurecimento.
Senti-me bem porque na batalha travada em minha mente entre os instintos de sucesso e os de fracasso, os de sucesso ganharam, e eu não deixara que as circunstâncias adversas me impedissem de realizar a minha meta.
Minha história é apenas um exemplo, não um exercício de autocongratulação. Na verdade, fracassei muitas e muitas vezes na vida, e alguns de meus fracassos descrevi neste livro. Contudo, à medida que vou envelhecendo, entrando nos sessenta e já passando dos sessenta e cinco, sinto-me feliz de não ter caído no escurecimento sem vida que esmaga tantas pessoas. Ao utilizar meus instintos de sucesso ativos, orientados para a meta, eu reforço meu prazer da vida todo momento.
O escurecimento devido ao colapso da energia afetou trinta milhões de pessoas por um curto espaço de tempo; o escurecimento emocional esmaga milhões todo dia — e para a vida toda.
Você deve resistir ao escurecimento emocional dos sentimentos negativos que pode impedi-lo de viver criativamente. Pode sair dele se compreender as zonas de escurecimento.


Exercício 15

Há quinze exercícios neste livro que acho que o ajudarão no caminho da vida criativa. Este é o último, e vou fazer do último o primeiro. A respeito da primeira hora, é o que quero dizer.
Por que é na primeira hora de cada dia que você tem oportunidade de determinar o caráter de sua jornada. É nessa primeira hora que deve resguardar-se do escurecimento emocional e reunir todas as suas forças positivas internas para lançar-se num mundo que está vindo do sono para a vida mais uma vez.
É nessa primeira hora que deve saltar para um dia criativo — com concentração, afirmação e avidez.
Nessa primeira hora de formação, deve lançar-se num dia criativo. O dia é básico. Pois, se você somar dia com dia, viverá semanas, meses, anos criativos — e terá dominado a arte da vida criativa hoje.
Você deve agir agora, não amanhã. A demora é fatal. E, quando adquirir o hábito de fazer pleno uso de sua primeira hora, estará a caminho de um meio de pensar que só poderá ajudá-lo a canalizar sua vida em direções positivas: "agora vamos, isso não é bobagem".
Este, então, é o meu conselho para ajudá-lo a evitar o escurecimento emocional que é um dos sintomas desastrosos de nossos tempos: lance-se para a vida criativa durante a sua primeira hora.
Imagine que está sentado numa cadeira confortável; a única luz acesa no quarto está ao lado de sua cadeira.
Depois imagine-se apagando a luz, mergulhando o quarto na escuridão total. Você não pode ver nada; o escurecimento o faz sentir-se desamparado.
Agora imagine-se acendendo a luz. Pode ver novamente. Venceu o seu pequeno escurecimento.
Em sua imaginação, então, vê a grande diferença entre o escurecimento emocional — o desamparo — e a iluminação emocional — a visão.
Se preferir fazer este exercício mais diretamente, apague a luz de seu quarto, sente-se no escuro por algum tempo, depois acenda a luz.
Como exercício final, ilumine-se a si mesmo: acenda a luz de sua mente. Dê a si mesmo um último conselho para proteger-se contra o escurecimento emocional:

1. Compreenda que deve valorizar os minutos de sua primeira hora cada dia. Deve usá-los para reforçar sua auto-imagem, para planejar suas metas, para aprontar-se para o bom dia que tem pela frente.

2. Nos minutos importantes de sua primeira hora, esforce-se para eliminar os sentimentos negativos que obstruiriam o seu dia. Deve promover a escalada da guerra contra os sentimentos negativos para poder gozar a vida.

3. Durante essa primeira hora, reafirme seu direito às boas coisas da vida, aos bons sentimentos, aos bons pensamentos.

Todo dia, quando acordar, diga a si mesmo que essa é sua primeira hora, sua hora fundamental, e deve ser a melhor hora para poder começar um bom dia.
Releia este capítulo vezes e mais vezes para poder lembrar-se de que a vida criativa começa durante a sua primeira hora, quando você volta do sono para o mundo.


Muitos anos felizes para você

Espero que você use bem os minutos de sua primeira hora todo dia, o que o levará a dias criativos, que somarão muitos anos felizes.
Não precisa invejar as realizações dos outros — se desenvolver a sua própria criatividade individual.
Desejo-lhe anos de vida criativa que o capacitem a elevar-se à sua verdadeira estatura.
Uma responsabilidade que você tem consigo mesmo é encher o quadro, dar-se o direito de criar uma vida feliz.
Não é uma rua de ladeira descendente, de mão única; nada que tem valor na vida é fácil.
Mas, se você realizar a sua tarefa diária para fazer as pazes consigo mesmo, para aceitar-se, para mergulhar na vida consigo mesmo, poderá ter na realidade grandes esperanças de dias e anos felizes neste mundo — hoje.


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Como vencer os sentimentos negativos - Parte 30


Sua primeira hora: lançando um dia criativo

Como devo resumir este livro sobre vida criativa?
Talvez fosse melhor eu examinar a natureza do processo da vida e continuar daí em diante.
Somos criaturas complexas; somos sangue, tecido, água e osso; somos sentimentos, aspirações e abstrações intelectuais; vivemos com grama, árvores, montanhas e animais.
Ademais, como pessoas do século xx, vivemos com estradas, automóveis,' arranha-céus, aviões, satélites e bombas nucleares.
Quanta complexidade — dentro de cada setor, quanta complexidade! Sentimentos tão divergentes, tão variados; estradas ramificando-se em tantas direções diferentes.
Você planeja seus anos; como enfrenta toda essa complexidade?
Essencialmente, você o faz simplificando, eliminando a burocracia.
Vê-se tal como é, uma pessoa entre milhões.
Vê os problemas principais e os enfrenta um por um.
Vê as incertezas de sua vida, mas resolve enfrentá-las direta e corajosamente, não com uma retirada atemorizada.
Vê a tremenda configuração da vida passiva; rejeita-a.
Você vê, cada vez mais claramente, que deve basear a felicidade de seus anos em si mesmo. Na sua autofiguração. Na força de sua auto-imagem e na reativação de seu mecanismo de sucesso.


Meias para a vida criativa

Ao escrever este livro, baseei-me fundamentalmente na minha própria experiência, em minhas observações de amigos e pacientes, e em tudo o que aprendi nos meus anos de vida.
Passei a sentir muito fortemente que você deve ver a necessidade de estabelecer metas para ter o entusiasmo de viver. Deve sair para o mundo, sentindo-se capaz de dar, tomar, produzir, fazer.
Em A arte de amar, o psicólogo Erich Fromm escreve: "Para o caráter produtivo, dar tem um significado inteiramente diferente. Dar é a manifestação máxima da potência. No próprio ato de dar, eu experimento minha força, minha riqueza, meu poder. Essa experiência de vitalidade e potência intensificadas enche-me de júbilo. Experimento-me como transbordante, dissipador, vivo, conseqüentemente como jubiloso. Dar é mais jubiloso do que receber, não porque é uma privação, mas porque no ato de dar se encontra a manifestação de minha vivência".
Isso está de acordo com a mensagem de meu livro: a alegria de produzir.
Por que deve uma pessoa racional tirar de si essa alegria de fazer, de viver, de produzir, apenas porque alguns indivíduos negativos podem dizer-lhe: "É melhor cuidar de si! Não se arrisque!"?
Isso é como dizer a um menino de nove anos que é melhor não andar de bicicleta ou acabará caindo e se machucando; ou como dizer a um adolescente de dezesseis anos que é melhor não jogar futebol ou terminará no hospital,
É superproteção, no sentido mais negativo. £ retirada da vida; é perder na guerra contra os sentimentos negativos.
Rejeito esse tipo de conversa; você também deve rejeitar. Viva o tipo de vida que quiser e orgulhe-se — enquanto tiver a felicidade de possuir o dom da vida.


Sua melhor hora

No capítulo 15 discutimos os componentes de um dia criativo. Mas, para sermos ainda mais específicos, para estarmos prontos para a ação, discutiremos a hora mais importante desse dia criativo: a sua primeira hora
Essa primeira hora é seu trampolim para um dia criativo.
Essa primeira hora é sua. Seu chefe não pode fazer-lhe exigências, os estranhos não podem intrometer-se. Eis a sua possibilidade de partir para um bom começo.
Sua primeira hora lhe pertence; compete a você torná-la sua melhor hora. Valorize cada minuto.
O tempo é um conceito relativo. Em cada dia há vinte e quatro horas ou mil quatrocentos e quarenta minutos. Mas é muito fácil deixar passar e desperdiçar o tempo; quando o fizer, o tempo nada significará para você.
Mas, quando você o usa bem, quando o usa para estabelecer metas para o dia que tem pela frente, sua primeira hora tem mil quatrocentos e quarenta minutos porque sua hora fará o seu dia, porque será a sua melhor hora.
Quando abrir os olhos e sentar-se na cama, espreguiçar-se e olhar em volta de seu quarto, dê a si mesmo um bom conselho. Diga que fará desse dia o melhor que puder, que hoje tentará ser humano para consigo mesmo, que esquecerá os erros de ontem e viverá o dia de hoje. Diga a si mesmo que tem o direito de cometer erros; conhece alguém que seja perfeito? Explique a si mesmo que você não poderá ser um sucesso com os outros enquanto não se tornar um sucesso consigo mesmo. Compreenda que o sucesso não é algo absoluto; é um processo de elevar-se acima do fracasso.
No chuveiro continue a estimular-se. Enquanto a água cai sobre você refrescando o seu corpo, procure refrescar a sua alma. Visualize alguns de seus bons momentos na vida. Deixe o sabão e a água lavarem a sua sujeira corporal, enquanto você lava seus sentimentos negativos, retratando realisticamente o lado de si próprio do qual mais gosta. Mentalize essas imagens agradáveis. Lembre-se de que nasceu para vencer, não para fracassar.
Quando escovar os dentes, mire-se no espelho e reforce seu sentimento de si mesmo. Não seja egoísta; você não é a única pessoa no mundo, e não pretenda ser. Mas aprecie sua imagem, com suas imperfeições, e aprecie o que há de bom nessa sua fisionomia, o ser humano que existe por trás dela. Sufoque as preocupações que o assaltam e enfrente a realidade de sua imagem, de seu ser.
Sua primeira hora deve ser sua melhor hora; você deve reunir impulso para a arrancada para um bom dia.
Terá tempo para pensar enquanto estiver se vestindo. Não desperdice seus pensamentos! Não os deixe desviar-se sem objetivo ou precipitar-se num torvelinho de pânico! Diga a si mesmo, em vez disso, que você tem o direito de ser feliz. Diga que tem o direito de obter sucesso, que deve parar de enganar-se. Lembre-se de que é um ser humano único, modelado à imagem de Deus, que você é alguém.
Sua primeira hora é uma hora crítica; é uma hora de decisão. Você estará decidindo se vai fazer o possível para lançar-se para um dia de vida criativa ou se vai derrotar a si mesmo e arrastar-se para dentro de uma caverna a fim de esconder-se. Possivelmente, acontecimentos externos entravarão a realização de suas metas hoje, isso é verdade. Mas, mesmo que o façam, você terá lutado heroicamente e sentirá satisfação em saber disso. E, depois, sempre há um amanhã.
Mais uma vez, durante essa primeira hora preciosa, retorne ao espelho — para fazer a barba ou pôr batom ou talvez para pentear o cabelo ou lavar o rosto. Mais uma vez, olhe para si mesmo; esta é a única cara que você possui. Deve adquirir uma estima sadia por si mesmo; se não o fizer, estará liquidado.
Enquanto termina seus preparativos físicos para o dia, planeje suas metas. Que é que você quer realizar hoje? E que táticas usará? Faça mentalmente a lista de suas metas, mas, primeiro, assegure-se de que elas o entusiasmam. Se os outros pensarem que suas metas são bobas, isso não tem importância desde que tenham um significado para você. Crie entusiasmo pela vida real hoje, durante essa primeira hora em que planejar suas metas.
Sua primeira hora vital termina quando você nutre seu corpo com a refeição matinal, abastecendo-o de energia para sair aparelhado para a vida criativa.


O homem que se tornou mais criativo

A vida produtiva é uma realidade — mesmo para as pessoas que vivem com necessidades e tensão. Deixe-me contar-lhe outra história.
Todo ano, os diplomados de minha turma da Escola de Médicos e Cirurgiões da Universidade de Colúmbia realizavam seu jantar anual. Eu pretendia comparecer, queria ir às vezes, mas de alguma forma uma crise de última hora obrigava-me a desistir. Por causa dos caprichos do destino, eu jamais comparecera a um desses jantares.
Então chegou o convite anual — era o trigésimo aniversário de nossa formatura. Resolvi que nada me impediria de ir a esse jantar.
O velho Charlie estaria lá, Charlie, o roupeiro. Pensei carinhosamente no interesse que ele tivera por mim quando eu era um jovem estudante — o interesse que tivera por todos nós.
Cuidadosamente, vesti-me para a reunião da turma e cheguei a tempo. Perambulei pela sala de coquetel fora do salão de jantar; estava cheia de gente, e procurei alguma das velhas caras conhecidas que não via há trinta anos. Não reconheci absolutamente ninguém.
Finalmente vi uma pessoa: eu conhecia aquele sujeito. Diabo! Eu estava olhando num espelho; era simplesmente eu.
À medida que a noite passava, fui conseguindo identificar meus antigos companheiros de escola. Não foi tarefa fácil. Como tinham mudado! Como tinham envelhecido! Para onde tinha ido a juventude, onde estava o lampejo de seus olhos? Assim, muitos deles pareciam cansados.
Fiquei chocado quando exclamaram, ao ver-me:
— Como você mudou, Max!
Havia uma plataforma elevada no fim do enorme salão de jantar: os convidados de honra estavam sentados na plataforma. Reconheci um imediatamente: era Charlie, o roupeiro.
Admirei-me de sua aparência jovem, principalmente quando um velho amigo me disse que Charlie tinha oitenta e seis anos. Falamos sobre o segredo da conservação da juventude do velho roupeiro; meu amigo achava que era porque ele ajudava todo mundo, tinha uma palavra bondosa para todos, adotava os jovens que lutavam para ser médicos como seus próprios filhos e dava-lhes apoio quando precisavam.
Eu tinha certeza de que esse era o segredo de sua juventude. Mas que dizer de Boysie?
Lembrava-me bem do Prof. James Boysland por sua habilidade extraordinária como cirurgião. Ali estava ele, sentado à mesa da turma de 1903; era o qüinquagésimo aniversário de sua formatura. Os sobreviventes dessa turma pareciam muito velhos; seus olhos careciam de brilho e suas costas estavam curvadas. Mas Boysie estava sentado ereto em sua cadeira, com os olhos vivos e claros. Seu porte, sua maneira, lembravam-me um homem jovem.
Depois do jantar, fui falar com ele. Elogiei-lhe a boa aparência e pedi-lhe seu segredo.
O Prof. Boysland ofereceu-me um charuto e tomou um gole de brandy. Respondeu que era uma espécie de Dr. Jekil e Mr. Hyde, um homem que vivia duas vidas ao mesmo tempo.
Tirando um pequeno objeto do bolso, colocou-o na mesa diante de mim. Era a estatueta de uma bailarina, esculpida em madeira.
— Gosta?
Na ponta dos pés, os braços estendidos, a cabeça inclinada para trás, era um símbolo glorioso de liberdade. Fiz que sim com a cabeça.
— Vou lhe contar a história do escultor.
Boysie falou sobre os anos de guerra, a escassez de médicos, as operações que realizava noite e dia — até que sua tensão lhe trouxe noites sem sono.
Uma noite, ao deixar o hospital depois das operações, ouviu o pranto de uma criança recém-nascida. Começou então a pensar na criancinha: era menino ou menina? Com quem se parecia? Que aventuras a aguardavam no futuro?
Arbitrariamente, Boysie decidiu que era menino, traçou sua aparência física, imaginou o esboço de sua vida. A criança cresceria para se tornar médico: com a idade de doze anos, compreenderia qual devia ser sua vocação.
Uma compreensão manifestou-se nele. A criança imaginária — com doze anos de idade em sua mente — era ele mesmo.
— Comecei a invejar esse eu de doze anos de idade. Desejava poder trocar de lugar com ele, começar tudo novamente. Que faria a seguir? Principiaria a ler livros de medicina para preparar-me para minha carreira.
Boysie sentiu porém um entrave em sua excitação nascente. Viu-se como esse menino, ávido, crescendo, com doze anos de idade, debruçado sobre livros de medicina, mas que seria depois? Quando lesse os livros, não poderia sentir-se ávido; já estava muito familiarizado com eles.
Então, pensou ele, por que o Boysie de doze anos de idade teria de ser médico? Por que não tentaria outro campo? Por dias discutiu consigo mesmo, procurou outro campo para o qual canalizar as energias do ardoroso Boysie de doze anos de idade.
— Aí, descobri. O menino Boysie tinha talento artístico e gostava de desenhar. E...
O professor apontou para a estatueta.
—... se tornou escultor.
Fascinado, pensei no que Boysie tinha dito. Seu método era talvez indireto, mas os resultados eram espetaculares. Tinha duas vidas agora, dois campos nos quais funcionar, para os quais dirigir suas energias produtivas.
O trabalho extra não o cansava; relaxava-o. Quando o "velho Boysie" chegava em casa depois de um dia duro de trabalho como cirurgião, o "jovem Boysie" trabalhava como escultor e reanimava-o. O jovem e o velho pareciam apertar a mão um do outro, transpondo os anos, trazendo a juventude. Não houve mais noites sem sono.
De volta à minha mesa, sorri ao pensar no menino de doze anos de idade vendo o mundo através dos olhos plácidos do velho.
O conceito de criatividade de Boysie teve grande impacto sobre mim à medida que fui envelhecendo. Cirurgião plástico toda a minha vida, dediquei-me cada vez mais a escrever e fazer conferências em idade avançada.
Tal como com Boysie, esse trabalho extra não me cansa; gozo de uma crescente excitação juvenil quando estou escrevendo ou fazendo conferências. Sinto-me mais jovem.
Sinto que todas as pessoas podem aprender uma lição valiosa com este velho-jovem.


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Como vencer os sentimentos negativos - Parte 29

6. Imaginação. Todos temos a capacidade de imaginação e devemos usá-la construtivamente. A imaginação usada destrutivamente produz descontentamento; usada construtivamente, produz confiança. Você usa sua imaginação construtivamente utilizando o sentimento dos sucessos passados em seus empreendimentos presentes. Usa-a destrutivamente afligindo-se com os fracassos passados. Repila seus sentimentos negativos agora — durante o seu dia criativo.
Devemos ver a vida em foco — dentro de nós, atrás de nós, diante de nós. Devemos superar nossos defeitos e habitualmente elevar-nos para nossos poderes inventivos. Atrás de nós estão os erros que não devemos remoer, os sucessos que devemos reativar. Diante de nós está o dia de hoje, potencialmente glorioso, que nossa imaginação deve formar antes de o testarmos na realidade.
Os grandes estadistas usam a imaginação para projetar-se no reino das imagens e idéias possíveis que os homens menores não ousariam imaginar.
De Gaulle, da França, é um desses videntes; visualiza, "imagina", como se fosse realidade, projetos de glória para o seu país. Até os seus inimigos sabem disso.
Para viver um dia criativo, você deve deixar a imaginação funcionar para você.
Nas palavras de Ralph Waldo Emerson: "A imaginação não é o talento de alguns, mas é a saúde de todo homem".

7. V de vitória. O que devemos fazer com a letra v? Deve o V representar vitória na vida ou voluntário exílio da vida? Deve o V representar vitalidade ou vacilação? Deve o V representar a sua ventura numa meta ou o vazio de sua auto-imagem?
Durante o seu dia criativo você deve fazer a letra v representar o "V de vitória". Todo dia deve, como o garotinho cujos dedos separei, fazer o sinal "V de vitória" — em sua mente.
Se fracassar, depois de fazer o possível, então mire as suas metas de amanhã. Até vencer.
Adestre-se para a vitória todo dia como se adestra a escovar os dentes, comer sua refeição matinal, calçar os sapatos.
Você se sentirá vitorioso todo dia quando aprender a liberar seu maquinismo criador:

a) Preocupando-se antes de partir para sua meta, não depois. Se houver uma série de caminhos para ela, a inquietação é criativa enquanto você decide que caminho tomar, mas, depois que selecionou seu caminho, siga-o estritamente, sem preocupação.
b) Pensando no dia de hoje, não no dia de ontem.
c) Fazendo uma coisa de cada vez. Pense na ampulheta. Que deverá ser, um grão de frustração depois de outro ou um grão de confiança depois de outro? Você é quem toma a decisão.
d) Dormindo sobre um problema quando ele desafia uma solução, não dormindo com ele. Seu servomecanismo automático trabalhará criativamente para você, se você deixar.
e) Relaxando-se enquanto trabalha. Confiança significa relaxação, frustração significa tensão.

Tudo isso mostra que você está praticando a arte da psicocibernética, isto é, dirigindo sua mente para uma meta produtiva criadora.
Você sente o movimento para sua meta, seu dia criativo significa movimento. Você estimula esse movimento.
Bill Bradley estimulou seu mecanismo de sucesso, quando jovem praticando suas habilidades no basquetebol — mesmo depois que os demais companheiros deixavam a quadra.
Pete Gogolak, jogador profissional de futebol, pratica seu chute vezes e mais vezes e mais vezes durante a temporada sem jogos. Às vezes ele se sente solitário, mas o treino compensa.
Você, também, deverá continuar impulsionando-se, se quiser vencer. Movimento todo dia, um sentido de direção para uma meta diária, não importa quão pequena seja essa meta. Continue movendo-se na corrente das coisas, fazendo o possível. E, se não tiver meta, continue de qualquer modo a se mover — e uma meta virá ao seu encontro. Seu sentido de direção é para a frente.

8. Avidez - Num dia criativo, você nunca se retira da vida; sente uma avidez de ser parte dela. Uma meta diária é a avidez de repelir os sentimentos negativos do passado, para aceitar e pôr de lado os seus fracassos.
Avidez significa desejo. Desejo é a pulsação do seu dia criativo; é a promessa de realizar a sua meta. Com avidez, você é alguém; sem ela, você não é ninguém.
Um Frank Sinatra retorna de seus erros com avidez, e encontra novos setores para os quais canalizar seu talento e dirigir seus instintos de sucesso.
Mas muitas pessoas hoje acreditam que seus anos estão cheios de derrota, inutilidade e preparação para a morte; não há lampejo em seus olhos. Nenhuma avidez.
Você deve sentir a avidez que um ser humano sente quando gosta de si mesmo e vive para o dia de hoje.
Deve concentrar-se em reforçar sua auto-imagem até sentir dentro de si mesmo a confiança instantânea, até pôr em funcionamento, avidamente, um mecanismo de sucesso em sua busca diária de auto-realização.
A avidez provoca o início da ação; é a plataforma de lançamento do esforço. E, quando você tenta, tem possibilidade; cria a força para alcançar seu destino.
Seu dia criativo consiste em tentar ser criativo naquele dia. Sucesso significa tentar vencer, tentar reativar o mecanismo de sucesso dentro de você, tentar usar sua confiança. Fracasso significa tentar fracassar, tentar reativar o mecanismo de fracasso, tentar viver na frustração.

9. Crescimento diário. Você deve continuar a avançar gradativamente. Todos gostamos de vencer, mas às vezes somos traidores de nossos instintos de sucesso. Devemos crescer todo dia, adestrar-nos para o triunfo.
O sucesso está ao seu alcance; seus anos são significativos. Você deve visar o crescimento, todo dia — se parar de mimar-se, se esquecer as feridas que os outros lhe causaram e as que você causou a eles.
O tempo é precioso. Faça uso de seu dia criativo. Estamos aqui na terra por um tempo muito curto; não devemos desperdiçá-lo.
Nunca é tarde demais para aplicar seus recursos ocultos. Deve descobrir a si mesmo e determinar o seu verdadeiro valor; deve parar de enganar-se. Deve fazer disso uma tarefa diária que o torne jovem e feliz; todo dia é um desafio para você como um arqueólogo cavando sob os destroços das mágoas e ressentimentos — seus traços negativos — para encontrar o maior de todos os tesouros — seu auto-respeito, sua verdadeira auto-imagem.
Mas não podemos viver isoladamente. Devemos procurar também explorar os recursos dos outros para encontrar sua dignidade. Devemos pensar duas vezes antes de julgarmos os outros; devemos olhar além de sua fisionomia para encontrar o melhor da verdadeira pessoa.
Ralph Waldo Emerson certa vez escreveu: "E o que é uma erva daninha? Uma planta cujas virtudes não foram descobertas".
Quando ocorreu esse pensamento a Emerson? Provavelmente na época da colheita, com os campos agitando-se ao vento, trigo para o pão do inverno. Pois, naqueles tempos, o trigo era considerado uma erva daninha.
Talvez naquele dia, contemplando os campos amarelos, maduros, Emerson estivesse retornando de uma visita a seu amigo, o Prof. Bronson Alcott. Talvez ele parasse para analisar a idéia de Alcott de que na escola não era o "mau menino" ou o bronco que se devia censurar, mas aqueles que não possuíam paciência para sondar o bem por baixo da superfície, por mais desalentadora que ela fosse. Não havia "ervas daninhas" na sala de Bronson Alcott.


Ninguém é incorrigível

Muitas e muitas vezes, na clínica e nos hospitais, tenho visto o desajustado aparentemente incorrigível transformado numa pessoa útil — um doador, não um tomador —, por uma simples exibição de interesse e crença nele. Sempre me ponho a meditar quantos bons cidadãos, criadores e construtores, se perderam porque alguém, em algum lugar, mal orientado pela casca, não viu o grão dourado lá dentro.
Cada dia devemos esforçar-nos para crescer. Não devemos ser "ervas daninhas" inúteis na vida; devemos crescer para alcançar nossa estatura plena como carvalhos vigorosos.
Devemos trabalhar para reforçar nossa auto-imagem positiva para que possamos projetar-nos nos sucessos da vida.

10. Ajustamento. Para viver um dia criativo, você deve ajustar-se às tensões diárias. Deve estar pronto para os problemas que se podem apresentar. Deve desenvolver a capacidade de suportar a tensão antes de poder provar firmemente os momentos compensadores.
Ajustamento implica fé — nos outros e em si mesmo.
Em vez de sentimentos negativos, desenvolvemos nosso núcleo de fé. Cada célula tem um núcleo de fé, a vontade de viver. Todos esses milhões de células que compõem um ser humano devem encher-se dessa vontade, dessa fé, dessa determinação — de viver.
Devemos ter fé em nós mesmos. Imaginação para iluminar nossa vida com a tocha do mecanismo de sucesso. Lembremos que a esperança e a fé são a imaginação voando em direção a uma meta; a frustração e o desespero são a imaginação negativa com as asas cortadas.
É fácil dizer: "Isso não pode ser feito".
Você diz isso?
Você diz para si mesmo que:
Não existe tal coisa como vida criativa?
Viver é ser infeliz?
As pessoas devem, de alguma forma, tolerar seus anos de sofrimento?
A vida não é nada mais senão dívidas e impostos, dores e achaques, com a morte esperando-nos na esquina?
Se você diz, deve reestruturar seu pensamento e desenvolver um núcleo de fé para ajudá-lo a ajustar-se à vida.
A vida é progressiva, não retrocessiva; vai para a frente, não para trás. Devemos esquecer os pesares. Devemos elevar-nos acima deles ou eles nos sufocarão.
Devemos acreditar em nós mesmos — como um Harry Truman que não aceitou uma derrota que todo mundo previa e acordou de manhã eleito presidente dos Estados Unidos; como um John Lindsay que desprezou o papel de pobre-diabo e batalhando abriu caminho para a sua vitória como prefeito de Nova York; como um Winston Churchill que não sentiu medo ante a avalancha dos nazistas alemães que havia esmagado homens de menos autoconfiança.
Para ajustar-se à vida, você deve acreditar em si mesmo.
Você talvez não seja um Truman, um Lindsay, um Churchill — mas eles, também, são muito humanos. Todas as pessoas famosas são extremamente humanas. Elas também devem lutar para acreditar em si mesmas. Também devem resolver seus problemas como filhos, como irmãos, como pais, como maridos; também devem lutar em suas mentes para encontrar-se a si mesmas.
A autocensura é um poço de tortura. O castigo por sucumbir a ela é muito pesado — tanto para o indivíduo quanto para a sociedade. Seu marca-passo, na vida criativa, deve ser sua crença em si mesmo, o que lhe dá esperança expansiva para sua felicidade.
Quando duvidamos de nós mesmos, tornamo-nos difíceis, intratáveis. Descarregamos nossos sentimentos de inadequação em nossa família, nos amigos e conhecidos. Envenenamos a atmosfera que nos cerca.
Se lhe falta um núcleo de fé, você não pode gozar os seus dias. Fé em si mesmo, isso pode fazê-lo sentir-se jovem.
Devemos trabalhar todo dia para reforçar nossa auto-imagem, elevando-nos acima dos fracassos ou sucessos.
Todo dia devemos trabalhar para sustentar nosso sentido de valor — com compaixão, com determinação, com aplicação.
"Impossível!", dirá você.
Então faça o impossível.
Todo dia trabalhe em sua mente para fortificar-se com a fé em si mesmo, de que precisa para poder ajustar-se à vida.

11. Anseio de melhoria. Este é o último componente de seu dia criativo. Significa renunciar aos sentimentos negativos que desfiguram sua auto-imagem; significa focalizar suas forças positivas da vida.
Em sua mente você se move para suas energias produtivas. Ama a vida e procura seus inúmeros desafios.
Repele a descrença; procura o bem na vida.
Eleva-se acima dos perigos diários assim como tem sido capaz de resistir aos milhões de bactérias em seu nariz e garganta que o teriam destruído se você não possuísse a força da vida para combatê-los.
Anseia por desenvolver suas qualidades. Continua a tentar fazer de si mesmo uma pessoa melhor. Anseia por esse mundo ensolarado dentro de si quando se afasta de seu outro mundo de escuridão.
Torna cada dia criativo quando realiza esse anseio para alcançar o melhor que existe em você.
Cada dia procura dentro de si o melhor que existe em você, e com isso sai para o mundo para viver um dia feliz.


A pessoa criativa

Esses são os componentes de seu dia criativo. Espero que você os ache úteis ao planejar a natureza de sua vida.
Resumindo numa frase, a pessoa que vive criativamente estabelece um sentimento de força próprio, aceita seus fracassos compassivamente e projeta sua força no mundo em forma de metas para as quais dirige suas energias.
Ela não se mima com excesso de tempo ocioso, o que acabará entediando-a.
Não põe sua fé em bens materiais; automóveis, roupas ou casas de alto preço podem ser interessantes, mas não são fundamentais.
Recusa-se a encontrar magia nos nomes das localidades geográficas com climas agradáveis.
Não se cumula de variedades tremendas de entretenimentos passivos.
Confia em si. Aceitando-se, ela não sente necessidade de retirar-se para um sistema de vida passivo. Vive com prazer e enche suas horas com metas.
Não tem piedade de si mesma; está muito ocupada vivendo.
Em suma, vive com o interesse ávido de metas que uma pessoa jovem deve sentir — mas às vezes não sente.
É essa a espécie de vida que você quer para si mesmo?
Se é, agora é a hora de começar a planejá-la, criando a auto-imagem sadia que é a base da vida criativa.
Agora é a hora de começar. Nunca é tarde demais para isso.


A mulher que não se desesperou

Agora deixe-me contar-lhe a história de minha operação mais difícil. É a história de uma mulher com uma linda auto-imagem, uma minúscula mulher que conheceu o horror e sobreviveu com uma auto-imagem de três metros de altura.
Chamar-lhe-ei Anna. Era uma judia muito jovem que vivia na Polônia em 1942 durante a ocupação nazista. Os nazistas estavam liquidando o gueto de Varsóvia. Um dia um soldado alemão arrebatou-lhe dos braços o filho de três meses e jogou-o na rua como um gato. A criança foi pisada até morrer. Anna foi então atirada num campo de concentração, o marido noutro. Um considerava o outro morto. Ela ficou profundamente desgostosa, mas recusou-se a deixar seu espírito ser esmagado.
Anna recusou-se a admitir a derrota.
Trabalhou como escrava numa usina elétrica em Riga. Um dia os alemães rasparam o cabelo das mulheres.
— O cabelo me pesava na cabeça — disse ela a um guarda. — Agora mantenho a cabeça erguida. Tenho dignidade, auto-respeito. Ninguém destrói isso!
O guarda levantou seu punho enorme e esbofeteou-a, ensangüentando-lhe o rosto, mas Anna manteve a cabeça erguida.
Um dia, olhando através dos portões do campo de concentração, viu o elegante povo da cidade dando um passeio dominical. Viu crianças; uma garotinha tinha uma flor na mão. Anna pensou: "Será que ainda segurarei uma flor na mão novamente?" Chorou em silêncio, em sua cela horrível, mas a cabeça se mantinha erguida.
Tinha uma auto-imagem gloriosa num cubículo horroroso. Algum dia, jurou ela, seguraria uma flor na mão.
Três anos depois os nazistas foram derrotados. Ela estava livre! A centenas de quilômetros de distância, o marido foi libertado também. Encontraram-se novamente. Em 1946, vieram para a América. Nasceu-lhes um filho. Ele tem agora uns vinte anos e está estudando para ser médico.
— Quero que meu filho me conheça como eu era — disse ela em meu consultório, recentemente. — O senhor pode operar o meu rosto?
Foi um ato simples, contudo minha operação mais difícil. Geralmente um cirurgião plástico opera uma cicatriz facial para remover uma cicatriz interna. Aqui eu ia operar alguém que tinha a auto-imagem jovem e a mais bonita que eu já vira. Como poderia dar-lhe um rosto jovem e bonito? Pelo menos, eu poderia tentar fazer o seu rosto cicatrizado voltar ao normal, um rosto cujo queixo estava sempre erguido, para condizer com sua auto-imagem forte. A operação teve êxito — mas a beleza de seu rosto jamais poderia igualar-se à beleza de sua auto-imagem.
O último dia em que a vi ela vinha segurando uma flor, um cravo, na mão. Deu-me de presente. Pus o cravo em minha lapela, com orgulho.
Ela chorou então pela injustiça do homem. Chorei intimamente por algo muito mais importante. Chorei por ela, embora ela não precisasse, pela dignidade do homem, pela beleza harmoniosa de sua auto-imagem, pelo seu auto-respeito como uma pessoa à imagem de Deus, recusando-se a ser enterrada sob o peso opressivo da frustração em qualquer tempo, em qualquer lugar!


Exercício 14

A corajosa Anna jurou que algum dia, em circunstâncias melhores, seguraria novamente uma flor na mão.
Agora, que dizer de você quando tiver atingido uma coisa? Dará a si mesmo algo, algum reconhecimento de seu sucesso?
Quando tiver lutado por uma meta valiosa, quando tiver fortificado seu sentimento de si mesmo, vai regalar-se com isso?
Você quase terminou esse livro; está trabalhando com os exercícios; sente-se melhor consigo mesmo.
Bem, agora, que tal uma pequena recompensa?
Por que não?
Desça e vá até o florista, compre uma flor, ponha um cartão na caixa. Mais tarde o mensageiro trará a caixa com a flor a seu apartamento. Você abre a caixa, tira o cartão e lê: "De um admirador!"
Tire a flor da caixa, vá até o espelho, ponha-a na lapela, se você for homem, ou no cabelo, se for mulher, e diga enquanto se mira no espelho:
— Livrei-me da imagem do fracasso e da frustração e a substituí pela imagem da confiança e do sucesso. Às vezes eu vacilo, mas continuo tentando. Eu mereço esta flor.
Contudo, o seu presente a si mesmo não precisa ser uma flor, que tanto significava para Anna. Talvez prefira uma caixa de bombons ou um bom charuto ou um álbum de discos — não posso dizer exatamente o que você quer.
Dê a si mesmo reconhecimento. Dê a si mesmo mérito por seu crescimento conseguido arduamente — não narcisisticamente —, precisamente em termos do homem ou mulher de luta que você vê no espelho e que está tentando tão firmemente, cada dia, estabelecer suas metas e levar uma vida criativa.


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Como vencer os sentimentos negativos - Parte 28

Exercício 13

Agora, que é que você pode fazer com esse espantalho da velhice que nos está assustando hoje? Sente-se, relaxe-se, e vamos pensar no assunto.

1. Fale sensatamente consigo mesmo sobre idade. Se você é jovem, e teme a idade de sessenta e cinco anos, ou de mais de sessenta e cinco anos, e tem pena de si mesmo, tudo equivale à mesma coisa: o que tem a fazer é abrir os olhos, e verá que gente é gente. Verá jovens de setenta e velhos de dezoito. Simplesmente esqueça as fobias supersticiosas e fale sensatamente consigo mesmo. Se não conseguir fazer isso, leia novamente as realizações das pessoas mais velhas que descrevi para você.

2. Combata a conversa pessimista sobre a velhice. Quando as pessoas lhe disserem que coisa horrível é ser velho, não se deixe deprimir; há muito tempo que as pessoas mais velhas negaram a si mesmas o direito de viver criativamente. A morte está mais perto? A satisfação de muitos anos de continuidade pesa muito, também. Dores e achaques? Sim, mas as pressões são mais leves, a pessoa tem mais tempo de fazer o que quer. Não deixe ninguém meter-lhe na cabeça idéias negativas!

3. Estabeleça metas para si mesmo. Todo dia você deve estabelecer metas — não importa qual seja a sua idade. Pare de perder a guerra com os sentimentos negativos; esqueça os sessenta e cinco anos se essa é sua idade, ou se tiver sessenta e cinco anos daqui a trinta anos, e concentre-se em gozar cada dia. Jogue fora de sua mente os pensamentos negativos sobre idade com tanta eficiência quanto atira o lixo no incinerador. Planeje o seu dia, estabeleça suas metas; amanhã você estabelecerá mais metas. Cada dia encontrará uma coisa para gozar.

4. Nunca se retire. Diga a si mesmo que nunca se retirará do mundo das coisas de que gosta — não importa o que as outras pessoas pensem. Diga a si mesmo que, quando tiver de retirar-se de um campo, você se desenvolverá em outro — até um passatempo serve. Mas nunca se retire da vida!

5. Outorgue-se o direito de ser livre. Você deve outorgar-se esse direito em qualquer idade. Pare de enganar-se, pare de entravar o seu prazer. A "busca do prazer" é um direito que tem como ser humano.


O terceiro ato

Devo admitir que este é um capítulo revoltado. Não posso aceitar os entraves que as pessoas impõem à vida criativa, mas sinto-me realmente furioso com alguns dos muitos idiotas que infestam a mente das pessoas, destruindo suas esperanças para a velhice.
Contudo, é um capítulo esperançoso, porque muito se pode fazer para retificar esses preconceitos ignorantes.
O filósofo romano Cícero refletiu bastante a respeito dos anos avançados da vida e escreveu muitas opiniões judiciosas sobre o assunto. "A velhice", acreditava ele, "é a consumação dá vida, tal como em uma peça."
Uma boa peça deve ter um bom começo, e o segundo ato deve levá-la adiante. Mas o terceiro ato deve conduzir a uma conclusão poderosa -— se a peça tiver valor. Uma peça superior deve ter uma força real no fim; deve mandá-lo para casa feliz, deslumbrado ou comovido.
É assim com a vida. Você prova suas riquezas mais sublimes em seus anos avançados. Não preocupações, não medos, não problemas — riquezas.
Seus anos avançados — mesmo com suas limitações físicas, mesmo com suas batalhas contra a doença — podem ser os seus anos mais ricos.
Mas, primeiro, você deve saber que podem ser ricos.
E segundo, e mais importante ainda, deve sentir que merece isso. Deve ser capaz de proporcionar alegria a si mesmo.
Então, seus anos avançados também poderão ser criativos.
 

Capítulo quinze


Seu dia criativo

Este livro é sobre vida criativa. Não amanhã, quando você espera que todos os problemas humanos serão resolvidos em algum ambiente utópico. Hoje. No mundo de hoje, com suas dores de cabeça e pesares, suas dificuldades e calamidades, suas alegrias e satisfações.
No mundo de hoje, com cada vez mais gente amontoada em cada vez menos espaço, com hostilidades raciais e armas nucleares. Vida criativa — hoje.
No mundo de hoje, com seus arranha-céus gigantescos, suas máquinas lançadas no espaço extraterrestre, seus enormes edifícios de frente de vidro. Vida criativa — hoje.
No mundo de hoje, com o sexo desenfreado, velocíssimas pranchas de surfe, danças sensuais, saias curtas para as mulheres. Vida criativa — hoje.
Em nosso mundo de hoje, com sua busca de novas idéias e valores, seu existencialismo, seu zen, sua volta precipitada à religião, suas dúvidas íntimas. Vida criativa — hoje.
Agora, num mundo que se move para os subúrbios, com centros comerciais internos, supermercados movimentados, modas deslumbrantes. Vida criativa — hoje.
No mundo de hoje, com suas superestradas apinhadas de carros, seus congestionamentos de tráfego, falta de água, greves ruinosas. Vida criativa — hoje.
No mundo de hoje, com sua troca livre de idéias, sua correção de erros antigos, sua rebelião contra as injustiças, sua defesa dos povos há muito tempo oprimidos. Vida criativa — hoje.
No mundo de hoje, com seu conhecimento psicológico ampliado, sua maior compreensão da motivação humana, sua diversidade de entretenimento aprimorado. Vida criativa — hoje.
. Este mundo é muito imperfeito, é verdade, mas tem suas virtudes, e você deve encontrá-las. Tem seus bons valores, e você deve encontrá-los. Tem o seu ego, e você deve encontrá-lo.
É no mundo de hoje que você deve viver; é no mundo de hoje que deve aprender a levar uma boa vida. Esqueça o dia de amanhã; pense no dia de hoje.
Façamos de hoje um dia criativo; olhemos para o dia com objetivos; consideremos o dia de hoje como nossa oportunidade. Devemos fazer tudo o que for possível para tornar cada dia uma vida por si mesmo.
Todo dia devemos combater os sentimentos e as forças negativas em nosso mundo, e tornar esse dia um dia feliz.
Vida criativa hoje significa um dia criativo hoje. Depois outro bom dia. E outro bom dia. Um dia de cada vez. Você soma uma sucessão de dias criativos — e tem uma vida criativa.
Você não alcançará esse dia criativo com nossas maravilhas mecânicas modernas; elas podem ajudar ou prejudicar. Você o alcançará se puder desenvolver suas qualidades emocionais, espirituais e de pensamento. Alcançá-lo-á se compreender que qualidades invisíveis precisa para enfrentar a vida com sucesso.
Nas páginas deste capítulo discutiremos, e explicaremos a você, os componentes de seu dia criativo.


As faces de seu dia criativo

Santo Agostinho certa vez escreveu: "O mundo é um livro e aqueles que não viajam lêem apenas uma página". Espero que você "viaje" ao ler este livro, mas, se resolver ler somente uma página, aqui, em forma reduzida, estão as facetas de seu dia criativo.

1. Concentração com coragem.
2. Retorno a si mesmo.
3. Ouvidos para escutar os outros.
4. Afirmação.
5. Treinamento na autodisciplina.
6. Imaginação.
7. V de vitória.
8. Avidez.
9. Crescimento diário.
10. Ajustamento.
11. Anseio de melhoria.

1. Concentração com coragem. Seu primeiro passo ao planejar um dia criativo é concentrar-se nele. A própria concentração — podemos chamá-la de a arte da concentração — apresenta um problema.
Esse problema é como limpar a sua mente de todos os fatores desviantes. Pode-se fazer isso? Sim. E com um método simples.
Primeiro dividamos essa questão de concentração.
Há uma concentração a longo prazo ao se fazer uma dieta para perder peso, concentração durante semanas e talvez meses nessa única meta, sem se afastar dela.
Depois, há a concentração a curto prazo, a focalização da mente num problema imediato — tal como viver um dia criativo.
Pense na concentração em termos de um livro ou uma peça, com um começo e um fim. O pensamento deve ter também um começo e um fim. Portanto, Você sabe que haverá um fim para o seu pensamento — uma resposta; e pode sentir-se seguro de que alcançando esse fim estará desenvolvendo os músculos mentais da concentração.
Uma carta, também, deve ter um começo e um fim. A parte difícil em escrever uma carta é o ato de sentar-se e iniciá-la. Mas, uma vez começada, o fim está à vista. Uma vez que você começou a concentrar-se no que quer fazer, o fim — a vida de um dia criativo — está à vista. E, uma coisa que está à vista —, ora, é sinal de que você já está quase lá!
A concentração é vital a seu bem-estar. Limpando sua mente de todas as irrelevâncias, varrendo tudo exceto o planejamento de um dia criativo, você está visando diretamente os seus objetivos.
A concentração, então, é tão simples como isso: o mero ato de querer começar.
Comece, tente, e você terá resolvido o problema da concentração.
Assim, concentração implica coragem; você deve ser capaz de saltar e mergulhar. Deve ter um sentido de colaboração com seus recursos internos, seu mecanismo de sucesso.
Implica emancipação — dos sentimentos negativos. Você deve libertar sua auto-imagem para crescer.
Muito freqüentemente escravizamos nosso pensamento, tolhemo-nos com insultos autocríticos, pomos correntes em nossos pensamentos com paredes de inibição.
Nós nos impressionamos com justificativas. Desencavamos razões sintéticas para nossas limitações desnecessárias; podemos até mesmo negar a possibilidade de vida produtiva. Condenamo-nos à prisão perpétua — sendo que nosso único crime é nossa série de erros.
Você deve emancipar-se de tal pensamento, que produz uma redução de sua auto-imagem, e chegar a uma compreensão de sua força.
Muitos historiadores acham que o falecido Presidente John Kennedy crescerá com o decorrer dos anos, à medida que os eruditos forem medindo sua importância para o mundo e o colocarem na perspectiva adequada. Assim sendo, certamente isso será um reflexo de sua habilidade em concentrar seu pensamento e em emancipá-lo das limitações. Kennedy estimulou a imaginação na vida política e nas relações internacionais.
Seu mundo pode ser bem menor em amplitude do que o do Presidente Kennedy — antes de sua morte trágica —, mas pode ser tão significativo para você quanto o mundo dele era para ele mesmo. Para viver um dia criativo, deve antes de tudo concentrar-se, com coragem.

2. Retorno a si mesmo. A fim de não nos retirarmos da vida, mas retornarmos a ela, durante nosso dia criativo, devemos utilizar nossas potencialidades. Pensar é o nosso maior dom; é o que nos torna superiores ao animal. Sejam quais forem as nossas capacidades, podemos pensar dentro desses limites. Sejam quais forem as limitações que imaginemos ter, devemos pensar claramente dentro delas, e constataremos que somos mais do que cremos ser. Devemos aprender que tal compreensão não é mera meditação; é pensamento em ação. Pensar, aqui, não é um processo passivo, mas ativo.
Para nos sentirmos seguros, devemos usar nosso cérebro para compreender a nós mesmos e aos- outros. À medida que nos tornamos peritos em nosso trabalho, em ganhar bastante dinheiro para viver, deveremos tornar-nos peritos em compreensão. Manter nosso emprego não é o bastante; parte de nossa tarefa na vida consiste em compreender a nós mesmos e aos outros, em ter compaixão de nossos defeitos e dos outros; parte de nossa tarefa consiste em evitar os sentimentos negativos do passado e em nos concentrarmos nos prazeres e êxitos.
Todo dia devemos retornar a nós mesmos. Todo dia, depois de tentarmos enfrentar os nossos problemas, devemos compenetrar-nos de nossa identidade como pessoas de valor.
Devemos retornar a nós mesmos com tanta determinação quanto o General Douglas MacArthur quando retornou em triunfo às Filipinas.
Isso parece muito melodramático?
Na realidade não o é, absolutamente.
Porque, no processo da vida, muitos de nós nos afastamos de nós mesmos, esquecemos quem somos e de que somos feitos. Destruímos nossa força de vida tão completamente como um exército de traças devastaria nossos tecidos de lã.
Se fracassamos em empreendimentos passados — e todos nós já fracassamos —, podemos ter medo de fracassar em nossos empenhos presentes, e assim distorcemos nossa perspectiva, nossa auto-imagem, e nos afastamos de nós mesmos, do que realmente somos e do que podemos ser.
Abandonamos nossa imagem e odiamos a nós mesmos; abandonamo-nos por um mundo vazio ou um regresso à vida vegetativa não-individualista, sem auto-imagem.
Devemos tirar um tempo todo dia — mesmo que apenas dez ou quinze minutos — para nos analisarmos, para retornarmos a nós mesmos, à nossa auto-imagem realista. Devemos admitir nossos fracassos, mas compreender que eles fazem parte do processo da vida. Nenhum de nós é perfeito; não devemos chegar ao ponto de negar a nós mesmos a oportunidade de melhorar.
Como parte de seu dia criativo, você deve retornar a uma "Ísquia de sua mente" por algum tempo e lembrar:

a) que obterá sucesso em seus empreendimentos futuros, como obteve no passado;
b) que poderá corrigir os erros e elevar-se acima dos fracassos;
c) que todo dia é uma nova existência e que você tem de começar novamente para atingir sua meta;
d) que em tal realização você se torna seu próprio criador e planeja o dia para si mesmo construtivamente;
e) que os sentimentos negativos o afastam de si mesmo e o tornam inferior ao que você é;
f) que todo dia você deve combater os sentimentos negativos e lutar para alcançar sua auto-realização;
g) que a arrogância o afasta de si mesmo, dos outros e de Deus;
h) que ao retornar a si mesmo você tem a oportunidade de tirar proveito de seus erros; como seu próprio cirurgião plástico, sem bisturi, pode cortar compassivamente o ódio a si próprio e melhorar sua auto-imagem;
i) que com uma auto-imagem forte você nunca precisa retirar-se da vida ou de si mesmo.

Por que o retorno a si mesmo é uma face da vida criativa?
Porque se você tiver esse sentido de fortificação interna não usará desculpas para retirar-se da vida.
Nas palavras de Robert Louis Stevenson: "Ser o que somos, e ser o que somos capazes de ser, é o único fim da vida".

3. Ouvidos para escutar os outros. Devemos procurar ir ao encontro das pessoas; devemos desenvolver a capacidade, de ouvi-los. É importante ouvir os outros falarem, não apenas ouvir o que falamos.
A arte de escutar é a arte de compreender; é a arte do progresso. Nessa arte de escutar, devemos pensar em nossos ouvidos como duas pálpebras extras. Nossas pálpebras se abrem e se fecham; elas se abrem para a luz e se fecham para a irritação ou uma possível lesão. Aprendemos a abrir os ouvidos para a opinião dos outros; aprendemos que eles são tão bons quanto nós, mesmo que tenham defeitos. Nós temos defeitos, também. Aprendemos a abrir os ouvidos para a razão porque ela muito freqüentemente encontra dificuldades neste mundo, e as pessoas podem recusar-se a ouvi-la.
Não pode haver empreendimento sem comunicação entre as pessoas; devemos a todo momento procurar desenvolvê-la.
Devemos ter ouvidos para escutar a nós mesmos, para escutar a batida de nossa mente, o relógio interior que marca as alegrias e tristezas de que somos herdeiros, essa nossa auto-imagem que pode ser nossa amiga.
Se temos de fechar nossos ouvidos, aprendemos a fechá-los aos preconceitos, às ameaças diárias dos sentimentos negativos.
O empreendimento é uma questão de comunicação, de força da auto-imagem, de ir em direção da vida sem medo. Em seu dia criativo. E todo dia.

4. Afirmação. Você não deve resignar-se à vida, renunciar a ela; deve reafirmá-la. Não deve resignar-se à sua auto-imagem, renunciar a ela; deve reafirmá-la, compreendendo que não há vida sem ela.
Isso é um princípio cardeal da vida criativa cotidiana. Você alcança sua verdadeira potencialidade através de aspirações. Deve tê-las todo dia não somente para si mesmo, mas também para os outros — para seus amigos, sua comunidade, sua igreja ou templo. Não deve deixar que a competição o cegue para seu papel de membro da grande família humana. Deve afirmar sua fraternidade; as desventuras dos outros devem ser suas desventuras. Você deve sentir pelas outras pessoas.
Deve manter sua crença no dia de hoje e ao de amanhã. A vida muda cada dia; você deve vibrar com a inspiração de metas proveitosas, evitando os pensamentos negativos e reativando o mecanismo de sucesso dentro de você. Repito isso porque é fundamental para a vida.
Deve livrar-se de julgamentos morais severos; equipar-se para compreender e amar seus semelhantes — se primeiro amar e compreender a si mesmo.
Há alguns meses, andando numa das inúmeras ruas movimentadas de Nova York, vi um táxi dobrar uma esquina, depois reduzir a marcha e parar para desembarcar um passageiro. Outro táxi, que vinha atrás e também dobrou a esquina, não pôde parar em tempo. Houve uma colisão muito branda.
O motorista do primeiro táxi, naturalmente, saltou para inspecionar o dano causado à traseira de seu veículo. Não havia dano algum. Ele disse: "Esqueça isso" para o outro motorista, subiu em seu carro e arrancou para o tráfego — em busca de um novo passageiro.
Poderia ter feito um grande barulho — outros motoristas têm contratado advogados por menos do que isso —, mas seu sentimento fraterno pelo colega era muito forte. Poderia ter causado confusão ou briga; mas não o fez.
Enquanto continuei a andar, dirigindo-me para meu consultório, vi-me rindo com a fraternidade despretensiosa da conduta do motorista de táxi.
Para mim isso representou uma afirmação da força positiva da vida, uma afirmação de confraternização com as pessoas — no meio da selva fria que pode ser o tráfego de Nova York.
É uma afirmação de boas relações entre pessoas que, até certo ponto, é vida.
Para viver um dia criativo, você deve manter sua crença em si mesmo, sua crença nas pessoas, nas criaturas da vida.

5. Treinamento na autodisciplina. A autodisciplina é sua chave de ouro: sem ela, você não pode ser feliz. A disciplina é a diferença entre o que podemos fazer e o que devemos fazer. Em nosso dia criativo vivemos "com disciplina, continuando a estabelecer metas, recusando permitir que os cupins imaginários nos esvaziem como seres humanos.
Em minha existência tenho conhecido muitas pessoas famosas — dirigentes de empresas, estadistas, artistas de teatro e de cinema, médicos — e tenho me inteirado de suas cicatrizes emocionais. Poucas pessoas têm seguido linhas retas para o seu sucesso; muitas têm errado às vezes e superado seus erros com uma crença persistente em si mesmas. A disciplina, em última análise, tem sido o instrumento com que elas têm forjado o seu sucesso; a autodisciplina tem sido sua arma poderosa.
Todos os artistas são escravos de sua arte antes de se tornarem senhores dela. Todos os músicos são escravos diários da prática que significa autonegação; devem participar vezes e mais vezes se querem obter sucesso.
Ted Williams queria ser um grande batedor, e foi isso que se tornou, um dos maiores da história do beisebol. Mas ele o conseguiu por meio de prática, não de mágica.
Do mesmo modo devemos disciplinar-nos se quisermos ser felizes. Precisamos de disciplina para estabelecer metas e executá-las.
Epicteto disse: "Leve uma boa vida e o hábito a tornará agradável". Se dominarmos o hábito da autodisciplina, o mundo será nosso. E, se você quiser adotar o treinamento diário para adquirir o hábito, eis o que deve fazer.
Feche os olhos e veja-me na tela de sua mente. Estou lutando contra um adversário imaginário, embora não seja pugilista. Enquanto bato em meu oponente imaginário, aprendo a dançar com agilidade. Meus pés são rápidos, meus punhos também; minha mente é rápida; disciplino-me a derrotar meu inimigo.
Você pode também treinar-se na arte simbólica de lutar contra um adversário imaginário, para as batalhas que tem de travar todo dia para fazer alguma coisa da vida, para alcançar suas metas.
Pode disciplinar-se a ser rápido, a tomar a ofensiva, a esquivar-se dos inimigos: medo, passividade, inércia, apatia.
É importante que você compreenda a disciplina nas relações entre pai e filho.
Há coisa de uns cem anos, em Viena, muitas mulheres grávidas morreram no hospital geral depois de darem à luz. Um tal Prof. Klein disse que era devido à poluição da atmosfera; um médico jovem chamado Philipe Semmelweis não acreditou nisso. Finalmente descobriu que a febre puerperal era um envenenamento do sangue produzido pela contaminação das mãos dos estudantes de medicina que examinavam as mães. O Prof. Klein representava a autoridade, a ordem estabelecida das coisas; Semmelweis representava a liberdade de pensamento, a verdade. A autoridade expulsou Semmelweis do hospital, e pelo resto de seus dias ele lutou por seus princípios, lutou pela verdade, mas a autoridade não queria ouvir. Finalmente, Semmelweis examinou um espécime de tecido de uma mãe que morrera de febre puerperal e cortou o dedo acidentalmente; logo contraiu febre e morreu — de febre puerperal. Na morte ele provou que a liberdade de pensamento podia triunfar sobre a autoridade — mesmo na tragédia.
Haverá sempre luta entre a autoridade e a liberdade de pensamento, e sua variação na autoridade doméstica, paternal, versus a liberdade de expressão dos filhos.
As crianças têm a esperança e o futuro de seu lado; os adultos a maturidade e a sabedoria. A autoridade paterna é insensata quando envolve castigo, obstinação, falta de compreensão; esse tipo de disciplina cria um abismo entre pais e filhos.
A disciplina apropriadamente transmitida a uma criança que secretamente anseia por orientação deve ser prestimosa — e não destrutiva, como o castigo imposto pelo Dr. Klein ao Dr. Semmelweis. A disciplina é mais um teste do adulto que a impõe do que da criança que a recebe. Compreensão e auto-respeito são as bases de orientação da disciplina criativa que alcançará o coração da criança.
A disciplina criativa é uma sociedade entre um pai e um filho — um encontro entre a auto-imagem de um adulto que cometeu erros e a auto-imagem de um garoto que cometerá erros. A atmosfera é de amizade.
Assim, a disciplina efetiva do pai começa com a autodisciplina.
É democrática; não há força.
Voltando ao adulto que, como tal, procura planejar dias de atividade criativa:
Ele deve disciplinar-se para estabelecer metas cada dia.
Deve disciplinar-se para suas metas, escravizar-se a si mesmo para que possa sentir-se livre.
Deve disciplinar-se para pensar livremente; não deve aceitar a autoridade irrefletidamente.
Deve disciplinar-se' no espírito da brandura com que um bom pai disciplinaria um filho que fosse seu amigo.
Isso é básico para um dia criativo.


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Como vencer os sentimentos negativos - Parte 27

Respeito pela idade

Quando uma pessoa cresce numa cultura, geralmente adota os costumes dessa cultura sem crítica. Se for americano, provavelmente jogará beisebol; se for inglês praticará críquete; se vier da Suíça, mais provavelmente gostará de esquiar.
Modos de pensar — atitudes para com a velhice, por exemplo — que aceitamos como axiomáticos não são forçosamente universais.
Nas culturas de orientação confuciana há reverência pela idade. Confúcio, o grande pensador social chinês, cuja meta era uma boa sociedade baseada na bondade e lealdade, causou um impacto sobre a ética, o governo e a religião chinesa que durou dois mil anos e se propagou a outros países.
"O homem verdadeiramente virtuoso", escreveu Confúcio, "desejando fortalecer a si mesmo, procura fortalecer os outros; desejando sucesso para si mesmo, esforça-se para ajudar os outros a obterem sucesso... Virtude é amar os homens."
Confúcio era a favor de uma sociedade unida por obrigações morais: pai e filho, marido e mulher, amigo e amigo. Ele acentuava a continuidade das pessoas, que levava a fortes vínculos familiares abrangendo piedade filial, respeito pela idade e adoração ancestral. Os ritos ancestrais deviam ser executados sinceramente, para dar continuidade às relações humanas, que a morte não devia extinguir, e para lembrar às pessoas o começo de suas vidas, que poderia capacitá-las a sentir-se ligadas e virtuosas.
Alguns eruditos acham que, embora Confúcio fosse um homem culto, sua sabedoria livresca era exagerada — mas não acredito que alguém duvide da intensidade de sua compaixão pelas pessoas.
Suas idéias se arraigaram em culturas que, com todas as suas imperfeições, acentuaram uma apreciação respeitosa das qualidades positivas dos mais velhos.
Embora sua influência esteja decrescendo, suas idéias ainda são importantes em alguns países, como por exemplo o Japão, onde a família é uma entidade continuada, e a veneração pelas pessoas mais velhas sobrevive.
Os mais velhos são prezados em outras culturas principalmente por razões econômicas.
A situação prevalece entre alguns grupos de esquimós, onde os homens podem caçar até os setenta anos e as mulheres são necessárias a vida inteira pela habilidade de suas realizações domésticas: colher verduras e legumes, conservar a carne, costurar roupas de inverno e transmitir aos netos, a quem elas entretém extensamente, as patranhas de seus ancestrais.
Mesmo depois dos setenta anos, os homens são altamente respeitados entre esses esquimós, por seu conhecimento no que concerne à previsão do tempo, ao gelo e aos movimentos das correntes, como também quanto aos hábitos dos animais polares. Os mais novos procuram orientar-se com os mais velhos a respeito dos fatores ambientais que, por serem muito jovens, não podem dominar. Há histórias de anciãos das aldeias salvando a vida de outros homens graças à sua habilidade de governar barcos através da neblina impenetrável, passando pelas massas de gelo flutuante.
Esses esquimós mais velhos são prezados por seu papel econômico produtivo; em certas partes da Birmânia, as pessoas mais velhas recebem um tributo pelas contribuições que fizeram à sociedade quando eram jovens. Como pessoas idosas, são livres para devotar-se a meditações e filosofia, enquanto mantêm sua influência como sábios conselheiros de suas famílias e recebem o apoio respeitoso dos filhos, que as honram por sua vida inteira de serviço como pais amorosos.
Meu objetivo ao descrever essas culturas estrangeiras não é certamente demonstrar que são melhores do que as nossas — são infinitamente mais primitivas e de alguma forma muito mais cruéis —, mas que são diferentes em seu conceito de valor das pessoas mais velhas. O estudo das idéias de outros povos pode levar-nos a mudar as nossas, às vezes, apenas por nos mostrar que as nossas idéias não são as únicas possíveis.
"Quando em Roma, faça como os romanos", costuma-se dizer, mas na verdade existem várias espécies diferentes de romanos.


A dignidade dos seus anos de velhice

As generalizações raramente são cem por cento exatas. Você certamente encontrará pessoas que respeitam a velhice e que têm atitudes positivas para com sua utilidade, para com sua sabedoria e dignidade. Quando critico as atitudes modernas, critico a norma. Há sempre exceções.
Para sermos justos com a nossa cultura atual, devemos dizer que as atitudes negativas para com as pessoas mais velhas prevaleceram em muitas culturas passadas, também.
Não assisto freqüentemente à televisão, mas há vários anos vi um filme cujas imagens — historicamente precisas, presumo eu — ficaram nitidamente gravadas em minha mente. A ação ocorreu talvez há uns cinqüenta ou sessenta anos, no velho oeste.
Uma tribo levou um índio velho — que não era mais útil, pensavam eles — para uma caverna para morrer, já que o pajé achou que ele era uma influência má. Os vaqueiros tentaram salvar o velho índio, mas fracassaram. Então os rios secaram e todo mundo ficou desesperado, pensando no futuro. Como último recurso, o velho conseguiu apelar para sua bagagem de conhecimentos. Era a única pessoa que se lembrava como isso acontecera muitos anos antes, e como a tribo lograra libertar as águas dos rios naquela época cavando em volta de um certo grupo de rochas. Com a ajuda do velho, as águas dos rios correram novamente e os irmãos índios, agradecidos, levaram-no de volta ao aldeamento para viver.
Mas quando os vaqueiros seus amigos surgiram de novo, o pajé tornou a impor sua vontade. O velho foi enviado de volta para a caverna para esperar a morte. As superstições do pajé sobrepujaram o seu valor comprovado para a comunidade.
O velho índio sábio — tão prezado quando era jovem — mantinha-se de olhos fixos nas paredes de sua caverna-prisão, e a cena pareceu-me tão triste que me arrancou lágrimas dos olhos.
Que desperdício! Que ignorância e desumanidade intoleráveis! Podemos aceitar tais práticas? Eu não posso. É uma coisa tão ridícula como a atitude chinesa de antigamente de desvalorizar o nascimento de meninas, pois eram consideradas criaturas inferiores.
Ou a da bárbara cruzada da Nova Inglaterra de matar "feiticeiras" na fogueira.
Aquele pobre índio — ele permanece em minha memória, escarranchado desalentadamente em sua caverna — é um símbolo da atitude de "jogar no lixo", que ainda prepondera com o correr dos anos, a vida de uma pessoa que deve ser dignificada.
Dizem que bom vinho e champanha melhoram com a idade, e às vezes acontece o mesmo com as pessoas.
Em seus trabalhos matemáticos e de engenharia as pessoas de mais de sessenta e cinco anos — mesmo com deficiências físicas — se saem pelo menos tão bem quanto as mais novas.
Em certas qualidades humanas preciosas, as pessoas mais velhas obviamente demonstram uma superioridade sobre os jovens. Anos de experiência e vida freqüentemente produzem maior tolerância para as diferenças individuais e para o erro humano. Onde a juventude é às vezes cruel e arrogante, as pessoas idosas que envelhecem graciosamente são infinitamente mais compreensivas — tanto no que diz respeito a seus semelhantes quanto em relação às condições da vida neste mundo. O tempo, que os poetas através dos anos têm denunciado como um ladrão de juventude, traz consigo sabedoria madura, contentamento, precioso savoir-faire.


Direitos civis para as pessoas mais velhas

Devemos deixar de segregar os mais velhos num compartimento ridículo assinalado MAIS DE SESSENTA E CINCO ANOS — REPOUSO, SONO, BANHO DE SOL, classificando-os num grupo de idade inútil que degrada sua dignidade como seres humanos, que destrói sua esperança de uma boa vida.
Não será isso discriminação?
Os direitos civis constituem um assunto importante nos Estados Unidos hoje — e por uma boa razão. Há muito tempo os negros vêm sendo segregados em favelas, amontoados em escolas pobres, discriminados econômica e socialmente devido à cor de sua pele.
Esse preconceito racial, a segregação de toda essa gente num compartimento supostamente inferior assinalado NEGRO tem sido uma vergonha nacional, e já é tempo de que as pessoas de influência atendam à necessidade de mudança. Na realidade só os primeiros passos foram dados; é preciso fazer-se mais para dar ao negro dos Estados Unidos sua condição plena de ser humano, sua verdadeira dignidade como criatura de Deus tanto quanto se dá a outra pessoa cuja pele acontece ser branca.
Tenho certeza de que quase todos os meus leitores concordarão com esses sentimentos.
Contudo, que dizer da segregação debilitante, auto-destrutiva, das pessoas mais velhas? Por que não há também um clamor contra isso?
Pois devia haver. Há juventude nos velhos, e velhice nos jovens; as pessoas são complicadas, e o tipo de categorização implícito na palhaçada discriminatória dos de mais de sessenta e cinco anos é absurdo. Por que não segregar pessoas em baixas e altas, ou magras e gordas, encorajando as baixas e magras a levarem uma vida produtiva, enquanto as altas e gordas devem tirar cochilos, assistir a televisão e tomar banho de sol? Faria mais ou menos o mesmo sentido.
A segregação das pessoas mais velhas é injusta; é também errônea.


A verdade sobre a sua velhice

A verdade sobre a sua velhice é que sua qualidade não é uma questão cronológica. As pessoas são pessoas, e a gente não pode numerá-las e depois riscá-las.
A verdade é que elas podem ser criativas. Isso deve ser tranqüilizador não somente para os mais velhos, mas para os leitores mais jovens que temem um futuro que tem sido mal traçado para eles.
Cari Sandburg, o grande poeta americano e biógrafo de Abraham Lincoln, criador de epopéias tais como The people, Yes, escreveu algumas de suas obras mais notáveis depois da idade de setenta anos.
O falecido Herbert Hoover, ex-presidente dos Estados Unidos, assumiu o encargo de coordenar as provisões mundiais de alimento de trinta e oito países para o Presidente Truman em 1946 — com a idade de setenta e dois anos. Em 1958, ele era representante dos Estados Unidos na Bélgica — com oitenta e quatro anos.
Charlie Chaplin com setenta e seis anos estava trabalhando na direção de um filme com "jovens" como Sophia Loren e Marlon Brando.
Samuel Eliot Morison coroou uma existência de trabalhos históricos notáveis com seu livro Oxford history of the American people, um best seller tremendo em 1965, quando já estava com seus setenta e tantos anos.
Noutro setor, no "jogo de jovens" de beisebol, Casey Stengel com setenta e cinco anos — de cabelos brancos, costas curvadas — finalmente afastou-se de sua exaustiva tarefa diária de dirigir a equipe dos New York Mets.
A grande Eleanor Roosevelt, já falecida, era mais ocupada durante os seus "anos de aposentadoria" do que muita gente nos seus vinte ou trinta e poucos anos, participando de atividades comunitárias, políticas e beneficentes. Achou até tempo aos seus setenta e poucos anos para escrever sua autobiografia.
Outro homem produtivo que se recusou a diminuir ò ritmo prematuramente foi Edward Steichen, fotógrafo, artista e cultivador de plantas. Em 1955, aos setenta e tantos anos, Steichen criou a famosa exposição Família do Homem, para o Museu de Arte Moderna, certamente uma de suas grandes realizações.
Nos campos da política e do governo, homens como os falecidos Bernard Baruch e Herbert Lehman serviram em funções oficiais e não-oficiais até já estarem bem avançados na casa dos setenta. O falecido Alben Barkleu foi vice-presidente dos Estados Unidos com bem mais de setenta anos, e Dwight Eisenhower já tinha ultrapassado bem a linha divisória dos sessenta e cinco anos quando deixou a presidência.
Pablo Casals, violoncelista, compositor e regente, num documentário para a televisão, mostrou como aos oitenta e oito anos ainda está ativo, regendo, ensinando e trabalhando para a paz.
Artistas como Picasso*, com seus oitenta e tantos anos, e Chagall, com seus setenta e tantos, ainda estão criando. Não é provável que se aposentem — pelo menos voluntariamente não o farão.
* Casais e Picasso ainda eram vivos na época em que este livro fui escrito. (N. do E.)

Essas pessoas não recolheram seu talento nem recuaram assustadas quando passaram dos sessenta e cinco anos. Prestaram atenção a seus instintos criadores, como tenho certeza que fizeram quando eram mais novos, e esqueceram os números que seus aniversários foram registrando.
Ainda agora, quando penso em pessoas que viveram plenamente em sua velhice, indômita e destemidamente, dois homens me vêm à mente — os falecidos Winston Churchill e Albert Schweitzer.
Churchill foi um líder político enérgico quando era relativamente jovem, mas suas maiores experiências e triunfos ocorreram em sua velhice. Assumindo o cargo de primeiro-ministro em maio de 1940, com a idade de sessenta e cinco anos, com a Grã-Bretanha na defensiva ante a tirania nazista, ele declarou: "Nada tenho a oferecer senão sangue, labuta, lágrimas e suor".
Em julho de 1940, reuniu o seu povo: "Defenderemos cada vila, cada povoado, cada cidade".
No seu sexagésimo sexto aniversário, o comunicado oficial foi: "O primeiro-ministro continua com a guerra".
Ele "continuava com a guerra" e ninguém sabia que ele superara um ataque cardíaco durante aqueles anos.
Churchill aos setenta anos dirigiu-se a multidões no dia seguinte ao da vitória na Europa, subindo na capota de seu carro para falar.
Aos oitenta, tendo estado no poder e fora dele desde a guerra, aposentou-se do cargo de primeiro-ministro.
Aos oitenta e tantos anos, substituiu a política por passatempos como pintura e ocupações eruditas. Vivia com metas e interesses, e nunca se afastou do povo de seu país, que tanto o idolatrava. Quando morreu, aos noventa anos, ninguém podia ter pena dele, porque empregara sua vida muito bem. Sua morte foi uma perda mundial.
Schweitzer foi outro portento. Certamente um dos homens mais versáteis que já existiram, Schweitzer foi missionário, humanitário, cirurgião, fundador de um hospital, diretor de faculdade, conferencista em Oxford, organista, teólogo, escritor.
Aos setenta e tantos anos, foi agraciado com o prêmio Nobel da paz.
No seu octogésimo aniversário, estava como habitualmente em Lambaréné, Gabão, África Equatorial Francesa, onde fundou seu famoso hospital para os habitantes nativos. Estava ainda ativo em seu trabalho, cuidando dos doentes, trabalhando em seus manuscritos, tocando Bach em seu piano, passando o dia com seus amigos da África e da Europa.
Até sua morte, aos noventa anos, Schweitzer continuou a viver cada dia plenamente — e utilmente.
Essas crônicas são interessantes para você? Instrutivas? Devem ser, porque são refutações da filosofia da "camisa-de-força aos sessenta e cinco anos" e da "cela de prisão aos setenta", com a qual as pessoas matam a si próprias enquanto estão vivas.
"Mas essas pessoas", você poderá dizer, "são "homens (e mulheres) extraordinários. Como posso ser igual a elas?"
Você está no mesmo grupo cronológico — ou estará, em cinco, dez, quarenta ou cinqüenta anos.
"Sem dúvida", dirá você, "mas eles são famosos. Eu não sou ninguém. Ninguém sabe quem sou."
Não posso negar isso. Porém a alegria de uma pessoa não vem da fama, mas da satisfação de exercer seus poderes criadores. Essas pessoas são de carne e osso; não são deuses. Independentemente de suas realizações, são tão humanas quanto você e eu. Assim como elas, em suas esferas mais divulgadas, têm vivido anos ativos, positivos, na velhice, você também pode viver, você que é livre das restrições da fama — e igualmente privado de seus privilégios.
Recentemente fiz um seminário sobre psicocibernética em San Diego, Califórnia, e um dos estudantes era um homem de oitenta e dois anos. Durante o intervalo, ele veio falar comigo.
— Gosto muito de seus livros Psicocibernética e O poder mágico da psicologia da auto-imagem — disse ele —, e tenho emprestado meus exemplares aos amigos. Doutor, o senhor sabe por que eu estou fazendo este curso?
— Por quê?
— Porque estou com oitenta e dois anos e estou praticando para ter noventa.
Esse homem não conhecia o significado de "aposentar-se", de "a idade da inquietação", ou de qualquer das nossas palavras de negação do século xx. Um homem comum, ele conhecia a vida e a renovação, conhecia a maturidade na velhice. Era um Galileu diante de quem novos mundos se abriam e, como Galileu, não tinha medo de abrir os olhos e explorar novas regiões de diligência.
Assim também podem fazer vocês, se se lembrarem de que a hora de se retirarem de um campo é quando estão se desenvolvendo em outro.


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Como vencer os sentimentos negativos - Parte 26

Separação e solidão

Dissecamos os sintomas da solidão, e encontramos: limitação, obstinação, autodespejo, desgosto, impotência espiritual, nostalgia. Estes são os componentes básicos da solidão, tão básicos como açúcar, farinha de trigo e ovos, se você quiser fazer um bolo.
Por último vamos discutir a separação, ou o sentimento de estar separado.
Não separação em termos de tempo ou espaço, mas em termos de sentimento.
Não sei se devo considerar o sentimento de separação como um sintoma da solidão; talvez fosse mais preciso dizer que o sentimento de que uma pessoa está separada, isolada das outras pessoas, incapaz de estender o braço e tocar nos outros porque há um abismo intransponível entre eles — isto é a própria solidão.
Pois a solidão é esse sentimento terrível de separação dos seus semelhantes, de isolamento de seu clã.
É um sentimento terrível, talvez o mais angustiante que existe.
Acredito, e acho que esse pensamento não nasceu de mim, que as pessoas que estão aterrorizadas com a morte consideram-na como uma separação completa dos outros — e não como uma continuação ou um regresso ou parte de um processo natural.
Não é o pensamento da morte que as atemoriza; é o medo da separação, da solidão eterna.
As pessoas que não temem a morte têm uma vida rica. Vivem perto dos outros a vida inteira, e para elas a morte deve parecer uma continuação desse estado feliz — com as impressões firmes que deixaram para trás, no mundo prosaico, como consagrações carinhosas a suas vidas.
Separação, solidão, esses são os flagelos. Esses são os grandes temores do homem.
O homem que entra numa batalha — um soldado de infantaria que espreita o inimigo com fuzil e granada — avança com os companheiros, tendo um sentimento íntimo de camaradagem que o capacita a vencer seu terror da morte e a continuar avançando. Está atemorizado; mas será que está tão atemorizado quanto a pessoa solitária que não tem amigos, ninguém com quem falar, que sente um vazio em sua alma e que, sem perigos realísticos, tem medo de sair e enfrentar as pessoas à luz do dia?
Por mais cruel que seja sua sorte, o soldado de infantaria pelo menos sabe que está fazendo o melhor que pode, que está enfrentando a realidade, que os amigos o ajudarão se puderem.


Exercício 12

Muito bem, você está procurando planejar o prazer para seus dias. Um dos obstáculos mais formidáveis ao prazer é o problema da solidão.
Certamente a literatura sobre o assunto atestaria, quase pateticamente, o fato de que no mundo de hoje o sentimento da solidão é um problema grave.
O que pode você fazer a respeito?
Muita coisa.
Pode dar duro num trabalho que precisa ser feito: eliminação dos sintomas da solidão.

1. Pode trabalhar para deixar de impor limitações absurdas a si mesmo.

2. Procurar ser menos obstinado, admitir o ponto de vista dos outros indivíduos de vez em quando.

3. Tomar uma locação legítima em sua própria mente e trabalhar para assegurar a sua posição ali, recusando-se a renunciar aos sentimentos com relação a seus direitos e auto-respeito.

4. Combater os sentimentos de. desgosto que ameaçam sufocar todos os seus instintos mais alegres da vida.

5. Lutar contra um sentimento de impotência espiritual, se fortificar sua capacidade de enfrentar um mundo mutável, incerto.

6. Sufocar a nostalgia antiquada pelo passado com uma Nova Nostalgia, num anseio por bons dias agora e amanhã. Pode trabalhar para realizar esses anseios valiosos.

Todo dia, quando você dispuser de alguns minutos, analise essa lista dos componentes da solidão. Qual se aplica a você? Use um exemplo mental para poder ver a si mesmo tão objetivamente quanto possível. Seja sincero — mesmo que doa. Quais são os fatores que separam você das outras pessoas — e do sentimento de si mesmo? Olhe em seu espelho real quando precisar; olhe em seu espelho mental também para ajudar a si mesmo.
Todo dia faça grandes esforços para achar os motivos de sua solidão e para reforçar-se como um bom ser humano, um membro interligado da raça humana.
Veja se esse esforço não o ajudará.
Porém, mais do que tudo, você pode trabalhar para pôr em foco mais nitidamente sua auto-imagem feliz. Pode trabalhar para avançar cada dia com mais confiança — com uma auto-imagem mais forte.
Não posso repetir muito o conceito de auto-imagem, porque ela é seu melhor amigo ou seu pior inimigo.
Se você reforçar sua auto-imagem, se o fizer realisticamente, sem mágica, sem impostura, sem falsificação, formando-a com base numa estimativa amistosa do que você é agora, projetando isso no que poderá ser quando reforçar seu pensamento e sua imaginação, dará passos largos em muitos setores básicos de sua vida.
Aceitando a si mesmo, aceitará os outros e procurará vencer o abismo que o separa dos outros e que constitui a solidão.
Você poderá vencer a solidão.
Depois de fazer isso, conseguirá viver criativamente.
Terá uma sensação de intimidade, de fraternidade, para com os demais seres humanos — e certamente isso é um dos pontos fundamentais para a vida feliz.
Também pratique novamente o Exercício 11 do capítulo anterior. Faça-o, faça-o vezes e mais vezes.
 

Capítulo catorze


Vida criativa aos sessenta e cinco anos e mais

Dois amigos se encontram em frente de um supermercado numa tranqüila zona suburbana; apertam-se as mãos. Ambos têm mais de sessenta anos e a conversa deles é mais ou menos a seguinte:
— Como vai, Joe? Prazer em vê-lo.
— Tão bem como se pode esperar, Jim, em minha idade. Como vai você?
— Tal como você, Joe, você sabe como é. Qualquer dia em que não tenho dores e achaques é um bom dia. Quando era mais moço, esperava mais... mas agora conheço melhor a vida. Não sinto dor nas pernas hoje. Dou graças a Deus.
— Tenho de fazer as compras por minha mulher esses dias, suas costas estão piores. Até a vista, Jim.
— Até logo, Joe.
Essa conversa não é uma produção original minha — já a ouvi antes e você também. Reflete o tipo de pensamento que mergulha as pessoas de mais de sessenta anos numa prisão feita por elas mesmas, uma cadeia em que a dor e a doença são o carcereiro, em que as grades são os temores da idade cronológica — inúmeros — e da morte.
Já que a vida criativa é rara entre as pessoas acima de sessenta e cinco anos, vamos dedicar um capítulo inteiro aos problemas especiais dessas pessoas em idade de aposentadoria. Acho que este capítulo deve ser também interessante para gente mais nova; poderá ajudá-las a se sentirem mais otimistas sobre as possibilidades de felicidade quando forem velhas.
Porque, em qualquer idade, você ainda pode ter uma vida boa. Ao contrário da crença popular, a felicidade não é um processo de numeração cronológica.


O terrível número 65

Contudo, incrivelmente, certos números encerram uma grave carga emocional. O livro A vida começa aos quarenta pode ter ajudado a levantar o teto de preocupação sobre a idade, como uma moratória com respeito a dívidas, mas o número 65 continua a ser um número fatídico. Isso, em parte, é um fator sócio-econômico: muitas empresas comerciais, considerando sessenta e cinco anos como simbolizando o fim do valor do homem como produtor econômico, estabeleceram essa idade como a da aposentadoria compulsória. De qualquer forma, 65 não é um número recebido festivamente pelos que completam essa idade; talvez dentro em pouco ameace a posição do 13 como número que não se deve mencionar.
Muitas pessoas aos sessenta e cinco dizem consigo que a vida terminou. Pensam constantemente na morte e falam nos sintomas físicos que podem causá-la. Cada dia se torna uma ação retardadora contra as forças da morte, em vez de uma dedicação ao gozo da vida. Seus pensamentos transbordam de medo e sua conversa é uma recitação das mortes e doenças de amigos e parentes.
A preocupação precipita-se em suas mentes como pombos descendo sobre miolos de pão atirados ao chão, e elas passam o resto dos seus anos vivendo com a morte.
Outros, quando atingem os sessenta e cinco anos, caem numa espécie de inércia rósea. Atingiram, pensam eles, os anos da ventura e estão destinados a anos e anos de aposentadoria. Irão dormir de noite e tirar cochilos durante o dia; deitar-se-ão na cama de noite e ocuparão a espreguiçadeira de dia. Sua atitude para com tudo será horizontal, nunca vertical. Não andarão a pé, só de automóvel; não farão nada, apenas descansarão. Nem mesmo pensarão; a televisão ou os jornais pensarão por eles. Certamente, depois de seus anos de luta, ganhando dinheiro para pagar as contas, educando os filhos, esses anos de aposentadoria serão deliciosos.
O número 65 é fatídico para essas pessoas. Elas — será você uma delas? — desperdiçam seu tempo com medo da morte, já que ela é um processo natural a respeito do qual não podem fazer nada. Elas — você? — não gozarão uma aposentadoria da vida, pois isso é uma morte prematura.
Algumas pessoas mais novas — será você uma delas?
— dissipam suas energias produtivas em preocupações sobre o que lhes acontecerá quando ficarem frente a frente com a monstruosidade da idade de sessenta e cinco anos.
Já que você tem o privilégio da vida nesta terra
— e é um privilégio, apesar dos problemas incessantes —, deve viver. Deve viver, quer tenha dezesseis anos, quer sessenta e cinco.
Seja como Ezio Pinza, uma inspiração para milhões quando estrelou o filme Ao sul do Pacífico, atingindo o auge de sua carreira numa idade em que muitos se aposentam. Pinza era jovem quando outros de sua idade impuseram-se a decadência; era mais jovem de espírito do que algumas pessoas menos felizes em seus vinte e poucos anos.
Naturalmente, a idade mais avançada requer que a pessoa ponha limites sensatos à sua capacidade física. Quando você é mais velho, não pode andar correndo como um garotinho e, se tem um problema cardíaco, deve restringir ainda mais as suas atividades. Contudo, a pessoa mais velha tem às vezes qualidades que a criança ou o adolescente nem sequer começaram a desenvolver.
O ponto principal é o seguinte: na velhice cada dia pode ainda ser emocionante.
Isso realmente compete ao indivíduo. Compete a você.
Contudo, se tem mais de sessenta e cinco anos e já perdeu tempo entediando-se, não se culpe por isso. Você não é perfeito, ninguém é, e a auto-acusação não o ajudará. Leia o que eu tenho a dizer e veja se minhas idéias não o ajudarão a viver mais significativamente.


O suicídio espiritual da velhice

Uma das principais ameaças à auto-imagem de uma pessoa mais velha é a atitude negativa dos outros para com sua utilidade como membro da comunidade. Se a pessoa mais velha permitir que essas atitudes influenciem o seu próprio pensamento (e impressionar-se com isso é fácil), ficará anos entediando-se e queixando-se, passiva e vegetativamente. Cometerá uma forma de suicídio espiritual, que é uma das tragédias de nossos tempos.
Conheci inúmeras pessoas que viveram contentemente até chegarem perto dos sessenta e cinco anos, satisfeitas consigo mesmas, com o que conseguiram da vida, com o que deram à vida.
Então, abruptamente, perderam sua força. Seus anos áureos estavam terminados, pensavam; assim o que podiam fazer? Os outros as consideravam da mesma maneira; não eram mais úteis. Agora eram excesso de bagagem. Por que fingir?
Havia alguma realidade em suas observações porque em nossa cultura, e em muitas outras, nega-se às pessoas mais velhas méritos por seus autênticos recursos e capacidades.
Essas atitudes infelizes são reais e você deve saber o que é real, mas, quando é mais velho, tem de aceitá-las?
Você tem de seguir o rebanho e aceitar sem crítica suas idéias mesmo quando são bobas?
Claro que não!


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Como vencer os sentimentos negativos - Parte 25

As limitações da solidão

É importante, para qualquer um, aceitar suas limitações. A pessoa que sente que deve ser perfeita está derrotada antes de começar; se é brilhante no que tenta, suas realizações podem ser consideráveis, mas ela é vulnerável porque mesmo o menor fracasso lhe roubará sua paz de espírito. Realizações que fazem os outros suspirar de inveja não a satisfazem; ela não pode vencer.
Contudo, a solidão significa ultralimitação; implica restrição excessiva. A pessoa solitária constringe-se desnecessariamente; sua vida se torna demasiadamente estreita. Todo mundo precisa canalizar seus esforços para viver numa civilização tecnológica, mas o solitário exagera. Não tem espaço para movimentar-se.
Consideremos um homem que comprou um pedaço de terra — oito mil metros quadrados. Construiu uma casa nele para sua família, e seu rosto se ilumina de alegria, enquanto planeja para o futuro; constrói uma cerca em volta de seus queridos oito mil metros quadrados para servir de aviso a seus vizinhos, à sua comunidade, a seu pequeno mundo, de que aquela terra é dele.
Em seguida arranca as raízes daninhas da terra e planta sementes; quando a primavera chega, os pássaros cantam e o sol brilha; a terra dá-lhe em troca frutas, verduras, legumes e flores coloridas. É domingo e ele ceifa a grama, vestido simplesmente de calças largas e camisa, batendo papo com os vizinhos e fumando seu cachimbo.
Embora tenha construído uma cerca em volta de sua terra, isso não é realmente uma restrição ou constrição. Ele vai até a casa do vizinho para saborear um sanduíche de carne quente e um copo de cerveja gelada. Sua cerca não é um símbolo de contenção, mas de contentamento.
As limitações da solidão são diferentes porque aqui a cerca é mais restritiva. Essa cerca com a qual nós nos encerramos isola-nos de nossos vizinhos. O solo que balizamos é imprestável, nem flores, nem verduras ou legumes, nem frutas, crescem nessa terra estéril. Amor e sentimento fraterno não florescem aí.
Não há nada errado em limitarmo-nos de modo que não cometamos erros acima de nossos recursos, mas ao mesmo tempo não devemos limitar-nos abaixo de nossas capacidades. Geralmente, somos melhores do que as limitações rigorosas que nos impomos. Há uma enorme diferença entre a aspiração insensata de ir além de nós mesmos e a verdadeira aspiração de nos conhecermos. E a verdadeira aspiração.é o oposto do processo limitador que é parte da solidão. O inverso de limitação é expansão para o mundo; esta deve ser a nossa meta. Na verdade, esta é a nossa cura.


Obstinação e solidão

Não há fraqueza maior do que a obstinação, porque o atrito obstinado interno e externo, a resistência interna e externa e a formação de tensão é que provavelmente explodem numa violência que leva ao fracasso-frustração-fracasso-frustração.
O homem obstinado está sempre seguro de tudo e, não contente em conhecer todas as respostas, quer impor suas opiniões aos outros. Aliena-os, afasta-os de si. Perde o sentido de intercâmbio com os outros e sente-se solitário. Geralmente é presunçoso demais, de modo que nem mesmo compreende por que as pessoas não desejam relações com ele, censura-as e abre um abismo inseparável que o distancia — em seus sentimentos — dos outros.
Na Ilíada, Homero disse:

Os deuses que o peito implacável
roubou,
E te amaldiçoou com um espírito que
não pode ceder.

Se não pode "ceder", se não pode aprender que deve haver compromisso — você perde. Sua obstinação priva-o de relações agradáveis com os outros.
A pessoa obstinada refreia sua própria liberdade, refreia a liberdade de seus amigos, vence todas as discussões com todo mundo sobre qualquer assunto — e perde todos os amigos.
É um fato lamentável, patético, que lhe é difícil mudar suas atitudes.
Porque, mesmo dentro da morte em vida de sua solidão, ele sabe que está certo.


O autodespejo da pessoa solitária

"Despejo" é uma das palavras negativas em nossa língua; sugere pobreza, um senhorio impiedoso, mobília nas ruas, lágrimas.
O despejo do ego é ainda mais negativo; encerra uma abnegação torturante, uma descrença fundamental em nós mesmos, que está no âmago da solidão. Quando deliberadamente decidimos evitar as pessoas e a vida, despejamo-nos do mundo; como nosso senhorio, nós resolvemos inverter nossos sentimentos, nossas alegrias, até perderem seu significado no processo da vida.
Isso é uma atitude defensiva, é verdade, proveniente de um nocivo ódio a si mesmo que apodrece lá dentro — um vulcão de autocrítica que nunca explode, nunca vem para fora, para uma autocrítica sadia.
É uma atitude amedrontada, autoprotetora, que mostra falta de fé: falta de fé em si mesmo, nos outros, em Deus. A pessoa que se despeja a si mesma sente intensamente sua própria inutilidade e prefere a "desesperação quieta", defensiva, cercada, da solidão à exposição — à luz forte — da espécie de monstro que pensa que é.
Este processo não é desencadeado pelos outros; a própria pessoa evita as outras, que representam para ela, em grande parte, olhos que vêem sua vergonha, sua culpa, o horror que ela é. E assim, despejando seu sentido de si mesma, despejando seu sentido dos outros seres humanos, ela se retira da vida para um deserto de desespero, para uma prisão de mau humor e sofrimento, uma prisão muito pior na realidade do que as que abrigam indivíduos que cometeram crimes reais contra a sociedade.
Em vez desse sentimento de autodespejo, devemos ter convicção, que significa uma crença fervorosa em nós mesmos. A convicção nos diz que, não importa quão pequenos nos sintamos, não merecemos ser lançados do apartamento da vida para a sarjeta. Enchamo-nos diariamente da convicção de que em alguma parte existe um lugar para nós com os outros. Enchamo-nos dela como cada dia nos nutrimos de alimento saudável; que se torne parte de nossa dieta diária.
Fazer um hábito desse tipo de pensamento, desse tipo de imaginação — revivendo vezes e mais vezes seus sucessos, perdoando seus fracassos — e dessa convicção de que você é um ser humano com dignidade, com valor, que pode orgulhar-se de si mesmo, isso fará você voltar da solidão de seu coração para o mundo das pessoas — onde você deve realmente ficar.


Desgosto e solidão

Desgosto traz solidão. Há um antigo ditado grego que afirma que de todos os males comuns a todos os homens, o maior é o desgosto. Nenhum de nós pode escapar dele. O desgosto torna alguns homens brandos e piedosos; outros, talvez não tão fortes, tornam-se duros, encerrados numa armadura protetora.
Em um capítulo anterior escrevi sobre a morte trágica de meu pai e a respeito de minha agonia. Finalmente, terminei com a separação dos outros que me impus voluntariamente e retornei ao mundo das pessoas.
Podemos sofrer até certo ponto. O corpo pode suportar o tormento até um limite; nada mais além disso. É conveniente, é uma necessidade da alma contristar-se pela perda de um ente amado, mas deve chegar o momento em que paramos de nos contristar e voltamos à atividade alegre da vida. Pois o desgosto interminável se torna uma força autodestrutiva que deve ser estancada como uma goteira no telhado; do contrário haverá uma inundação e conseqüentemente uma perda enorme.
A obsessão interminável pela dor significa uma separação das outras pessoas; significa solidão.
Shakespeare acreditava que todo mundo pode dominar um desgosto, menos aquele que o sente; não obstante, devemos dominar nossas tristezas. O tempo nos ajudará se ajudarmos o tempo; o importante é lembrar que devemos finalmente pôr de lado o desgosto e retornar às realidades cotidianas — antes que a cicatriz interna se torne permanente. Quando isso acontece, temos uma doença — pior do que uma úlcera — que contraímos profundamente dentro de nós, revestida de uma forma de egoísmo desagradável que leva a um sentimento de solidão. Então, a pessoa pode encontrar um falso prazer em cultivar o desgosto, provando o argumento de Samuel Johnson de que o desgosto pode ser uma espécie de ociosidade.
A cura do desgosto é a aproximação das pessoas, procurar achegar-se a elas com as qualidades mais primorosas que você tiver para dar, derrubando a parede de separação que é a cerca por trás da qual a pessoa solitária se esconde.
Pode ser útil lembrar as palavras do estadista inglês Benjamin Disraeli: "O desgosto é a agonia de um instante; a persistência no desgosto, o erro de uma existência".

A ameaça da impotência espiritual

Por impotência espiritual designo a falta de potência emocional, a falta de força de vontade e impulso — e essas qualidades produzem a solidão tão seguramente quanto os saquinhos de chá em água fervente produzem o chá.
A pessoa espiritualmente impotente só pode viver com o status quo; quando a mudança a inquieta, ela se apavora e foge da vida, o que é extremamente ameaçador. Sobrevêm um sentimento de solidão.
A potência emocional provém da compenetração de que a vida nunca é estática, de que cada dia é um novo dia, envolvendo mudanças e novos desafios. Compreendemos que devemos aceitar a mudança — mesmo que possa gerar inquietação — e que devemos reunir nossos recursos para enfrentar os desafios. Enquanto atendemos a essas necessidades, melhoramos interiormente como seres humanos, desenvolvendo traços- como elasticidade, adaptabilidade, versatilidade.
A pessoa espiritualmente impotente não compreende a si mesma e não apreende a natureza da qualidade fluida, mutável, da vida. No abismo que se abre entre suas maneiras inalteráveis e o ritmo veloz do mundo em torno dela se encontra a causa de seu sentimento de separação dos outros, de sua dissociação da vida.
Há esperança para ela, como há para qualquer indivíduo. Reside no reforço de sua opinião sobre si mesma, em ver suas melhores qualidades, em acentuá-las e visualizá-las até que se tornem parte de sua auto-imagem.
Quando não tiver mais medo de justificar sua existência, quando puder tolerar a mudança em si mesma, então se sentirá equipada para enfrentar as mudanças no grande mundo exterior.


A ilusão na nostalgia

Quando a vida é opressiva, quando o despertador nos chama para problemas insolúveis e preocupações intermináveis, é natural que desejemos escapar de uma realidade que parece insuportável.
Começamos a devanear, a pensar em alguma ilha paradisíaca ensolarada — talvez a tenhamos visto num anúncio, num cartão-postal ou numa fita de cinema — e a querer estar lá. Ou talvez nossa mente nos traga a imagem de um lugar agradável que conhecemos quando éramos jovens e quando a vida parecia ser menos complicada.
Tais escapes temporários (para um quarto, uma Ísquia em sua mente) podem ser úteis por dar-nos alívio da tensão.
Mas o hábito de escapar continuamente da realidade — para o passado — é infrutífero e contraproducente. Acaba sendo uma fuga do pensamento adulto para um terreno estéril que pode ser principalmente ilusão.
A pessoa nostálgica passa a separar-se da vida no que ela tem de mais importante para ela, a vida de hoje em benefício do dia de hoje, em que cada dia é uma coisa especial — mesmo que seja imperfeita. Quanto mais intensa a nostalgia dos "velhos bons tempos", tanto mais falso, provavelmente, será seu quadro daqueles tempos; se a idéia se torna fixa, seu pensamento pode acabar em noventa por cento de ilusão. Ela se sente solitária porque seu pensamento a isolou de seus semelhantes.
A cura para a Velha Nostalgia é a Nova Nostalgia. A Nova Nostalgia é uma espécie criativa de anseio; o anseio não é por ontem, mas por hoje e amanhã. É um anseio para melhorarmos interiormente, e para fazermos disso um hábito. Como parte desse melhoramento interior, devemos conhecer-nos melhor e portarmo-nos mais coerentemente. A Nova Nostalgia é um anseio para saber de que somos feitos agora, não do que éramos feitos há muitos ontens passados. É um desejo intenso de evitar as armadilhas de nosso mecanismo de fracasso, de reativar o funcionamento suave de nosso mecanismo de sucesso, de modo que possamos ficar espiritualmente mais ricos cada dia. É uma determinação para tornar nossos dias criativos, cheios de bons sentimentos para com as outras pessoas, de divertimento.
A nostalgia pelo passado, além de ser freqüentemente ilusória, pode ser uma armadilha mortal. Pode trazer abatimento, anos de solidão e conformismo patético. Não deixe que isso lhe aconteça!
A Nova Nostalgia, isso é uma coisa diferente.


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Como vencer os sentimentos negativos - Parte 24

A "mesa-redonda" da doação

Recentemente fui fazer uma conferência para a Mesa-Redonda de Um Milhão de Dólares, em Boston. Essa é uma organização mundial de destacados vendedores de seguro de vida, profissionais que cada ano vendem um milhão de dólares ou mais de novas apólices de seguros, sob regulamentos rigorosos, e que se submetem a elevados padrões éticos ao prestar serviço ao público que confia neles.
Antes de minha conferência, falei com alguns desses indivíduos e pude compreender facilmente por que obtinham tanto sucesso. Eles eram — afáveis. Perguntaram sobre minha saúde, minhas idéias, meus interesses — e cada um escutava o que eu tinha a dizer. Muito freqüentemente uma conversa consiste em pessoas que escutam relutantemente, cada uma esperando a oportunidade de falar. Esses indivíduos escutavam e estavam interessados. Muitos deles me fizeram sentir que eu era seu amigo.
E eu era de fato, pois eles eram afáveis.
Mais tarde, subi à tribuna e contemplei filas e filas de caras no auditório — havia mil e oitocentos membros da mesa-redonda escutando.
Sinceramente, senti-me comovido; todos nós nos comovemos quando os outros se mostram calorosos.
Falei sobre o meu conceito do "homem integral". Era apenas outra conferência, alguém pode dizer, já que falo freqüentemente, e para grupos, em toda parte do país. Contudo, sempre darei valor a essa experiência, porque havia tanta vontade de dar um pouco de si mesmo entre aquela gente. É sobre isso que escrevo quando digo que não se pode nem sequer medir o valor da amizade.
Disse-lhes o quanto apreciava o fato de serem eles meus amigos.
E terminei.


O valor da amizade

A amizade é um dos grandes bens da vida, uma de suas satisfações inegáveis. Não há dinheiro que pague um relacionamento amigável.
Não pode haver vida criativa sem pessoas — sem amizade.
Tudo o mais é uma retirada da vida. Nenhuma sublimação, artística ou de outra natureza, pode tomar o lugar das relações humanas.
Não importa quão ocupado você esteja, deve criar tempo para pensar — em si mesmo, em suas amizades. Deve dedicar mais esforços para atender a seus amigos, para efetuar os compromissos que constituem a essência da amizade, transpondo o abismo do ego que tão freqüentemente destrói.
Deve criar tempo para pensar em meios de tornar os seus felizes, pequenos meios atenciosos que os façam saber que você está pensando no bem-estar deles, que se importa com o que acontece a eles, que quer que vivam bem.
Mas amizade não significa simplesmente fazer alguma coisa pelos outros; implica gostar dos outros. Não somente fazer um favor a alguém, mas gostar sem necessidade de recompensa por serviços prestados. O sentimento de partilhar algo é por si mesmo uma recompensa.
Você deve criar tempo para melhorar sua auto-amizade, ser generoso com seus próprios defeitos, esquecer seus erros passados, relembrar seus sucessos.
Sim, deve trabalhar em sua amizade mais importante — consigo mesmo. Deve trabalhar a fim de equilibrar as aflições e doçuras da vida, a fim de se interessar por uma auto-imagem realista, embora positiva.
Repetindo, para ser um bom amigo, você deve primeiro ser amigo de si mesmo.
Não há outra possibilidade; tudo o mais é fingimento. Olhe para si mesmo. O que vê? Arrogância, raiva, medo, tensão, incompetência, mau julgamento?
Certamente, você é um ser humano, e não deve usar antolhos. Mas vê essas qualidades em si mesmo? Pensamento claro, confiança, compaixão, humildade, coragem?
Seja seu amigo, seja um companheiro — de si mesmo. Esqueça suas qualidades negativas, eleve-se acima delas até seus predicados.
Aprecie a si mesmo; aprecie o valor de sua vida.
Seja bom para você; seja seu amigo.
Concentre toda a sua saúde na sua auto-imagem, agora.
Da mesma forma como abriria sua carteira e tiraria algum dinheiro quando precisasse, abra sua memória e tire sua saúde interna, sua auto-imagem vitoriosa.
É até melhor do que dinheiro; é mais valiosa.
Perdoe e construa; perdoe e construa; vezes e mais vezes, acentue o que tem de melhor — tal como faria por um amigo.
Desde que seja amigo de si mesmo, poderá ser amigo dos outros.
Você pode conhecer a alegria que se origina de dar algo. A si e àqueles que estima — seus amigos.


Exercício 11

A maioria destes exercícios têm sido individuais; não precisam ser todos assim.
Você pode também reforçar-se para a vida criativa se falar sobre alguns dos conceitos deste livro com amigos. Acho que isso pode ser-lhe muito útil.
Mas devo avisá-lo para usar de discrição: um conhecido ocasional não é um amigo no sentido provado e comprovado de "amigo". Deve discutir esses conceitos somente com uma pessoa que seja compreensiva e que você tenha certeza de que é leal a seus interesses.
Não que sua discussão tenha de ser pessoal; você pode, se desejar, discutir esses conceitos de maneira geral. Se sua conversa reforçar sua compreensão dessas idéias, poderá ser capaz de aplicá-las até com maior intensidade ao fazer os outros exercícios.
Que pode você discutir com seu amigo?

1. O mecanismo de sucesso. Em seu intercâmbio, você pode agitar os ingredientes que compõem esse sentimento acelerante de ir para a frente. Pode consolidar a convicção de que essas qualidades são mais importantes para você — e para seu amigo — do que os satélites que giram no espaço extraterrestre.

2. A auto-imagem. Enquanto fala, pode ver mais claramente por que este conceito simples pode ser tão vital para seu bem-estar. Pode ver por que a "sorte" não tem importância em comparação com sua auto-satisfação em todas as circunstâncias.

3. Sentimentos negativos. Poderá fazer a escalada de sua guerra contra os sentimentos negativos se discutir com um amigo o dano que tais emoções intangíveis podem causar. Tendemos a diminuir a significância dos pensamentos e emoções — você não consegue ver o seu tamanho como pode ver uma ponte pênsil ou um arranha-céu —, de modo que poderia ser útil falar sobre como são realmente muito importantes. Quando repele os sentimentos negativos, você muda sua "sorte".

Experimente isso com um amigo.
Se conhece alguém com quem pode realmente falar, ouvindo-se mutuamente enquanto se relacionam, vocês podem reforçar um ao outro em sua crescente compreensão dos fatores internos que podem levá-los para um sistema de vida dinâmico interno e externo.
Não para ontem ou amanhã.
Para hoje.


Exercício 11-A

Eis um exercício de bonificação — para quando você se sentir frustrado.
Sente-se, feche os olhos e veja mais uma vez a história de Hércules. Imagine os gêiseres Furnas, os vapores elevando-se no ar.
Que seja um símbolo para você, em sua frustração, para liberar suas tensões no momento, cortar o circuito elétrico de angústia, a fim de que você possa renovar suas energias.
Reconheça sua raiva sem remorso. Se puder achar uma saída inofensiva, libere esses sentimentos de frustração. Desprenda os vapores, se puder.
Depois, revigorado, volte às coisas normais.
Você será um melhor amigo — de si mesmo e dos outros.

 

Capítulo treze


Dominando o flagelo da solidão

Existem muitas coisas que os homens temem: a guerra e as armas de guerra; a doença em todas as suas formas mortais; a morte, da própria pessoa ou de algum ente amado; a pobreza, trazendo consigo privação e humilhação emocional; a catástrofe súbita, abatendo-se de noite.
Os homens temem porque são humanos e portanto vulneráveis. Vivem com seus temores e fazem o melhor que podem.
Mas, dentre todos esses temores, nenhum é mais aterrorizante do que o medo da solidão.
Milhões e milhões de pessoas se submeteriam quase a qualquer tortura se o sofrimento aliviasse esse medo mais premente: a solidão.
Quando o sentimento de solidão invade alguém, ele é capaz de ir longe para dominá-lo. Irá visitar pessoas de quem realmente não gosta, tornar-se-á subserviente a pessoas a quem não suporta, dedicar-se-á a atividades que, de outro modo, veria como perda de tempo.
Além do mais, procurará sinteticamente dominar seu sentimento de solidão assistindo à televisão, escutando rádio, ligando o gravador. Poderá finalmente tentar ouvir as brigas dos vizinhos.
Uma série de organizações procuram lidar com esse problema, reunindo pessoas em ambientes sociais de uma espécie ou outra. Até onde obtêm sucesso não sei.
O que sei realmente é que é um problema universal. Sua conquista é muito mais importante do que a do monte Everest ou qualquer outro pico montanhoso; muito mais significante, em minha opinião, do que a conquista dos pólos norte e sul, ou qualquer outra passada, presente e futura do espaço extraterrestre.
Primeiro, definamos a própria palavra; que significa solidão?


O significado da solidão

Solidão significa coisas diferentes para pessoas diferentes. Muita gente acha que solidão é estar sozinho, no sentido físico; que se o indivíduo se senta sozinho em seu quarto, meditando, está solitário.
Discordo dessa concepção. A pessoa solitária pode não estar fisicamente sozinha; pode passar a maior parte do tempo com outras pessoas; e nunca saber o que significa passar as primeiras horas da noite em casa, fumando seu cachimbo (ou fazendo tricô), pensando.
O problema da solidão não é o de estar sozinho; é o de sentir-se sozinho. É o de sentir-se isolado dos outros. É o sentimento horrível de que um abismo separa uma pessoa das outras, de que os outros estão andando em volta num mundo estranho para si.
Muitas pessoas têm observado que se sentem mais sozinhas em grandes multidões, onde faltam os sentimentos de autêntica intimidade. Coquetéis, barulho, música estridente podem ser uma pequena camuflagem quando ocultam a ausência de verdadeiro contato humano, quando obscurecem a necessidade de fazer uma ligação significativa com os outros.
Por outro lado, Henry David Thoreau é o exemplo clássico do isolamento físico sem as torturas da solidão. Thoreau, o grande filósofo e ensaísta americano, passou longos períodos de tempo sozinho em Walden Pond, escrevendo, pensando, gozando seus sentimentos de viver livremente, sem restrições, entre as belezas da natureza.
O escritor e observador dos costumes sociais Henry James foi outro que frisou que, embora estivesse freqüentemente sozinho, isso não significava que estivesse solitário.
Conheci um homem como esse, que passou a maior parte de sua vida nos ermos gelados do Atlântico norte, na Islândia. Seus companheiros eram poucos — havia principalmente neve e gelo e terra estéril —, mas ele se sentia alegre.
Não havia prisões lá, e os meninos que cometiam delitos contra a sociedade eram postos sob a sua supervisão; era uma supervisão de longo alcance porque ele os punha a trabalhar em fazendas a quase duzentos ,e cinqüenta quilômetros de distância de sua cabana, não obstante os ajudasse com sua bondade, despertando-lhes o sentido da dignidade do trabalho manual. Muitos desses meninos mudaram em suas maneiras básicas e se tornaram bons membros da sociedade.
Servindo à humanidade como fazia, esse homem tinha um tal sentido de auto-estima, uma ligação tão soberba com outras pessoas, que não se sentia sozinho.
Deleitava-se com atividades simples como fumar seu cachimbo ou ler um livro; quando visitava seus meninos, aconselhava-os serenamente e escutava seus relatos de progressos no trabalho e nos sentimentos. Quando encontrava outras pessoas, contava histórias e gozava a companhia delas.
Mas quando estava sozinho, às vezes mesmo por dias, nunca se sentia solitário. Embora não houvesse nenhum outro ser humano à vista, ele não se sentia solitário.
É assim que devia ser com todas as pessoas.
E, contudo, à medida que o progresso da medicina permite que se tenha vida mais longa, aumentando a população mundial, o problema da solidão se torna mais agudo.
Esse terrível sentimento de estar sozinho.
Não pode haver vida criativa coexistindo com o sentimento de solidão; portanto, analisemos os sintomas da solidão e vejamos o que podemos fazer com respeito a eles.


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Como vencer os sentimentos negativos - Parte 23

O significado da amizade

É triste que muitos de nós fiquemos decepcionados com os resultados da amizade, que, em vez de enriquecer-nos, deixam-nos feridos, levando-nos a pensar menos nos outros e mais em nós mesmos. Raramente pensamos que talvez a culpa tivesse sido nossa. Geralmente parece ser da outra pessoa.
Amizade é dar.
No capítulo 3 falamos sobre como podemos obter mais satisfação das outras pessoas melhorando nossas relações com elas — que não podemos retirar-nos da vida, mas que devemos dar-nos de corpo inteiro para formar relações satisfatórias.
A amizade não é o que tiramos dos outros, mas o que damos aos outros — não tanto em dádivas materiais como em dádivas de compaixão, sinceridade, compreensão. É instilar coragem noutra pessoa. É a transferência de um pouco de nosso auto-respeito para os outros. É a partilha de nossa autoconfiança com os outros. É a dádiva do que somos para os outros.
Devemos nos lembrar deles, fazer-lhes concessões, dar-lhes o melhor do que temos dentro de nós. Somente desse modo estaremos capacitados a receber amizade em troca.
O escritor inglês Samuel Johnson acreditava que um homem devia renovar constantemente a qualidade de suas amizades, e "em dias de camisa limpa" ele ia visitar os amigos.
Devemos trabalhar constantemente para renovar nossas amizades pelos outros.
E também para renovar nossa amizade por nós mesmos. Como dissemos precisamente no primeiro capítulo, devemos pensar em nós mesmos como "alguém com quem gostaríamos de ter amizade". Porque para sermos amigos dos outros devemos ser nossos amigos. Devemos sempre estar prontos para corrigir o dano que nossos fracassos inflijam à nossa auto-imagem. Elevar-nos acima desses fracassos para manter nosso auto-respeito, que é fundamental para o respeito pelos outros.
Somente então nossa amizade poderá ter verdadeiro valor. Só então poderá haver humildade, livre de glorificação. Apenas quando nos respeitamos sentimos a dádiva da humildade — para os outros e para nós mesmos.
Se você conhece a arte da amizade, permanece vivo. Ponha um sorriso de contentamento em sua auto-imagem.
Olhe para a frente, não para trás. Todo dia é um novo dia em que você focaliza a vida. Concentre-se nos proveitos que pode tirar disso, recusando-se a deixar que o medo do fracasso o afaste de seu propósito.
Você é necessário. É parte da família humana; torna-se o que é relacionando-se com os outros. Expande-se em sua capacidade de amor num vasto sentido comunal que abrange a aceitação da falibilidade humana. Compreende que seu semelhante pode cometer erros que destorçam sua perspectiva; ele pode sentir erroneamente que você é inimigo dele, não amigo.
Você perdoa.
O mundo inteiro está em busca de amizade. Todo mundo procura o perdão tão ardentemente como o alimento e o abrigo. Contudo, às vezes nos envergonhamos de perdoar, como nos envergonhamos de cometer um erro, como se fosse uma fraqueza terrível cometer um erro ou perdoar. Mas essa vergonha nos corrói, nos desumaniza. É morbidez envergonhar-se do próprio erro e obstinação não perdoar o erro de outra pessoa.
A capacidade de perdoar deve ser tão grande quanto a de sobreviver, pois você não pode alcançar a verdadeira grandeza de viver a menos que torne o perdão um hábito tal como o de comer.
Para conviver realmente com as pessoas é preciso ter-se a compaixão do perdão. Errar é uma perda humana; perdoar é realização humana. Mas, primeiro, você deve perdoar a si mesmo para que possa aceitar-se como um ser humano, como alguém com dignidade.


Não apresente uma fisionomia inescrutável

Conheço quatro mulheres que se reúnem toda semana — na casa de uma delas —, na sexta-feira depois do jantar. Há muitos anos vêm fazendo isso.
Elas são extraordinárias. Quando se reúnem, não fumam, não bebem, não fofocam. Ficam tão fascinadas pelo que estão fazendo que não falam em filhos, maridos, parentes, condições do tempo, política ou assuntos mundiais.
Sentadas em volta da mesa, realizam seu trabalho como se fosse a única coisa do mundo que interessasse em suas noites de sexta-feira.
Que fazem elas à mesa? Não fazem tricô. São todas gorduchas e todas têm o cabelo oxigenado; uma, partido no meio; outra, com uma trança na nuca; uma, com franja; e a outra com o cabelo levantado para o alto da cabeça.
Sentam-se em volta da mesa e cuidam de seu trabalho, que é jogar cartas; pôquer. Nenhuma delas joga com astúcia; todas são jogadoras liberais e às vezes também descuidadas.
Com o correr dos anos, aprenderam a conhecer o jogo umas das outras. Cada uma tem seu conhecimento secreto especial, o conhecimento da expressão facial da outra quando está segurando um jogo bom. Uma delas tosse; a segunda sorri; a terceira franze as sobrancelhas; a última procura parecer espantada.
O jogo se realiza toda sexta-feira, ano após ano, e agora tem sido feito sistematicamente na casa de Harriet, porque ela sofre de artrite e tem de sentar-se numa cadeira especial. Jogam; gozam a companhia umas das outras e no fim do ano acabam mais ou menos em igualdade de condições.
Jogam pôquer, mas não têm a fisionomia inescrutável. Essa é a vantagem delas.
Na vida as pessoas muito freqüentemente têm a fisionomia inescrutável e vêem que as outras pessoas fazem o mesmo; a idéia é enganar os outros. Enrugam a pele do rosto fazendo toda espécie de poses e afetações. Mas isso não funciona. O truque é fazer o que essas quatro mulheres fazem toda noite de sexta-feira. O truque é não fazer truque. É ser você mesmo. Ser sincero consigo. Goste de si e deixe os outros gostarem do que você realmente é. Não seja afetado — não tenha uma fisionomia inescrutável. Seja apenas natural e mostre que gosta de gente, que está disposto a ajudar. Que essa cara sincera seja sempre a sua cara, e você levará essa vantagem e nunca perderá.


Mulheres, cachorros, dinheiro e inimigos

Através dos séculos, se você folhear os livros aqui e ali há de encontrar muitas observações sarcásticas sobre a amizade.
Benjamin Franklin certa vez escreveu que "há três amigos fiéis — uma mulher, um cachorro e dinheiro disponível".
Isso não é a melhor propaganda da amizade; é muito mais um endosso do valor dos bancos.
Despedindo-se de Luís XIV, o Marechal de Villars, segundo se supõe, teria declarado: "Defenda-me dos amigos; sei defender-me sozinho dos inimigos".
Isso é ainda mais condenador — e é triste. Contudo, não se pode negar que há certa dose de verdade em tal afirmação.
Pois existem muitas relações curiosas que recebem o nome de amizade. Existem alianças de conveniência nas quais as pessoas entram sem um compromisso autêntico, e relacionamentos a que as pessoas se acomodam sem um verdadeiro sentido de responsabilidade. Existem outras inter-relações que são exploradoras e deviam ser tachadas como tais — mas não o são.
Essas são as relações das quais a pessoa deve fazer bem em fugir, pedindo ajuda a Luís XIV ou a outro protetor.
Mas isso não é amizade verdadeira; é um pálido fac-símile.
A amizade necessita de uma mente inquiridora — dos outros e de si mesmo. Isso não quer dizer que você tem de meter o nariz na vida dos outros ou forçar suas opiniões sobre eles. Significa prever as necessidades deles.
Significa o uso criativo da imaginação, não o abuso destrutivo dela. É o olho de uma auto-imagem sadia, a alma da amizade. É preciso ter imaginação inspirada para ajudar os outros.
A imaginação fértil não é um dom exclusivo dos gênios. Está potencialmente em todos nós. Se, diariamente, você ansiar melhorar intimamente, usar seus poderes criadores, procurará idéias enriquecedoras em sua mente — e as encontrará. Talvez as partilhe com os amigos.
Cada dia resolva, em sua imaginação, ser um bom amigo. O que pode fazer por aqueles de quem gosta? O que pode dizer para comunicar seu sentimento fraterno? Ponha-se na pele de outra pessoa — que consideração apreciará ela?
A prática da amizade é a prática da eloqüência; ela não precisa de palavras, já que implica uma compreensão de seu semelhante. Há eloqüência na execução de um ato amistoso, feito impulsivamente, sem se pensar em recompensa. Numa comunhão fraterna, numa comunhão de identificação, de partilha da condição humana. Há eloqüência em fazer concessões aos outros, talvez concessões até generosas.
Essa eloqüência não pertence a poucos; pertence a todos nós, se a fizermos uma de nossas metas diárias.


A amizade exige coragem

A amizade requer a maior dose possível de coragem. Isso nem sempre é reconhecido, mas é verdade. Um bom amigo deve ser uma pessoa corajosa.
O conceito usual de coragem refere-se a ações sob condições físicas perigosas.
Consideramos corajoso — ou bravo — o homem que escala cadeias de montanhas perigosas ou arrisca a vida cortando caminho através de florestas infestadas de cobras e crocodilos.
Consideramos corajoso o bombeiro que mergulha na fumaça para salvar a vida de uma criança ou o policial que persegue um perigoso criminoso armado.
Consideramos corajoso o infante num combate que sai arrastando-se de seu abrigo sob o fogo para salvar um companheiro ferido que está gritando por socorro.
Esses são atos de bravura; alguns são também ações em benefício da comunidade. Esses indivíduos são heróis de nossa civilização,, protetores da vida civilizada, que surgem em tempos de crise.
Contudo, a coragem não requer uma crise notória na comunidade. A pessoa pode ser brava durante o dia comum de vinte e quatro horas sem perigos flagrantes, mas com uma variedade de pequenos perigos ocultando-se atrás dos minutos.
É preciso ter realmente coragem para atingir o status de amigo para seus irmãos e irmãs na terra. Você mostra coragem quando enfrenta a vida todo dia com autocontrole. Não ataca um homem por causa da cor de sua pele ou do tamanho de seu nariz ou quando ele é mais convincente numa discussão do que você. Repele as tendências de auto-exaltação quando elas poderiam ofender o ego de outra pessoa. Contém os impulsos de ganância, burla, ingratidão, presunção, maldade e desdém descontrolados; recusa-se a encontrar defeitos nos outros para defender o seu próprio sentido de inadequação.
Procura ser amigo.
A amizade significa que você deve marchar corajosamente em direção de seus semelhantes, não retirar-se deles como na vida passiva. Ela proíbe indiferença para com os outros. Significa que você sustenta e luta não somente por suas próprias crenças, mas também pelas crenças dos outros. Somente os bravos podem atender a relações tão exigentes como essas.
Deixe que sua energia se desprenda de você para outros menos afortunados, ajudando-os voluntariamente com seu auxílio piedoso. Tenha a coragem de continuar marchando em direção à vida, em direção às pessoas, apesar dos problemas, frustrações, derrotas. Seja bastante forte para dar aos outros com espírito de igualdade. Seja bastante determinado para poder vencer seus sentimentos negativos; se não puder, não será amigo de si mesmo ou dos outros. A amizade é uma reafirmação do instinto da vida; é a personificação da força combativa da vida.
Ela é uma emocionante viagem de descoberta do que há de bom em si e nos outros. É uma busca diária que nunca termina, uma busca do que se tem para dar — um trabalho de tempo integral.


Uma fonte de força para você

Você deve ser corajoso para ser um bom amigo, e para ser corajoso deve ser forte.
Você tenta ser forte, da melhor maneira possível. Tenta ver a si mesmo nos seus melhores momentos; reforçar sua auto-imagem e ativar impulso de estabelecimento de metas de seu mecanismo de sucesso. Mas você não é perfeito; ninguém é. Seus pensamentos ficam entravados, sua auto-imagem oscila, você não é amigo de si mesmo no momento. Que fazer então?
Deixe-me contar-lhe outra história. Gosto de contar histórias, e como meu leitor você deve ser indulgente comigo — assim como tenho prazer em dar-lhe toda oportunidade para a exploração de sua própria personalidade.
Eu era muitos anos mais moço quando um amigo me pediu para realizar uma operação em sua sobrinha, uma menina que morava na ilha de São Miguel, nos Açores, ao largo da costa de Portugal.
Esse amigo era corretor de café no Rio de Janeiro. Formamos uma amizade fervorosa alguns anos antes, quando, encontrando-nos num velho avião DC-3 com destino ao Rio, enfrentamos juntos quase a morte; o avião, sobrecarregado e com apenas um motor bom, teve de fazer uma aterragem forçada num aeroporto aberto nas selvas.
Não pude recusar o pedido de meu amigo.
Um avião levou-nos através do oceano a São Miguel — dessa vez sem contratempos. No aeroporto esperava-nos a família da garotinha, um grupo de pessoas simpáticas e amigas — todas elas, menos uma. Era um indivíduo pequeno, sem atrativos; estranhamente, seu nome era Hércules.
Tive de rir da impropriedade de seu nome. Não sou alto, mas elevava-me acima de Hércules.
A garotinha, Rose, era uma menina encantadora e eu a operei de um tumor na pálpebra. Foi uma paciente que cooperou de boa vontade; dez dias depois da operação, tirei o último curativo e ela estava boa.
Durante aqueles dias passeei pela ilha de São Miguel com Hércules.
Para minha surpresa, ele era uma figura muito respeitada entre o povo da ilha. Era muito estimado e admirado por sua inteligência. Quando o conheci melhor, compreendi por quê: possuía um bom senso extraordinário. Todo mundo que tinha problemas vinha pedir-lhe conselho. Passei a respeitá-lo.
Um dia, Hércules agarrou-me pelo braço e levou-me para contemplar a vista mais preciosa dos Açores. Os famosos gêiseres Furnas — um vale de vapores elevando-se da adorável ilha verde. Os vapores lançavam-se para cima, para o ar.
Hércules comentou a respeito da sorte do povo de São Miguel em ter esses gêiseres e em ter esse rico solo cremoso e esse ar puro para respirar.
— O homem, também — perguntou ele —, o homem não será como uma ilha?
Fiquei ouvindo com interesse. Aonde queria ele chegar?
Então, entendi o que queria dizer. As erupções dos gêiseres, seu desprendimento de vapores, isso mantinha a ilha pura e agradável. Se o homem, em vez de recalcar seus sentimentos, deixasse também os vapores se desprenderem quando precisasse, permaneceria jovem e fértil, expansivo e produtivo — como a ilha com seus gêiseres.
Pensei nisso quando voltei de avião para Nova York, e senti-me mais atilado por ter encontrado Hércules.
Por favor, não interprete erroneamente meu conselho. Não recomendo que você domine a vida com uma série de fúrias temperamentais, que você sopre em todas as direções quando lhe der na veneta.
Minha opinião é que amizade também significa a capacidade de desprender vapor — de libertar suas reprimidas emoções de ressentimento e mágoas — para encontrar sua meta de paz e quietude. Somente então você estará preparado para a amizade com os outros.
Neste mundo complicado, às vezes as rodas param de friccionar-se e a máquina deixa de funcionar; você não encontra o óleo e não pode ir a lugar algum. Em tais ocasiões, d